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sábado, 13 de setembro de 2014

MERGULHO...

Quantas vírgulas cabem numa frase, ou num parágrafo? Quantas reticências num período, quantas palavras? Quantas mensagens caberão numa única expressão? No entanto, suave confusão, profusas palavras, idéias em torvelinho, letras torturadas num alinhamento sem expressão. Prosa rimada, procura hermética, poesia descabelada pela ventania da livre associação. Tarde da noite, calor afagado, o cérebro transbordando de emoções. Trocou de papel com o peito; o coração tem razões que a própria paixão desconhece.
     O céu fechou os olhos e não viu tanta coisa acontecida acima do chão. Um filósofo popular, um profeta inspirado em cachaça e bofetões, já disse ou dizia das nuvens que "ensombrecem" o horizonte tornando o homem finito. E nessa torrente de palavras inseparáveis, nem vírgulas nem pontos finais. Apenas a voz do vento cantando o excesso de afogamento do ôco do coração; ou do alto da fronte altiva, massa cinzenta de brisa, maré de tolices vadias...

[Adhemar - São Paulo, 24/01/2000]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Rodrigo M. — quinta-feira, 20 de novembro de 2008 (17:27:15)
Hahahaha,
Devagar se vai longé é muito frase feita, odeio. Mas valeu pelo menos por ter comentado. Adorei as poesias do seu blog. ;D

Comentário por Érica — sexta-feira, 21 de novembro de 2008 (09:30:35)
Que inspiração espetacular!
“Apenas a voz do vento cantando o excesso de afogamento do ôco do coração…”
Amei!
ótimo fim de semana

Comentário por caurosa — sexta-feira, 21 de novembro de 2008 (10:15:30)
Pois é!Caro Adhemar ai está o dom da poesia e da prosa que muitos têm, porém, poucos desenvolvem com competência e inspiração. Paz e harmonia para você.
Forte abraço
caurosa.wordpress.com

Comentário por TATIANA REZENDE — sábado, 22 de novembro de 2008 (08:49:38)
Quantos pontos finais existem numa vida?