quarta-feira, 3 de setembro de 2014

NÃO MAIS

"Alguém morreu como morre alguém a todo o momento. O velório foi animado. Piadas em surdina, risos abafados."
"Em qualquer quarto de um qualquer lugar ouvem-se gemidos, ora de dor, ora de sexo."
"No escuro de uma noite fria, um frio escuro. Calor das velas do velório, do suor, da dor e da emoção do amor."
[Adhemar - S. Caetano do Sul, 20/07/2005]

TALVEZ HAJA UM (ou "Marion")
Os olhos azuis são um disfarce emoldurado pelos cabelos loiros.
O rosto tímido, alegre e lindo é um estratagema anti-espiões.
O andar ondulante e cadenciado
é a mais perfeita forma de locomoção já inventada.
Tanta beleza em deslocamento…
É uma invasão? É um ataque? É um acontecimento?
O riso claro e cristalino é uma provocação.
Declaração de guerra, um atentado dirigido.
A voz suave e as palavras agradáveis são a sabotagem ao inimigo.
O decote, então, é uma cilada,
entrevendo os homens, um abismo.
Sob a saia curta, as pernas perfeitas são armas letais.
Para quem ousar enfeitiçado, não libertam nunca mais.
Levam à morte os destemidos,
ofuscando os olhos no brilho da penugem clara
e na maciez da superfície.
Os pés perfeitos são para a fuga, assim que aniquilado o oponente.
E fogem lépidos, faceiros e silentes,
manchados apenas com gotículas de sangue dos corações explodidos.
O maior poder da terra foi exercido:
o da sedução.
Não há homem preparado pra enfrentar tal inimigo…
[Adhemar - Sto. André, 20/07/2005]

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