sábado, 6 de setembro de 2014

NOVIDADE ORIGINAL!

               O espaço está repleto. Repleto da angústia de não ter pra onde olhar. E tudo gira depressa. Foscas imagens brilham macabras. Um violento calor se brande em chamas dentro dos cérebros convulsos. O vento quente assola as paisagens. Paisagens urbanas e mortas.
                No entanto, aquele pescoço desesperado acerta uma direção. E os olhos lacrimejantes de tão cansados, topam com algo surpreendente e incompreensível. Ainda assim, bela visão! Tudo então se concentra naquele ponto. Até o vento parou.
                Era uma flor que brotava do concreto cinza.
[Adhemar - São Paulo, janeiro/1983]
"Selva de pedra"
Naquele tempo, percorria a cidade de São Paulo e seus arredores a trabalho. Das Perdizes a Santo Amaro, Guarulhos, grande ABC… O calor abrasivo que se desprendia do asfalto, a insípida paisagem e a feiúra e a poluição da cidade de repente quebrados por uma flor nascendo no piso da rua, que suscitou essa reflexão (ou um cavalo que vi pastando em plena Av. Paulista). Infelizmente, ainda hoje é assim, essa metrópole que amo com profunda paixão mas da qual não vejo a hora de me ver a uma respeitosa distância…
Adhemar, 04/07/2008.

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