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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

OCASO

No calor de uma conquista
se encerram inúmeros mistérios.
As surpresas, os delírios,
o valor de não ser sério.
Dominando o alto esquecimento
renovando o que foi,
fica para trás o desejo insincero.
Recomeçar o que nem bem se sabe
buscando um talvez já bem incerto.
Subir no mais alto onde se avista
o que não se quer ver, ou um deserto.
Resistir a sucumbir ou a voar
deixando o corpo livre decidir
a se afastar para cada vez mais perto…
Desenganar o desenlace premedito,
palmilhar o próprio caminho inibido
e corado, envergonhado de ir por onde
tomado ao acaso como fosse o escolhido…
Descer do mais baixo e procurar acima
o destino reservado e impossível
assumindo um obscuro lugar bem definido.
Na loucura de tentar fazer gostar
o objeto tão especial é quase incesto;
morar na fuga tão inútil quanto besta.
Realizar o que o sonho apenas pode por um gesto
e gesticular clamando à si mesmo
toda a insanidade que há no mundo
como a serena majestade do universo.
Contentar-se em existir quando morrendo;
contentar-se em mentir, se verdadeiro.
Onde está quem está fora do lugar?
O que é feito de quem se sabe o paradeiro?
Tanto interrogar o que se sabe, cansa.
E no mais alto do fundo poço sentimento
torna humano o monstro que é o coração inteiro.
Tantas vezes sete vezes… E calar-se
no maior dos gritos, violento.
Prosseguir para trás o que no início acabou;
e colher, no desespero, mais alento.
Tempestade cerebral, tudo normal;
tempestade coração, tudo paixão.
Olhar o céu, imenso e vermelho firmamento.
P/BSF
[
[Adhemar - São Paulo, 15/02/1988]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Hellinho Ferreira — sábado, 1 de novembro de 2008 (01:20:21)
Saudações mestre…
Obrigado pela aula de hoje!!!
Bom sabadão!!!