terça-feira, 2 de setembro de 2014

PRÍNCIPE

O silêncio é o meu nome sagrado.
Minha paz se faz pelas mãos.
O conhecimento acumulado
faz de mim mais meu irmão.
Um minuto de paz, de desejo,
transcender todo bem, todo mal.
Nas cinzas do amor, em lampejos
é preciso ter punhos de sal.
No cansaço, na dor, na ruína
penso em quem conheci por acaso.
No caminho da sombra tão fina
separei o carinho e o descaso.
Descalço, impotente e pelado
creio que tive o castigo;
por perdido o rumo traçado,
fui expulso do meu paraíso.
Condenado, vivendo no inferno,
precisando suportar o pior,
na clareza da idéia do eterno
sofrimento é o castigo maior.
Esquecendo o que um antigo contava,
chorei por mim e pelos circunstantes.
Mas por mais que esforçado faltava
o entusiasmo e a seriedade de antes.
Altas horas, a cabeça pensando
vai tentando justificar o inviável.
Na ignorância dos atos insanos
a atitude é inimaginável.
São palavras, depoimento insensato
de um homem que perdeu o radar.
Hesitante, segue torto e sem tato,
pois não sabe mais se orientar.
Ergue os braços, chama a tempestade.
Ergue os braços, fica aos céus a clamar.
Tira os panos da estátua de mármore
tão perfeita que só falta falar!
Qual estátua, qual morte, que nada!
Todo o tempo não vai mais chegar.
Pois a magra te pega, te rapta
e ficará tão vazio teu lugar…
Essa tal inquietude me escapa,
tanto tapa transmite pro ar.
Nega tudo, não digo? - Calada!
Meu repouso é o sono chegar.
Tanta coisa a dizer, falta força.
Tanta a coisa a aprender, estourei.
Pelas bocas eu encho uma bolsa
e o futuro me diz: - és teu rei…
[Adhemar - São Paulo, 01/06/1987]
Principesco…
Escrito no dia em que completava vinte e quatro anos, expressa o estado de espírito de um camarada meio sem rumo, desempregado e com o coração em ruínas. Apenas pressentia que fortes ventos se avizinhavam e que a vida ia ficar mais bagunçada ainda!
Adhemar, 31/05/2008.

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