terça-feira, 2 de setembro de 2014

VAI-VÉM

A nossa intensa vida, feito uma longa montanha russa
acelerada, desalinhada, desabalada e descontrolada,
por vezes nos acolhe mas quase sempre nos expulsa
para tantos afazeres inúteis, coisa inacabada…
De repente a gente tenta mudar tudo numa freada,
acomodar num tranco a bagagem, as idéias e as atitudes
no singelo intento de tornar a vida mais sossegada
aperfeiçoando os sonhos, os ideais e nossas virtudes.
Só que depressa sobre nós desabam tantas vicissitudes,
nossa vaca vai pro brejo, nos perdemos e atolamos
nos mesmos velhos problemas que desde a nossa juventude
não resolvemos, nem substituimos: só adiamos.
E as escolhas vão ficando mais restritas? Ora, vamos!
Se fomos nós que, iludidos, nesta vida consentimos
nos esquemas, nas facilidades em que nos acomodamos
mas que depois nos confinaram e nem pressentimos!
Nossa percepção embaçada por falsos ideais que perseguimos;
a riqueza, o poder, glória e reconhecimento
contra exigências absurdas que nós nem redarguimos
deixando o espírito ideal num profundo esquecimento.
Até que, da cobrança consciente, chega o momento
de prestarmos contas a nós mesmos, se somos felizes.
Que fizemos nós das oportunidades, do talento?
E seremos nós nossos próprios acusadores e juízes.
Não bastará voltar atrás nem mudar cores e matizes.
Melhor não mentir para si mesmo e assumir a culpa
de ter se afastado do caminho e de cometer deslizes
e de adotar posturas como quem se auto-indulta.
No planejamento tão pequeno - não se vê nem com uma lupa -
depor sinceramente num poema, versos extensos,
arremessados ao mundo de uma imensa catapulta
e lavar a alma, serenar o espírito, gestos intensos.
Esses versos voadores de conteúdos propensos
a salvar a vida do guerreiro e seus enganos…
Caído em si e posto em trabalhos mais que imensos
retoma o entusiasmo, alegra-se com tudo: agora vamos!
E vai, veleja velozmente içando totalmente os panos.
Sente-se livre e novo, cheio de vivacidade e altivez
sem perceber que nossa intensa vida, ledos desenganos,
nos empurra sempre para um "outra vez"!
[Adhemar - São Paulo, 18/04/2008]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por isa — segunda-feira, 26 de maio de 2008 (00:42:50)
Oi Adhemar,
O que seríamos nós sem as nossas histórias, não é mesmo???
Obrigada pela visita… tenha uma linda semana!!!
Bjokas
Isa