segunda-feira, 8 de setembro de 2014

VÍCIO

De tanto ir ao mar,
enjoou;
De ir e voltar,
balançou.
Cresceu, aprendeu,
experimentou.
Atacou, defendeu…
Gol!
Paixões volúveis,
desistências, conquistas.
Umas tantas, solúveis,
outras muitas, mal vistas.
Indecente, ardoroso,
amou.
Veloz, pressuroso -
capotou.
Entre idas e vindas
passou;
feias ou lindas,
rejeitou.
Aos trancos e tapas
abriu um caminho.
Vencendo etapas,
perdendo carinhos.
Enfim, tão cansado
desistiu ou chegou.
Encontro marcado
em que se atrasou.
Foi forte, foi fraco,
amansou.
Cavou um buraco,
enterrou.
O tempo perdido
apenas passou.
No mundo, iludido,
apenas pousou.
Aeronave incerta
de passos marcados
e porta aberta
aos convidados.
A vida, a festa,
a bebida e o jogo;
a febre, a testa,
a água e o fogo.
O poder e a glória,
a corrupção e a fama;
o amor, a história,
a briga na grama.
A coragem, o peito,
a chuva, a lama.
O traço mal feito
e a quebra da cama.
O princípio, o meio,
continuar o início
do vício tão feio -
agitar o comício.
De tanto ir ao mar,
enjoou.
De ir e voltar…
Encalhou.
[Adhemar - São Paulo, 13/12/2004]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Érica — terça-feira, 5 de agosto de 2008 (09:42:26)
Bom dia! (ou boa tarde ou noite)
como sempre o sr. Adh2 me fazendo refletir sobre algo, mesmo que sorrateiramente…
“Paixões volúveis,
desistências, conquistas.
Umas tantas, solúveis,
outras muitas, mal vistas.”
abraços