terça-feira, 2 de setembro de 2014

VISÃO, VISÕES

Olhos negros flutuando na bruma,
olhos negros flutuando no espaço.
Olhar perdido achando seu laço,
olhar penetrante, enevoada espuma.
Escuridão e chuva atravessando o universo.
Estrelas brilhando, caindo cadentes.
Amplitude e tempo em trajetos ardentes,
clarões ofuscantes, atalho diverso.
Olhar concentrado, olhos atentos.
Brilho fulgurante, certeiro e direto.
Como figurantes num drama completo,
astros e cometas, furacões e ventos.
A bruma se dissipando, o olhar descendo
à terra, ao chão, à realidade.
Olhos espantados pela claridade,
coisas inacreditáveis, mesmo vendo.
Terra arrasada, vegetação sêca e morta.
Olhos molhados, mareados, pasmos.
Vagam formas disformes, sombras de fantasmas;
olhar para o outro lado e fechar a porta.
Quando concentrados, os olhos vêem a verdade.
Estavam olhando em curva, de si mesmos dentro.
E o coração, ponto de fuga e centro,
sempre renascendo em plena majestade.
Os olhos adoçados, já recuperados,
vão alçando vôo, firme e ascendente.
A vista da altura é bem diferente,
traduz a inversão dos campos desolados.
Passaram a ter mais cores,
das lágrimas dos olhos, irrigados.
A visão traduz novos horizontes vislumbrados,
iridiscentes, iluminados, confortáveis, indolores.
E o olhar retorna ao espaço, alado.
A bruma transformada em nuvens
que com toda a sua calma nutrem
esse coração do olhar apaixonado.
[Adhemar - S. Paulo, 01/02/2000]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por isa — sábado, 17 de maio de 2008 (09:06:01)
Gosto muito da sua maneira de expressar sentimentos, emoções, vivências em forma de verso e prosa…Obrigada pelas palavras, pelas visitas e pelos teus belos escritos…
Um lindo fim de semana… bjs
Isa