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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

OLHAR

Do mais alto é que se vê 
os reflexos do sol
sobre os telhados
sobre as árvores
sobre todas as coisas

Do mais alto é que se vê 
o longínquo
os indivíduos de cada espécie
os inauditos, os inaudíveis
os inéditos

Do mais alto é que se vê
quão pequeno se é
o luar, as estrelas
a música, a brisa
o amor e a mulher

Do mais alto é que se vê
o quão pouco se subiu
como se está longe de Deus
as nuvens tão brancas
o céu tão azul...

Do mais alto é que se vê 
o quanto se é insensível
como a felicidade é vadia
o trânsito congestionado
a barriga vazia

Do mais alto é que se vê 
a cabeça ôca
a alegria solta
a pipa rôta
e a ideia louca...

Do mais alto é que se vê 
o tamanho do coração
a distância do horizonte
as areias, o mar
o pescador, o navio...

Do mais alto é que se grita
Ah! como a vida é bonita
dádiva bendita
que a gente nem acredita
começa e acaba escrita!


[Adhemar - São Paulo, 20/02/2001]

terça-feira, 28 de outubro de 2014

CRENÇA

Falsidade, autenticidade.
Conceitos próximos.
Dependentes da fé,
ser ou não ser,
maioridade moral.

Haveres, poderes,
muita informação.
Confusas ideias
quanto mais claras são.

Convicções oportunistas,
profissões desempregadas de fé.
A energia do mito,
as caminhadas a pé.

Sair dos medos
e das falsas alegorias.
Salvar-se triunfalmente
nas metas traçadas, nas alegrias...


P/ NBS
[Adhemar - São Paulo, 28/01/2014]

domingo, 26 de outubro de 2014

INVERSÃO DE ÂNIMO

No pacato caos da manhã fria
na escuridão da alma revoltada
na beleza de uma repentina revoada
uma súbita e inesperada alegria

Uma volta e a fé vem renovada
na certeza de uma alma cristalina
aprendendo a escutar de quem ensina
o encanto d'alegria inesperada

O milagre de Deus chegou co'a oração
aliviando as penas já passadas
demonstrando pro futuro boas jornadas
com otimismo e muita fé no coração...

[Adhemar - São Paulo, 26/05/2006]

domingo, 19 de outubro de 2014

AVALANCHE

Da cabeça vão brotando pensamentos
numa profusão assustadora;
no coração, amontoados sentimentos
que a razão não organiza nem perdôa.

Dos pensamentos vai brotando confusão,
a situação vai ficando esquisita;
os sentimentos inflamados - rebelião - 
são encarcerados sem direito a visita.

A confusão, por sua vez, dobra as esquinas
e a esquisitice se espalha na cidade.
Revolução que ganha o mundo, se multiplica,
libertando sentimentos, confundindo a verdade...

Das esquinas vão brotando pensamentos
numa confusão encantadora.
O motim inunda o mundo - sentimentos -
numa inspiração libertadora...


[Adhemar - São Paulo, 13/07/2008]

terça-feira, 14 de outubro de 2014

VALIDADE

Palavras duras, versos quebrados,
braços cruzados, descompostura.
Cinzas esfumaçadas, ainda quentes,
letras doentes, amontoadas.

Sentidos sempre invertidos, desconfiados,
descontrolados mas divertidos.
Letras corridas, descabeladas,
atrapalhadas, esbaforidas...

Palavras quentes, amontoadas,
afobadas, cinzas, doentes;
remediadas pelos abraços
das letras dos passos crentes.

Pisada mansa, fala contida,
dolorida, ainda criança.
Repouso tenso, extenuado,
deixando encharcado lenço.

Folha virada, assunto extenso,
trabalho intenso, linda alvorada.
sol no horizonte, espionando
a madrugada nova de ontem.

Folha virando, noite estrelada,
inaugurada no céu marinho;
muito devagarinho, escura e rara,
errada logo de cara, descontrolada.

Sonhos escuros, versos dobrados
e detalhados, malditos, impuros.
Sentidos desconfiados, belas palavras,
atordoadas, cabelos arrepiados...

Palavras livres em versos amordaçados.


[Adhemar - Santo André, 16/09/2014]