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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

OLHAR

Do mais alto é que se vê 
os reflexos do sol
sobre os telhados
sobre as árvores
sobre todas as coisas

Do mais alto é que se vê 
o longínquo
os indivíduos de cada espécie
os inauditos, os inaudíveis
os inéditos

Do mais alto é que se vê
quão pequeno se é
o luar, as estrelas
a música, a brisa
o amor e a mulher

Do mais alto é que se vê
o quão pouco se subiu
como se está longe de Deus
as nuvens tão brancas
o céu tão azul...

Do mais alto é que se vê 
o quanto se é insensível
como a felicidade é vadia
o trânsito congestionado
a barriga vazia

Do mais alto é que se vê 
a cabeça ôca
a alegria solta
a pipa rôta
e a ideia louca...

Do mais alto é que se vê 
o tamanho do coração
a distância do horizonte
as areias, o mar
o pescador, o navio...

Do mais alto é que se grita
Ah! como a vida é bonita
dádiva bendita
que a gente nem acredita
começa e acaba escrita!


[Adhemar - São Paulo, 20/02/2001]

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