Do mais alto é que se vê
os reflexos do sol
sobre os telhados
sobre as árvores
sobre todas as coisas
Do mais alto é que se vê
o longínquo
os indivíduos de cada espécie
os inauditos, os inaudíveis
os inéditos
Do mais alto é que se vê
quão pequeno se é
o luar, as estrelas
a música, a brisa
o amor e a mulher
Do mais alto é que se vê
o quão pouco se subiu
como se está longe de Deus
as nuvens tão brancas
o céu tão azul...
Do mais alto é que se vê
o quanto se é insensível
como a felicidade é vadia
o trânsito congestionado
a barriga vazia
Do mais alto é que se vê
a cabeça ôca
a alegria solta
a pipa rôta
e a ideia louca...
Do mais alto é que se vê
o tamanho do coração
a distância do horizonte
as areias, o mar
o pescador, o navio...
Do mais alto é que se grita
Ah! como a vida é bonita
dádiva bendita
que a gente nem acredita
começa e acaba escrita!
[Adhemar - São Paulo, 20/02/2001]
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