terça-feira, 30 de dezembro de 2014

SERÁ

Plano elaborado.
Uma fuga.
Território desconhecido.
Soluço desconsolado.

O preço da liberdade,
não pago,
nunca antes cobrado.

Na rota,
um pântano.
Tanto anseio sedento.
Por espaço.
Por abertura.
E acabar afogado.

Preso ao ar livre.
Amarrado,
na própria ânsia da liberdade,
da essência,
da fidelidade a princípios sagrados...


[Adhemar - São Paulo, 22/12/2009]


SERÁ?

Desejamos a todos muitos planos elaborados e realizados neste 2015 que se aproxima; sem abrir mão de princípios sagrados para si mesmos. Que cada um saiba responder aos desafios que a vida impuser e possa, plenamente, encontrar o que busca.
Paz, saúde e felicidades.

Grande abraço,

Adhemar.

domingo, 28 de dezembro de 2014

REFERÊNCIAS

          O camarada era uma dessas raras pessoas. Coração atento, generosidade inata. Um dia desses, topou com um mendigo; o cara estava no chão, agonizando, sujo, maltrapilho e faminto. Nosso herói nem piscou: ajudou o mendigo a se levantar, o amparou e caminhou com ele para sua própria casa. Preparou-lhe um banho que o ajudou a tomar, preparou-lhe uma refeição que o ajudou a comer. Deu-lhe roupas limpas e o pôs para descansar pensando qua amanhã é um dia mais do que legal pra nascer.

        E nasceu. Nosso herói fez um lauto café, cheio de coisas para se comer. O mendigo aceitou e, bem barbeado, comeu. Comeu com gosto, com o atraso que trazia lá dentro...

         Finalmente, puseram-se a conversar; nosso herói querendo saber o que outro sabia fazer e se lhe interessava trabalhar. O mendigo, bem sério, suspirou e indagou se o seu benfeitor tinha alguma referência para apresentar, antes de lhe responder... Afinal das contas, sabe como é...!


[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]

sábado, 27 de dezembro de 2014

CONTO UM

          Vá você se fiar numa promessa! Ficar confiante, interessado, certo que o desenlace do negócio confiável, fio de bigode e papel assinado será aquele que você espera pela crença criada na lisura da outra parte. Pois sim! E os planos frustrados?! A dor aguda, intensa, o sofrimento pela decepção, pela angústia do prejuízo, do descumprimento de suas próprias obrigações com terceiros, decorrentes da quebra do compromisso que assumiram com você! Ô bosta! E o desfiar interminável de desculpas esfarrapadas - isso quando resolvem falar com você ao invés de sumir de vez - como é praxe! E aí está você, que não foge de compromisso nenhum, sem um puto no bolso e cheio de explicações inexplicáveis a dar para aqueles que estão furiosos com você. Mas, de repente, tudo se ajeita. Você dá um jeito, se empenha, se vira, cumpre sua parte sem que pudesse, mas ameniza o mau humor dos seus críticos que não querem saber se você foi passado pra trás e que apenas vão falar menos mal de você.

          Finalmente, você respira. Todo ferrado, mas com a sensação inigualável de ter mantido em pé sua palavra, seus compromissos, sua dignidade. Até atrair - pela sua postura correta, direita mesmo - outro negócio fantástico onde os interlocutores vão demonstrar sobejamente um autêntico agrado e confiança no seu trabalho, na sua atitude, em você; e você, sorrindo feliz com seu ar de idiota útil, caminha macio no rumo de uma nova arapuca...


[Adhemar - Santo André, 11/12/2008]

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

TRAÇOSPONTOS (*)

Soltam-se dos mapas uns trajetos,
vão e voltam, céleres trejeitos
de pouco espaço, passos incertos
em programas tortos, por direito.

Soltam-se das malas intenções.
Inventam-se escalas por decreto.
Em pouco tempo, destino certo,
acalenta o vento, os corações...

Vão as mochilas, cheias de afeto,
por lugares e coisas indiretas
onde o sonho fica bem concreto,
em programas tortos, linhas retas.

Soltam-se dos olhos emoções,
abrigadas por divinas bençãos
de um destino que não se tem nas mãos,
enquanto Deus escreve certo em orações.

Solta-se dos braços um adeus;
solta-se dos braços um abraço
todo inteiro, pedaço por pedaço,
democrático para crentes e ateus.

Solta-se do riso um palhaço,
raios e trovões num impropério,
estampa e cores num espalhafato.
Saltam segredos da caixa do mistério.

Prende-se o juiz, agora o jogo ficou sério.
Soltam-se faíscas das pedras do aprendiz.
Saltam os pontos e traços do desenho,
acaba o jogo, o resultado é ser feliz...


[Adhemar - São Paulo, 27/03/2014]

(*) Assim mesmo, tudo junto...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DIZ TANTO

Tanta cor, tanta água
tanto seja lá como for
Tanto mar, tanto amor
tanta saída e entrada

Tanto giro, tonta dor
tanta loucura pronta
Tentação, tanta afronta
tanto ar voador

Tanto faz, tentador
tentativa e acerto
Tanta vida por perto...

Todavia, tanto amor
tanto amar por decerto
finalmente desperto...


[Adhemar - Santo André, 16/09/2014]

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ROMARIAS

O amor, ah! O amor,
de que tanto se fala...
Gostar daquela mala sem alça,
xingar, apostrofar
e chamá-la ou chamá-lo de volta...

O amor...
Sua alma descalça,
a fé, a crença e a dor.

Amor, oh! Amor,
felicidade bendita,
norma de conduta não escrita,
coração, fidelidade...

Amor, palavra tão curta,
tão breve e profunda;
mesmo sussurrada se escuta
e o espírito de lágrimas se inunda...

Amor, amor, amor.
Na doçura e na doença,
na mágoa e na desavença,
na ventura e no calor.

Amor é o apelido da amada,
do amado, querido e querida.
Amar traz a alma enlevada
pois amar é a própria vida!


[Adhemar - São Paulo, 16/07/2008]

domingo, 14 de dezembro de 2014

INTERPRETAÇÃO REDUZIDA

Força ao pensamento.
Não parece muito tempo.
Diferente número bastante.
Soltas amarras, velas ao vento.
Salvas ao navegante.

Atitude exótica.
Heroísmo de encomenda.
Soltas amarras, vamos nós à parte prática,
destrambelhada e neurótica
dos movimentos à venda.

Firmar-se no presente,
pés plantados no convés.
Soltas amarras e dilemas importantes,
mudando rumos
nessa existência incoerente...


[Adhemar - São Paulo, 13/10/2011]

sábado, 13 de dezembro de 2014

REVALIDAR

Tentativa de "nascídio"
sair do ovo
parar ao sol

Movimento pouco
absorção de energias
pra depois vivenciar
pra depois sobrevivências
pra depois saber sorrir
pra saber viver

Parar ao sol
olhar azuis verdes azuis

Abrir os braços em cruz
Pensar
Viajar
Observar
Andar
Estudar 
Fazer

Todos os dias,
infinitamente,
renascer

Se não houver sol
ficar sob o cinzento
sob o chover
aproveitar o vento
respirar
aproveitar a força desse temporal

Beber
Aprender
Todos os dias, 
infinitamente,
até outra vez nascer...


[Adhemar - Santo André, 31/07/2014]