sábado, 27 de dezembro de 2014

CONTO UM

          Vá você se fiar numa promessa! Ficar confiante, interessado, certo que o desenlace do negócio confiável, fio de bigode e papel assinado será aquele que você espera pela crença criada na lisura da outra parte. Pois sim! E os planos frustrados?! A dor aguda, intensa, o sofrimento pela decepção, pela angústia do prejuízo, do descumprimento de suas próprias obrigações com terceiros, decorrentes da quebra do compromisso que assumiram com você! Ô bosta! E o desfiar interminável de desculpas esfarrapadas - isso quando resolvem falar com você ao invés de sumir de vez - como é praxe! E aí está você, que não foge de compromisso nenhum, sem um puto no bolso e cheio de explicações inexplicáveis a dar para aqueles que estão furiosos com você. Mas, de repente, tudo se ajeita. Você dá um jeito, se empenha, se vira, cumpre sua parte sem que pudesse, mas ameniza o mau humor dos seus críticos que não querem saber se você foi passado pra trás e que apenas vão falar menos mal de você.

          Finalmente, você respira. Todo ferrado, mas com a sensação inigualável de ter mantido em pé sua palavra, seus compromissos, sua dignidade. Até atrair - pela sua postura correta, direita mesmo - outro negócio fantástico onde os interlocutores vão demonstrar sobejamente um autêntico agrado e confiança no seu trabalho, na sua atitude, em você; e você, sorrindo feliz com seu ar de idiota útil, caminha macio no rumo de uma nova arapuca...


[Adhemar - Santo André, 11/12/2008]

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