Um mergulho.
Um amplo silêncio inerte,
ondas concêntricas
bem no meio do barulho.
rufar de asas, zumbindo.
Sensação desperta por um olho,
por um toque,
por um ruído.
O que não se vê não combinando
com o que se tem ouvido.
O frio.
O vento abraçando o corpo nu.
Cabelos balançando, doce flerte,
na inebriante onda de perfume.
Uma náusea,
um arrepio,
o desmaio inevitável, delirante.
Uma febre, o contraste,
o tremor, o encolhimento
e o torpor paralisante.
Um vôo.
Um vôo é quase um desafio.
Um mergulho para cima, para o alto,
o cortar a nuvem num trejeito azul,
um planar macio...
O limite entre boiar no ar
e a queda,
sempre por um fio.
Dominar do alto com um olhar,
o infinito, o vazio...
Universo.
Uma poesia contínua,
"uni-verso".
O espaço sideral
num pedaço de papel.
O céu, um pontilhado de estrelas;
e ao poeta cabe tê-las,
todas,
na mão de sua alma,
na palma do seu coração...
[Adhemar - São Paulo, 13/07/2010]
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