segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

COLUNAS

Um mergulho.
Um amplo silêncio inerte,
ondas concêntricas
bem no meio do barulho.
rufar de asas, zumbindo.
Sensação desperta por um olho,
por um toque,
por um ruído.
O que não se vê não combinando
com o que se tem ouvido.

O frio.
O vento abraçando o corpo nu.
Cabelos balançando, doce flerte,
na inebriante onda de perfume.
Uma náusea, 
um arrepio,
o desmaio inevitável, delirante. 
Uma febre, o contraste,
o tremor, o encolhimento
e o torpor paralisante.

Um vôo.
Um vôo é quase um desafio.
Um mergulho para cima, para o alto,
o cortar a nuvem num trejeito azul,
um planar macio...
O limite entre boiar no ar
e a queda,
sempre por um fio.
Dominar do alto com um olhar,
o infinito, o vazio...

Universo.
Uma poesia contínua,
"uni-verso".
O espaço sideral
num pedaço de papel.
O céu, um pontilhado de estrelas;
e ao poeta cabe tê-las,
todas,
na mão de sua alma,
na palma do seu coração...


[Adhemar - São Paulo, 13/07/2010]

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