terça-feira, 31 de março de 2015

ATRÁS

Lembrei de um segredo
a tempos guardado
Você não tem  medo
eu me resguardo

O segredo nos salva
mas é um segredo
Eu vendo a alma
prefiro o degredo

Não conto, não falo
não dou, não entrego
Nem ao maior abalo
questionado, eu nego

Não vá perguntar
não queira saber
Não queira forçar:
meu segredo é você...


[Adhemar - São Paulo, 12/08/1987]

domingo, 22 de março de 2015

"DISJUNÇÃO"

Manifestações incríveis
imagens multicoloridas
pinturas impossíveis
impressões divididas

Imaginação criativa
cenários indescritíveis
palavra reativa
vários níveis

Então assim
indefinidos previsíveis
até que enfim
visões audíveis...


[Adhemar - São Paulo, 02/03/2010]

sexta-feira, 20 de março de 2015

FLOR

Flor
Nascida da vontade concentrada de viver
Brotada na límpida sinceridade
de um gesto maternal
Surgida como inevitável
criação do gênio natural

Flor
Incontida delicadeza compartilhada
Linda contra o pano azul do céu
Personificada pela força interior
Puro coração de natureza emocional

Flor
Humana manifestação de criatura tão sensível
Sentimento essencial
feito pétalas e perfume
de uma forma tão sublime e tão perfeita
Alma nascida e tornada imortal

Flor
Humilde imagem simplificada
Espontânea ilusão numa ótica ofuscante
pela brilhante clareza da mensagem
Amor nascido da semente do afeto principal...


P/ ECB
[Adhemar - São Paulo, 30/08/1988]

quinta-feira, 19 de março de 2015

OCUPAÇÕES

Intensas atividades.
Excessivo trabalho.
Sonhos, ideias e planos
preenchendo o calendário.

Agenda lotada.
Infindáveis compromissos.
Nenhuma brecha de tempo
nem descansos explícitos.

Perdido nessa luta incessante
sem atraso nas horas marcadas,
vivendo mecanicamente
emoções mascaradas...

O espaço é importante
porque nele cabe um abraço...


[Adhemar - São Paulo, 28/09/2010]

domingo, 15 de março de 2015

UM MAIS UM, UM

Cruzamento.
Nenhum sinal, nenhuma dica.
As nuvens no horizonte anunciam chuva.
No coração, 
apenas um desejo intenso de seguir
cada vez mais incrustado
nessa realidade louca e vazia;
vou despindo cada sonho
como quem perde um ente querido.
Austero e grave,
começo a corromper um entusiasmado idealismo
para ingressar na multidão amorfa e triste.
Pouco a pouco
vou percebendo o perigoso cruzamento.
Na verdade,
são mais restritas as alternativas.
Me aproximo da difícil decisão
entre ser um
ou ser mais um.


[Adhemar - São Paulo, 25/10/1988]

domingo, 8 de março de 2015

ZU

Já não se faz "mais" como antigamente.
Amor com amor se agride.
Depois do tropeço, bala pra frente??
Pra trás é que se progride.

Sacuda a poeira, de tempos em tempo.
Quem sai na chuva não se resfria.
Devagar se vai muito lento.
Quem tem boca, assobia...

Quem canta aos ouvidos espanca.
O mundo é dos vaidosos.
O trabalho enobrece a conta;
pobres, honestos e corajosos.

Ontem vai ser outro dia,
pra lembrar ou esquecer.
Comer, na marmita fria,
mais um dia que vai nascer.

Vingança é um prato que se evita.
A noite, então, já cresceu.
O mundo dá volta bonita.
Quem mais se lembra, esqueceu.

Quem corre sempre se cansa,
com fome, suor, honradez.
Quem confia sempre se espanta;
nunca chega a sua vez.

O céu será sempre da nuvem
que aparece só quando quer.
O que vai na cabeça de homem
é carro, futebol e mulher.

A vida é mesmo divino dom,
organizada ou ao léu.
Ela é pernas, charme e batom;
e a gente tira o chapéu...


[Adhemar - São Paulo, 16/06/2014]

sexta-feira, 6 de março de 2015

SILÊNCIO DE ADEUS DO BRAVO

Um profundo e mudo momento.
Nenhum aceno,
Olhar triste, acabrunhado,
mas sereno.

De lágrimas esse olhar vai toldado,
soldado marchando na chuva,
manchado...

É uma retirada,
passos marcados, respingos.
Todos calados;
homem, coração, pensamentos.
Todos molhados.
Bagagem, emoção e momentos.

Um vácuo no meio do mundo.
No mundo do mudo tormento.
Nenhum gesto, nenhum sorriso.
Nenhuma razão pra falar.

Um vácuo, uma dor lancinante.
Nenhum lamento,
nem mesmo sequer um gemido.


[Adhemar - São Paulo, 13/07/2010]