Cruzamento.
Nenhum sinal, nenhuma dica.
As nuvens no horizonte anunciam chuva.
No coração,
apenas um desejo intenso de seguir
cada vez mais incrustado
nessa realidade louca e vazia;
vou despindo cada sonho
como quem perde um ente querido.
Austero e grave,
começo a corromper um entusiasmado idealismo
para ingressar na multidão amorfa e triste.
Pouco a pouco
vou percebendo o perigoso cruzamento.
Na verdade,
são mais restritas as alternativas.
Me aproximo da difícil decisão
entre ser um
ou ser mais um.
[Adhemar - São Paulo, 25/10/1988]
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