sexta-feira, 29 de maio de 2015

IR

Sinto-me só, às vezes, e fraco
para enfrentar essa solidão.
Por outro lado fico preso
em meus próprios tentáculos,
sorvendo minha própria energia
que gera outra energia
que torno a sor­ver
que torna a gerar
e a sor­ver e a gerar e a sorver...

Falta aquela vontade indomável
que, sempre prometo,
um dia vou ter.
Às vezes me assusta a grandeza do mundo
e sempre me enoja a sua pequenez.
Sinto-me preso, oprimido,
transpirando um suor quente.
Um inferno insuportá­vel,
crescendo e diminuindo a cada instante,
quero gritar.

Aí,
o grito sufocado suplica:
- cala-te e deixa passar...



[Adhemar  - São Paulo, 27/02/1984]

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