Pouco tempo, pouco espaço.
Uma amplitude sem jeito
em sua altura pouca de salto.
Vai de lado um "no entanto";
aquele detalhe de graça.
Nada custa, nada volta,
desce num pulo de mola.
Um óbolo acelerado,
um lançamento descalço.
Foi avante, foi em frente,
etiquetando produto;
espalhando cartazes,
respeitando seu luto.
De volta ao pouco espaço,
encerra a modesta campanha
numa taça espumante...
[Adhemar - São Paulo, 18/07/2011]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
sábado, 25 de julho de 2015
TRATO
O espaço compadecido
tumefacto, apodrecido,
aparecido do impacto,
compacto, amanhecido.
Um compasso conhecido,
compadre de um amigo,
contigo é parecido,
parede feita de trigo.
Trigueiramente ferida,
uma vizinha tranquila;
trancada, pobre avezinha,
não voa efetiva, perdida;
a pedra do rio é sozinha...
[Adhemar - São Paulo, 31/05/2011]
domingo, 19 de julho de 2015
SOLIDÃO
Calor,
efeito da lentidão feita de calma.
Fome,
feita da falta de um olhar.
Olhar,
feito da lente que em silêncio nem se nota.
Ninguém viu nem avisou
que o navio se aproxima;
e na água vem por cima
do recado que chegou.
Movimento,
que parece, não balança
no deslocamento em que se lança.
Avançando,
se perdendo por aí
dentro e fora de si...
Tudo tão nítido que de vago não tem nada;
ainda rola nessa estrada
e depois para na estação.
Tanta gente o aguarda,
tão sem graça,
tão sem chão.
Enquanto isso um quadro passa,
dá um adeus,
um tchau co'a mão...
[Adhemar - São Paulo, 18/07/2011]
efeito da lentidão feita de calma.
Fome,
feita da falta de um olhar.
Olhar,
feito da lente que em silêncio nem se nota.
Ninguém viu nem avisou
que o navio se aproxima;
e na água vem por cima
do recado que chegou.
Movimento,
que parece, não balança
no deslocamento em que se lança.
Avançando,
se perdendo por aí
dentro e fora de si...
Tudo tão nítido que de vago não tem nada;
ainda rola nessa estrada
e depois para na estação.
Tanta gente o aguarda,
tão sem graça,
tão sem chão.
Enquanto isso um quadro passa,
dá um adeus,
um tchau co'a mão...
[Adhemar - São Paulo, 18/07/2011]
sábado, 11 de julho de 2015
OLVIDO
Esqueci de pensar em tantas coisas...
No entanto, tua voz constantemente
de mansinho nos meus ouvidos avisa
quase num sopro, saudade, docemente.
Aqui me ajeito, viro a folha da poesia,
penso no mar, meu amigo e elemento.
A saudade constante é u'a maneira
ao mesmo tempo que é um alimento.
Um reflexo no mar, do sol poente
se transformando numa imagem linda.
E apesar de tanto tempo ausente,
ela explica o grande amor, ainda.
O brilho do mar é o dos teus dôces olhos;
reflexo do poente é a luz que eles emitem.
A luz que eles emitem crava-se em meu peito;
com carinho guardo feito mil tesouros
que bem aqui dentro a brilhar insistem.
Mas... Uma tristeza estranha e tão sem jeito
vem calar as vozes que do coração me vêm;
acorde adormecido num mortal silêncio...
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 15/09/1987]
quarta-feira, 1 de julho de 2015
SAÍDAS
Ela nem se despediu.
Não cumprimentou, falou nada.
Levantou e saiu.
Por quais portas abertas,
onde há um caminho em cada,
apesar das rotas incertas.
Ela nem sabe aonde vai,
ou o por quê, ou o roteiro;
se fica em pé, ou se cai.
Sem saber quais trilhas seguir,
pavimentadas inteiro,
indicações hão de vir...?
Ela desapareceu...
Inspiração, sua ingrata!
Me abandonou e morreu...
[Adhemar - Santo André, 26/09/2013]
Não cumprimentou, falou nada.
Levantou e saiu.
Por quais portas abertas,
onde há um caminho em cada,
apesar das rotas incertas.
Ela nem sabe aonde vai,
ou o por quê, ou o roteiro;
se fica em pé, ou se cai.
Sem saber quais trilhas seguir,
pavimentadas inteiro,
indicações hão de vir...?
Ela desapareceu...
Inspiração, sua ingrata!
Me abandonou e morreu...
[Adhemar - Santo André, 26/09/2013]
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