domingo, 30 de agosto de 2015

META

Me acostumei a andar no escuro
com as mãos estendidas pra frente.
Hoje, 
quase não preciso olhar por onde estou andando.
E quase não olho;
e quase não ando.

Me criei mesmo ao acaso,
andando no escuro sem medo de nada.
Temia a mim mesmo,
não olhando por onde caminhava.
Há muito tempo,
descontente com tudo.

Busquei sempre um rumo.
Nítido e real nas ideias,
doloroso no mundo.
Me tornei poeta, vagabundo, obscuro,
entristecido e sozinho,
fora do prumo.

Chorei tão quietinho
mas continuo a procura.
Saio de mim mesmo,
alegria, aventura.
Tento achar a metade perdida no tempo.
Escondida ela está, 
no tempo futuro.



[Adhemar - São Paulo, 30/08/1988]

domingo, 23 de agosto de 2015

PENSÃO

Recomeçar.
De um curto-circuito nas emoções,
recomeçar.
Erguer a poeira do caminho,
recomeçar ainda e sempre.
Não é necessário esquecer,
basta guardar.

A cada novo golpe de ar,
recomeçar,
agasalhando-se da friagem;
friagem do amor inacessível.
O sentimento,
qual um afluente que deságua no coração;
tem que vir mais devagar.
Flutuando em seu meio,
a correnteza da paixão,
há que esfriar.
Esfriar para não morrer.
Recomeçar,
no decorrer da história desse coração.

Recomeçar.
No melhor lugar de sua memória,
permanecer...


P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 19/09/1987]

terça-feira, 11 de agosto de 2015

PARÂMETROS

Essências concentradas
Fatos pontiagudos
Fatores descansados
Ouvidores surdos

Renascença morta
Mercadores parcos
Cavalgando barcos
Reles importa

Atléticos Américas
Rocha esfarelando
Covardes enfrentando
Machões maricas

Nuvem dissipada
Temporal contido
Ousado tímido
Mata descampada

Adeus chegando
Vindo e despedindo
Infinito findo
Véu rasgando...


[Adhemar - São Paulo, 12/08/2014]

domingo, 2 de agosto de 2015

MÁRMORE

Delírios e vertigens
emoções flutuantes
etéreas viagens
coloridos fascinantes

Equilíbrio e tontura
realidade e sonho
fusão alva-escura
de humor risonho

Movimento que cessa
sonoridade que acalma
emoções sem pressa
impressas na alma

Vertigens e delírios
vestígios e miragens
admiráveis martírios
admiráveis visagens

Posição recomposta
da paisagem sumida
sem nenhuma amostra
da ideia desaparecida...

Imaginação apagada,
alma adormecida...


[Adhemar - São Paulo, 31/08/2012]