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domingo, 18 de outubro de 2015

TROMBADA

          Muito cedo a gente estabelece uma "auto-norma" de comportamento. Com maior ou menor rigor, segue o próprio roteiro por anos a fio. Ora incorpora novos modos e conceitos, às vezes experimenta alguma mudança. Mas o essencial está lá. Serve de apoio para tudo o que gente faz e pensa. Inclusive, a gente se acostuma e se acomoda, elaborando justificativas ultra-criativas para defender nossos enraizados pontos de vista.

          Ah! Mas a vida é muito dinâmica; nos faz cruzar com gente muito legal e com outras ideias. Coloca obstáculos que a gente achava que não ia enfrentar e apresenta surpresas - boas e más - nas quais a gente não queria pensar. E nessa dinâmica somos obrigados a mudar profundamente uns conceitos, dogmas, certezas - sei lá! - que estavam solidamente arraigados na gente. Somos forçados a atitudes que não gostaríamos, mas que são inevitáveis. Não estou falando de ceder em princípios não; mas a fazer coisas que, por preguiça, comodismo ou semvergonhice a gente nunca fazia. Coisas que nada mais são do que cuidar da gente mesmo: pra nós, até ontem, algo totalmente supérfluo!

          Enfim, chegou a minha vez...


[Adhemar - Santo André, 13/05/2008]

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

STARDUST

          Finalmente, depois de um tempo, vou rever minha prostituta predileta. Meus caminhos, sempre variados, vão fazer com que eu passe por ela.

          Alta, forte e bem fornida, coxas grossas, quadril largo e largo sorriso. Sempre com trajes provocantes, atrevidos e rasgados; olhar sarcástico, irônico e chamativo.

         Passo por ela como passei tantas vezes antes, trocando olhares e sorrisos significativos. É o único ponto de tangência entre nossos mundos e que jamais vai passar disso. Vou de seguida; ela vai ficando mais distante até um futuro incerto quando, e sabe-se lá quando, estaremos partilhando a mesma esquina - ela parada e eu passando - num desses tantos caminhos tontos por onde eu ando.


[Adhemar - São Paulo, 10/10/2012]

domingo, 4 de outubro de 2015

ENTRADAS

Portas especulares
cara batida no espelho
afobação.
Labirinto infinito
sem teto
sem chão.

Caminhos marcados
sinais trocados de mão.
Força nas decisões
amarelo nos avisos.

A luz vermelha adverte
tetos aos aviões.
Portas trancadas por dentro
peitos trancados nos corações.

Corrida
cabelos esvoaçantes ao vento
esperança
lições.
Entrada permitida somente
daqui a pouco vão fechar os portões.


[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]