quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

HIGHLIGHTS

Vinte e cinco mil razões
sóis apagados
noites iluminadas

Vinte e cinco mil aproximações
buscas profundas
arrependimentos rasgados

Vinte e cinco mil aleatórios
poderiam ser mais

Enxadas e picaretas
buracos escavados
pás, pedras e água
buracos fechados

Cama, fama e disposição
vinte e cinco mil vezes depois

Palco, ribalta, picadeiro
vinte e cinco mil representações
luzes, câmera, ação
consciência e travesseiro

Duro mesmo são as prestações
o trapézio sem a rede
sem mistério...

Vida nua, crua
vinte e cinco mil mortes
cemitério

Andamento burocrático
documentações
avalanche de papéis envergonhados

Vinte e cinco mil aspirações
legítimas, sinceras

Vinte e cinco mil luzes de led
vinte e cinco mil piscadas
vinte e cinco mil guardadas proporções

Olhos acesos
horizonte alinhado
noite escura

Vinte e cinco mil assombrações...


[Adhemar - São Paulo, 15/06/2014]

FELIZ DOIS MIL E DEZESSEIS, VINTE E CINCO MIL REALIZAÇÕES PRA VOCÊS!

domingo, 27 de dezembro de 2015

CLARIDADE ABSOLUTA

          A luz veio entrando. Primeiro por uma fresta, entreaberta porta, a luz num filete fino.

          Dois olhos espreitam desde dentro, na parte escura. A fresta se amplia. A pequena faixa de luz aumenta. Um aumento gradativo, arrepiante, emoção suspensa na agonia da surpresa.

          Mais um pouco e pouco a pouco a luz misteriosa e quente vai ampliando seu domínio no reino escuro dos dois olhos "expectantes"... Vibram com a possibilidade de uma nova visão; pois nesse quarto úmido, escuro e sem janela, algo vai acontecer.

          Retinas atentas, cristalino brilhante.

          Dir-se-á que a porta já tem mais de metade aberta; a atrevida luz quase toca o limiar da amplitude do olhar interno e intenso.

         De repente, a porta escancarada. A luz entra de chofre e ofusca o olhar tão ansioso. Pregados os ombros na parede, os olhos piscam fortemente para acostumarem com a nova condição: luz e ar vindo de fora, o sol brilhante iluminando a brisa da manhã.

          A luz dourada, após o impacto, começa a tomar forma delineando uma visão. Raios da aurora desenhando uma sombra - vulto escuro - que mal se vê e que irradia tanta claridade...

          Fecham-se os olhos e o homem passa a enxergar com o coração. De repente, a forma se define: é uma Rainha descendo de um altar, em oração. Formas difusas num vestido alaranjado, espáduas nuas e um sorriso, um olhar; são olhos lindos, reflexos obtidos na superfície do mar.

          Estrela-do-mar, no centro da luz que invadiu o cárcere privado de um cativo da emoção...

          Rainha coroada, território ateu. Rainha abençoada, alcança os teus súditos fiéis e apaixonados...


P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 08/12/1988]

domingo, 13 de dezembro de 2015

ALGURES

A vista se perde numa visão irreal.
Um sonho aparente,
um simples vitral
colorido, atraente...

A vida se prende num vago ideal;
um movimento incessante,
pimenta e sal,
açoite constante...

A virtude se compromete num fato real.
Tão perto, ao alcance,
incerto, relance,
desenlace imortal...


[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]


sábado, 12 de dezembro de 2015

LAGAMAR

Águas navegadas,
Portugais.
Ondas ensimesmadas,
algas mais.
Praias onduladas,
oceanos colossais.
Brasis à vista,
outras plagas,
relações coloniais.

Ostras entusiasmadas,
colares cordiais.
Frutos do mar,
prendas lavadas...

Castelos medievais,
ocas, paliçadas...
Pontes levadiças,
passagens a vau.
Chamas em velas quebradiças,
luz de estrelas.
Velhas terras,
tardes mortiças,
terras desbravadas,
feitos imortais.
Vida renovada,
culturas ancestrais.

Ligações etéreas
ou eternas
Aprendiz de ofício,
mestres insuperáveis;
súditos tradicionais,
pupilos miseráveis...
Tanta história nas conquistas,
tanta galhardia
no povo do "terra à vista"!

[Adhemar - São Paulo, 17/09/2015]