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sábado, 10 de dezembro de 2016

XIS ELOS

Poderes.
Questões políticas.
Bases muito elevadas.
Plebe elitizada.

Intelectualidade.
Questões culturais.
Pensamentos baixos,
vanguardistas, atuais.

Dialética.
Contrastes factuais.
Intenções mais que ocultas
alargando o que é a ética.

Produção.
Questões comerciais.
Bases econômicas,
tabelas de preço astronômicas.

Exportação.
Pensamentos banais.
Bases externas determinadas
para nunca mais...


[Adhemar - Santo André, 29/04/2014]

domingo, 27 de novembro de 2016

CONSIGNAÇÃO

Quando você chega eu me levanto,
respeitosamente me curvo em reverência.
Muito admirado, por enquanto,
até que se consuma uma sequência.

És uma rainha no meu mundo
que a todo instante manifesta
sua graça oriunda do mais fundo
de seu âmago, sempre em festa.

És a minha amante predileta,
a mais bonita e mais constante,
quando estamos juntos me completa.

És meu ideal e fantasia,
és minha estrela mais brilhante,
sempre presente, tu és poesia!!!


P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PURIFICAÇÃO

Parei na praça a esperar.
Pra esperar a dor
e, por pirraça, espirrar.

É uma dor que não tem a menor graça,
uma desgraça a suspirar;
eu, que nem consigo respirar,
e a dor não passa.

Parei na praça, parei de andar.
Passo parado, esperando pra sentar.
A dor faz questão absoluta
de vir se apresentar.

Parei na praça, para ao jardim apreciar.
A preço módico,
que é o que eu alcanço pagar.
Então me canso,
a dor não deixa descansar.
Uma ameaça:
ela quer se eternizar.

Paro na praça, já não quero levantar.
O pranto passa, a dor não presta,
é uma tensão a dispersar.
Ouço canto, amigo pássaro,
que passa a assobiar.

Passam os bichos.
Passam os carros.
Passam as gentes.
Só esta dor, maldita e insistente,
é que não quer passar.


[Adhemar - São Paulo, 31/10/2016]

domingo, 13 de novembro de 2016

DEPOIMENTO

          Eu nasci pra ser um desses playboys; esnobe e altivo, embora magnânimo. Não era talhado para viver uma vida minimalista ou dedicada à outrem. Me acostumei a olhar o mundo de cima, não importando quão humana fosse a visão, a "paisagem". Humildade é um desses predicados que eu desprezava; simplicidade é um estilo que nunca me identificaria então.

          Me criei na crença de ser o centro do mundo; e que este era só uma espécie de quintal onde tudo que existe estaria lá para me servir. Minha onipotência exponencial era ditada por uma prepotência controlada e por uma arrogância estudada: a vida de todos seria melhor se fosse organizada por mim!

         Um belo dia, no entanto, tanta "grandeza" não serviu pra nada. Fui derrubado do pedestal, caí de cara. Um chão muito duro e muito sujo me recebeu. Aturdido com a ousadia dessa derrubada e intrigado com a "injustificada" queda, me perguntei por que ocorrera. A resposta já estava estampada desde muito antes de eu nascer: era simplesmente a condição de humano amor ao próximo e a Deus mais do que a mim mesmo. E nada de expiar as culpas na base da chicotada: mas despertar ante o sofrimento do mundo disfarçado atrás de tanta felicidade mascarada. Abrir as mãos e os braços, abraçar e socorrer os próximos, realizar mais para o mundo do que para mim mesmo. 

          Descobri que eu nasci para ser um obreiro das coisas de Deus, desprendido e ordeiro. Descobri que a recompensa está no sorriso do agradecido. Descobri que a matéria é meio, nunca um fim em si; e que a honra é realizar para os outros, não só pra mim.

          Eu nasci para ser um instrumento do Criador; altivo, sim, mas para ver melhor e mais longe a dor que posso mitigar com minha vida e meu amor.


[Adhemar - Santo André, 11/10/2016]

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ZOMBARIA

Quanto branco diante, 
do qual um tanto comandante...?
À marcha incitem do adiante,
a mancha de um tanto,
muito sangue...

A energia da sanha distante,
que gasta tanto diamante...
Quantos dias inebriantes,
perfumes derramados tanto,
desperdiçados...

A fúria dos elementos antes,
numa força extrema tanta,
problema...

O céu vermelho clamante
e tão tempestuoso, tanto,
ciclone...

Quantos ondes, portanto,
estamos estacionando?
Quanto?

Quantos tantos?


[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ACHATAMENTO

Você disfarça, você confessa,
você conversa e não me convence.
Você tenta, você sustenta,
mas não concordo, 
por mais que eu pense.

Você cobiça, você atiça,
você provoca e me arranca os dentes.
Mesmo contente você não para,
você me deixa as mãos dormentes.

Você estranha; você arranha,
você tortura, você arranca
umas verdades que eu invento
pois do contrário você me espanca!

Você me espreme, você me assusta,
você é injusta mas não se importa.
Você me custa, me arrebenta,
me escangalha, você me entorta!

Você é uma sanguinária.
Você é uma tirana.
Você é insana, é fantasia.
Você me aprisiona e também liberta,
Você é sempre incerta, 
porque tu és a poesia!!!


[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ZONA FRIA

Palavras espalhadas
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...

Históricas mancadas
gafes heróicas
heroísmo necessário
necessidades melancólicas
tristezas parabólicas
hipérboles sem glória...

Machadadas bucólicas
bocas esperançosas
esperanças preguiçosas
presença solicitada
pedidos intercalados
escadas espiraladas...

Espíritos termais
termos espirais
esperas intermináveis
terminais intermodais
incômodos carnavais
carne viva torrada...

Chuvas torrenciais
tempestades atemporais
tempo de furacões
ciclones e vendavais
vendo lindos panoramas
vidas paranormais...

Quietudes infinitas
atitudes amorais
amores singulares
de estranhos plurais
inacabáveis sonhos
sombras, enfim, imortais...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CONVESCOTE

Fui fazer um piquenique,
toalha colorida, quintal.
Terra limpa, formiga,
guaraná, coisa e tal.
Salada, doce, bolinho,
sanduíche natural;
suco, groselha e fruta,
uns guardanapos de pano.
Umas folhas caídas de árvores
ou era salada sem sal!

Fui fazer um piquenique:
um pacote de jornal,
pouca formiga atrevida...
Bolo de chocolate,
hummmm! Nada mal!
Uns copinhos de plástico,
uma cestinha de vime;
uma coisinha de "fui-me",
o céu azul, muito sol.

Fui fazer um piquenique,
tudo em cima, normal.
Só faltou uma coisa:
quem fosse comigo, afinal...


[Adhemar - São Paulo, 12/02/2015]

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

IMPÉRIO

O Rei supõe nossa renda.
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.

Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satisfação...

Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!

Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...

Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.

[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"CONTRALUZ"

Furtivamente a sombra denuncia
a silhueta que na sombra se confunde.
Aflitivamente a silhueta desperta
junto com o medo que a sombra lhe infunde.

Infinitamente a sombra dá sinais
que a silhueta simplesmente desconhece.
A silhueta recortada altivamente
na própria sombra se esconde e desvanece.

Educadamente a sombra se despede
já que a luz invade a silhueta.
Silhueta e sombra misturadas na penumbra
e na imagem desenhada que se inventa.

E a sombra diz adeus,
e a silhueta desfalece e some;
a silhueta é apenas um desejo
enquanto a sombra é a própria fome...!

[Adhemar - São Paulo, 30/06/2010]

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

EXCESSOS

Muita luz, muito calor,
sabor de pedra,
força de tapas,
profundezas, dor.

Do centro da garganta,
gritos de amor,
afogamento programado,
espontaneidade tanta.

Itens, cláusulas,
obrigações e avais.
Muitas voltas,
força de tapas,
profundezas mais.

Pensamentos, dor, ciência...
Dissabores pendurados nos varais;
nunca secam.
Resistência tanta
duvidando da própria santa existência...


[Adhemar - São Paulo, 09/08/2014]

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

PREPARAÇÃO

Jornada.
Um embornal,
uma folha de jornal.
Um barbante.
Uma moeda de um real.

Um botão.
Meio pedaço de pão.
Um prendedor de papel,
duas bolas de gude,
um gorro de Noel.

Para completar esse modesto cabedal:
meia carta rasgada,
de amor,
uma foto da amada
e um cartão de Natal.


[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

domingo, 7 de agosto de 2016

NOEMI

Então foi assim.

Convivência intensa nos últimos tempos, mais intensa nos últimos dias. Nossa última conversa sobre espiritismo, retorno, evolução. Sua última bronca, querendo descer da maca, deixando a gente de saia justa. Já sem palavras, seus gestos enérgicos para mudar de posição e recusar o oxigênio. Seu último sono prolongado, seu último suspiro sem um adeus formal.

O que havia para ser dito já o fôra antes. O que havia pra ser chorado, também... Embora tenha sobrado muito, ainda... A sua importância medida na presença dos familiares e amigos nessa hora neutra que é um velório. Um Pour Elise, uma Ave Maria e o súbito sumiço num imenso vazio.

A mãe, sogra e avó professora. Nossa eterna protetora. Meu Xamã.

E o inescapável mas sábio lugar comum, mãe é mãe.


P/ Noemí Braga de Souza - (*12/01/1945/+05/08/2016]
[Adhemar - São Paulo, 07/08/2016]

domingo, 24 de julho de 2016

RAIOS


Nem parece que foi a mesma mão que fez. Um traço leve, outro calcado. Logo se vê a negligência de um, o outro é descuidado. É o que pode diferir de uma organização contra o desarrumado!!!

Palavras são palavras e mesmo assim não são! Talvez um filme mudo num sonho acordado. O cinema cheio, mãos dadas e abraços. A cerimônia acaba, o gato sobe o muro. A lua se enfastia, o céu está nublado.

A desilusão sobe num palco iluminado. Solto no ar vai um perfume... desanimado. Sobe o som da música; música colorida, advinda de um lápis apontado. Desce o sol, sai do tablado, dorme o dia no seu berço enluarado.


[Adhemar - São Paulo, 26/07/2011]


segunda-feira, 18 de julho de 2016

PASSAGENS

Atrás de uma linha difusa
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em pontas sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...

[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]

segunda-feira, 20 de junho de 2016

"PISCO"-DRAMA

Pálpebra inquieta
Abre e fecha
Fende o olhar entreaberta
Arregala-se desperta

Move-se
no ritmo do peito arfante
Também suspira
Rouba uma lágrima
Uma lágrima furtada
Necessária e procurada

Pálpebra "desciliada"
Vai ficando rala
Profundamente aborrecida
Trágica, brava e pelada
Com aflição mal resolvida

Essa
que veio do peito embolorada
Cinicamente embevecida
Fisicamente avermelhada
Numa cena conhecida

Pálpebra semi-fechada
Por encanto ou magoada
Transformando visão em fenda
Numa gota adocicada

Não que se ofenda
Mas subentende-se ausente
Quanto mais presente esteja
Por um charme eficiente
Com água benfazeja

Pálpebra abatida
Com entorno arroxeado
Olheira antiga

De saudade se entrega
Aos olhos não protege
Num protesto descarado
Bate muitas vezes em seguida
Num piscar anunciado
Revoltado e herege

Pálpebra fechada
Escuridão

Mais nada


[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

domingo, 15 de maio de 2016

"PISC'ANÁLISE"...

Bobagem pouca é besteira.
Afundar pra errar, pra esconder.
Entre pele e areia uma esteira:
pra deitar, queimar, derreter...

Ser um algo abaixo do azul,
um cruzeiro, um luzeiro do sul.
Entre a pele e a carne, um nervo;
pra sentir, eriçar e descrer.

Naufragar é um risco a correr;

de nadar, navegar, e viver.

[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

sábado, 30 de abril de 2016

AVANTE

Na força da loucura que existe
existe um sonho tão grande
tão grande que nele nem cabe
nem cabe no espaço-universo

Na ânsia da procura que insiste
insiste em achar o caminho
caminho que vai ao sonho eterno
eterno procurar em cada verso

Ânsia, sonhos e força resumidos:
resumidos nos espaços tão grandes
tão grandes o amor e a emoção
emoção sentimento inverso

Contrária à razão é a loucura
loucura tão grande que acabe;
acabe no caminho e não sabe
não sabe o que é amor-coração

Não cabe no verso incompleto
incompleto na luz da paixão.
Paixão, sentimento avesso
avesso ao verso curto e à razão

Paixão; és a própria loucura
loucura de andar em círculos:
círculos de pensamentos explosivos
explosivos sentimentos nas mãos

Esculpido o grande caminho
caminho do espaço tão certo
tão certo, imenso, infindável
infindável como o carinho negado

Balança a cabeça e diz não
diz não, desengana e some.
Some no horizonte do tempo
do tempo a navegar desvairado

Paixão, amor tão grnde, maior que o espaço
espaço-universo tornados na fúria
fúria-furacão varrendo os mares atormentados,
atormentados piratas e navios apaixonados

E os inevitáveis por quês indagados de repente
de repente o peito para, desfalece,
desfalece num momento refletido
refletido nos erros e acertos cometidos

Finalmente o exílio, vida nova,
vida nova recomeçada do zero.
Zero em quase tudo, mas o antigo amor sobrevive
sobrevive na dimensão da memória, comovido

Na síntese do universo imenso, cabível no coração
coração que contém tantos elevados sentimentos
sentimentos impressos e expressos nestes versos
versos que, por infinitos, representam sentimentos resumidos!

Invoca-se o pirata, na força solene de uma canção linda.
Linda como a princesa antiga e sorridente
sorridente e desaparecida por acidente ou engano...
Engano, ilusão, tudo aparente, transparente, sem fim.

Amor sem fim, sem limites na renúncia
renúncia do pirata aos sentimentos mais bonitos;
bonitos mas que nele ora são imortais
imortais, imorredouros, algo assim.

Tão presente quanto o ar, mais respeitado
respeitado o último desejo de uma deusa,
deusa que deu a dimensão do universo
universo do pirata que sem ela vai resignado enfim...

Decorre o renascer da fé no mundo
no mundo novo o pirata acreditará
acreditará porque o seu amor em vão não foi,
não foi desperdiçado e em fé se tranformou

Revestido, porém, sempre pirata
sempre pirata numa profissão de crer.
Crer querendo acreditar mais e apreciar
apreciar o que de melhor pode à vida dar forma

Sem tempestades o universo do pirata já está construído
construído sobre a base sólida à que teve de renunciar
renunciar, insistindo nas atitudes livres, livre decidir
decidir em favor de alcançar a esfera onde ela está.

Onde ela está.
Para chegar lá, nada mais o transtorna.


[P/ BSF]
[Adhemar - Aracaju, 29/01/1988]


sábado, 23 de abril de 2016

FUNIS

Não há promessas mais inúteis ou infundadas
que num único momento possam justificar
ações desatinadas de alma desorientada
que se voltem contra num repique

Não há promessa fácil descumprida
que solenemente se apresente
essencial, tal a própria vida
ainda que do nada
se invente

Não há promessa impaciente
que nos emocione ou atinja
improvisada num repente
ou que só a gente finja

Não há promessa crua
nem pouco pensada
mesmo estando nua
necessária e ousada

Não há promessa
ou cumprimento
que, com pressa
peça movimento

Não há nada
existência
resistente
ciência
ciente

Nunca
nada
não
fim

[Adhemar - São Paulo, 01/03/2014]

sexta-feira, 1 de abril de 2016

CRÉDITOS IMAGENS DO POST "ZAHA HADID"

Por razões “técnicas” que desconheço, não saíram os créditos de algumas imagens mas que foram grafados no post anterior.

Para clareza seguem abaixo, na ordem em que foram apresentadas: 

- Serpentine Sackler Gallery - Londres: imagem www.domusweb.it
- Museu Riverside - Glasgow: imagem projetomelhor.blogspot.com
- Ópera Guangzhou - China: imagem blog.ligthingvanguard.com
- Museu Maxxi - Roma: imagem www.momondo.com.br


Adhemar - 01/04/2016

ZAHA HADID

Por uma dessa coisas da vida, colocamos a imagem de um projeto da arquiteta iraquiana Zaha Hadid - prédios no Residencial do City Life Milano - na capa deste blog, no dia 24/03/2016... Tivemos a oportunidade de visitá-lo e a foto em questão foi tirada por nós...

Já comentei neste blog esse projeto com os prédios de apartamentos projetados por ela e outros pelo arquiteto polonês Daniel Libeskind; que são diferentes entre si mas tem elementos comuns harmonizando-os numa área que forma praticamente um bairro no coração da cidade italiana.

Numa profissão onde é necessário conhecimento técnico e humano, alguns elementos mais corajosos e ousados levam a criação dos espaços muito além dos limites imagináveis aliando sua cultura e referências ao programa das necessidades da obra, refletindo beleza e praticidade em resultados muito surpreendentes.

Fica aqui um pequeno tributo à esta grande dama da arquitetura do mundo.

Adhemar - 01/04/2016

Abaixo, artigo publicado hoje no Portal terra notícias, editado.



Zaha Hadid, a arquiteta mais famosa do mundo, morreu nesta quinta-feira, 29/03/2016, de um ataque cardíaco, deixando um legado de grandes projetos arquitetônicos globais, marcados por traços orgânicos e grandes curvas - e por uma boa dose de polêmica. A britânico-iraquiana tinha 65 anos e estava sendo tratada de bronquite em um hospital em Miami (EUA). Nascida em Bagdá, em 1950, ela estudou matemática na Universidade de Beirute antes de começar a carreira na Associação Arquitetônica de Londres.

Em 1979, Zaha Hadid abriu seu próprio escritório, o Zaha Hadid Architects. O primeiro grande projeto foi a Estação de Bombeiros Vitra em Weila am Rhein, na Alemanha. 

(imagem: www.archdaily.com.br)

Em 2004, ela se tornou a primeira mulher a vencer o Prêmio Pritzker, considerado o "Nobel da arquitetura". Foi também a primeira mulher a receber, em fevereiro, a Medalha de Ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos, em reconhecimento por sua obra.
"Hoje em dia vemos o tempo todo mais arquitetas estabelecidas. Mas isto não significa que seja fácil. Às vezes os desafios são imensos. Houve uma mudança tremenda nos últimos anos e vamos continuar com este progresso", afirmou na ocasião.

Hadid criou o Parque Aquático da Olimpíada de Londres 2012 e seus projetos estão espalhados por países como Alemanha, Hong Kong e Azerbaijão. No Brasil, a arquiteta criou em 2008 uma sandália plástica para a grife Melissa. O Parque Aquático da Olimpíada de Londres, construído no leste da capital britânica, lembra uma onda e tem duas piscinas de 50 metros e uma piscina de mergulho. Depois de ter sido usado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o centro criado por Hadid foi aberto para o público em 2014.


(imagem da internet)

"Adoro o Parque Aquático de Londres pois é perto de onde eu moro", disse Hadid na época. 

Hadid se considerava uma "forasteira" por ser mulher, de origem estrangeira e de espírito inovador. "Não sou contra o establishment por si só", ela disse à BBC certa vez. "Só faço o que faço, e é isso."

Onda

Entre os projetos criados por Zaha Hadid estão a Serpentine Sackler Gallery, em Londres, o Museu Riverside, em Glasgow, e a Ópera de Guangzhou, na China.
A arquiteta conquistou duas vezes o prêmio Riba Stirling Prize, o prêmio britânico de arquitetura de maior prestígio. Em 2010 ela conquistou o prêmio pelo projeto do Museu Maxxi em Roma, ganhando novamente em 2011 pelo projeto da Evelyn Grace Academy em Brixton, Londres.

Veja abaixo alguns dos projetos da arquiteta.

Serpentine Sackler Gallery - Londres (imagem: www.domusweb.it)

Museu Riverside - Glasgow (imagem: projetomelhor.blogspot.com)

Ópera de Guangzhou - China (imagem: blog.ligthingvanguard.com)

Museu Maxxi - Roma (imagem: www.momondo.com.br)

sábado, 26 de março de 2016

DESVIOS

Espaço vago, espaço, espaços.
Palavras vazias, vazias razões.
Espaço vago, vazios corações.
Nubladas razões, vagos embaraços.

Poesia vazia, vazio abstrato.
Vazias ideias do poeta vago.
Espaço tão vasto, espelho do lago.
Um lago vazio, tão vasto e barato.

Absurdos momentos das vidas vazias
se juntando aflitas no espaço imenso.
Não cansam na faina, inútil movimento
de vidas já mortas, endurecidas e frias.

Espaço tão lúgubre, só covas rasas.
Imenso cemitério chamado universo.
Vazias ideias, vazio cada verso,
ausência de vida nas vidas avaras.

Inútil movimento da roda gigante.
Universo inútil, vazio, sem sentido.
Ideias, poetas e vidas de mal intuído.
Inútil movimento da bola girante ...


[Adhemar - São Caetano do Sul, 17/03/1988]


sábado, 12 de março de 2016

PACOTES

Em tantas mãos, sinais,
calos, cortes, cicatrizes,
adeuses informais,
raízes.

Acenos por demais,
acenos indecentes,
obscenos, casuais,
ardentes.

Cansaços habituais,
casacos empoeirados,
caimentos naturais,
descosturados...

Tanta vida assim, ou mais,
tantas palavras amenas,
das mãos acima, ora normais,
e seus poemas.

Em tantas mãos, destino,
abençoado, mal vivido,
entre loucura e desatino,
incompreendido...


[Adhemar - São Paulo, 03/04/2014]

domingo, 14 de fevereiro de 2016

VERSEDS

Poetisa;
Tua poesia provocará uma fila de poetas
a espera de tuas gotas...
Todas as bocas vão te declamar,
entoar cânticos,
vão teus beijos reclamar.
E pelas areias de todas as praias vão rolar,
a chorar,
ansiando pelo teu último verso;
e antes da tua última gota secar.
Então tu saberás,
os teus por quês tu mesma há de responder...
E o gelo te fará deslizar pelo prazer;
pelo prazer de ser mulher e poetisa,
pelas alturas vais voar...


P/ LMMM

[Adhemar – São Paulo, 12/02/2010]

domingo, 31 de janeiro de 2016

DESPRENDIMENTO

Enfim,
saiu de mim o que me atormentava
Nesse imenso vazio cabe uma casa
Caverna escura, profunda cava
Saiu de mim o que perdido estava
Foi para um reencontro com o bravo mundo
bravia fera que em mim morava

Enfim,
abriu espaço neste vagabundo
Nessa imensa onda, uma tremenda vaga
Duplicidade escura que não se encontrava
deixando-se afogar pois não nadava
Batendo os braços num macabro aceno
Posto de quatro e comendo feno

Enfim, pensando bem,
saiu de mim o que eu mais gostava
nessa imensa boca que se explicava
a mão nervosa que gesticulava
Afinal, apesar de ser muito decorativa,
misteriosa e revelativa,
bravia fera que se ilustrava

Enfim,
casa desocupada
Uma coisa nova se apresentava
promessa de luz, vassoura piaçava
Erudição discreta, atleta dedicada
Voltou pra mim, completa e preparada;
retorna ao lar a fera domada...


[Adhemar - Santo André, 25/09/2014]


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

BUSCA SIMPLIFICADA

Braços abertos feito o Cristo Redentor
Pernas esbeltas como um Louva-a-Deus
Rápido e ágil feito um Beija-Flor
Profundo como os olhos teus.

Asas esticadas como águia em vôo
Olhos aguçados feito um gavião
Exatidão precisa como de um robô
Batidas afinadas do teu coração

Esmero alinhado feito um diplomata
Postura altiva como Imperador
Uma riqueza imensa feito um magnata
Palavras sensatas do teu pregador

Espalhado aplauso dessa plateia inata
Só você e eu com o nosso amor...


[P/ SM]
[Adhemar - São Paulo, 18/01/2010]