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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"CONTRALUZ"

Furtivamente a sombra denuncia
a silhueta que na sombra se confunde.
Aflitivamente a silhueta desperta
junto com o medo que a sombra lhe infunde.

Infinitamente a sombra dá sinais
que a silhueta simplesmente desconhece.
A silhueta recortada altivamente
na própria sombra se esconde e desvanece.

Educadamente a sombra se despede
já que a luz invade a silhueta.
Silhueta e sombra misturadas na penumbra
e na imagem desenhada que se inventa.

E a sombra diz adeus,
e a silhueta desfalece e some;
a silhueta é apenas um desejo
enquanto a sombra é a própria fome...!

[Adhemar - São Paulo, 30/06/2010]

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

EXCESSOS

Muita luz, muito calor,
sabor de pedra,
força de tapas,
profundezas, dor.

Do centro da garganta,
gritos de amor,
afogamento programado,
espontaneidade tanta.

Itens, cláusulas,
obrigações e avais.
Muitas voltas,
força de tapas,
profundezas mais.

Pensamentos, dor, ciência...
Dissabores pendurados nos varais;
nunca secam.
Resistência tanta
duvidando da própria santa existência...


[Adhemar - São Paulo, 09/08/2014]

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

PREPARAÇÃO

Jornada.
Um embornal,
uma folha de jornal.
Um barbante.
Uma moeda de um real.

Um botão.
Meio pedaço de pão.
Um prendedor de papel,
duas bolas de gude,
um gorro de Noel.

Para completar esse modesto cabedal:
meia carta rasgada,
de amor,
uma foto da amada
e um cartão de Natal.


[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

domingo, 7 de agosto de 2016

NOEMI

Então foi assim.

Convivência intensa nos últimos tempos, mais intensa nos últimos dias. Nossa última conversa sobre espiritismo, retorno, evolução. Sua última bronca, querendo descer da maca, deixando a gente de saia justa. Já sem palavras, seus gestos enérgicos para mudar de posição e recusar o oxigênio. Seu último sono prolongado, seu último suspiro sem um adeus formal.

O que havia para ser dito já o fôra antes. O que havia pra ser chorado, também... Embora tenha sobrado muito, ainda... A sua importância medida na presença dos familiares e amigos nessa hora neutra que é um velório. Um Pour Elise, uma Ave Maria e o súbito sumiço num imenso vazio.

A mãe, sogra e avó professora. Nossa eterna protetora. Meu Xamã.

E o inescapável mas sábio lugar comum, mãe é mãe.


P/ Noemí Braga de Souza - (*12/01/1945/+05/08/2016]
[Adhemar - São Paulo, 07/05/2016]