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domingo, 13 de novembro de 2016

DEPOIMENTO

          Eu nasci pra ser um desses playboys; esnobe e altivo, embora magnânimo. Não era talhado para viver uma vida minimalista ou dedicada à outrem. Me acostumei a olhar o mundo de cima, não importando quão humana fosse a visão, a "paisagem". Humildade é um desses predicados que eu desprezava; simplicidade é um estilo que nunca me identificaria então.

          Me criei na crença de ser o centro do mundo; e que este era só uma espécie de quintal onde tudo que existe estaria lá para me servir. Minha onipotência exponencial era ditada por uma prepotência controlada e por uma arrogância estudada: a vida de todos seria melhor se fosse organizada por mim!

         Um belo dia, no entanto, tanta "grandeza" não serviu pra nada. Fui derrubado do pedestal, caí de cara. Um chão muito duro e muito sujo me recebeu. Aturdido com a ousadia dessa derrubada e intrigado com a "injustificada" queda, me perguntei por que ocorrera. A resposta já estava estampada desde muito antes de eu nascer: era simplesmente a condição de humano amor ao próximo e a Deus mais do que a mim mesmo. E nada de expiar as culpas na base da chicotada: mas despertar ante o sofrimento do mundo disfarçado atrás de tanta felicidade mascarada. Abrir as mãos e os braços, abraçar e socorrer os próximos, realizar mais para o mundo do que para mim mesmo. 

          Descobri que eu nasci para ser um obreiro das coisas de Deus, desprendido e ordeiro. Descobri que a recompensa está no sorriso do agradecido. Descobri que a matéria é meio, nunca um fim em si; e que a honra é realizar para os outros, não só pra mim.

          Eu nasci para ser um instrumento do Criador; altivo, sim, mas para ver melhor e mais longe a dor que posso mitigar com minha vida e meu amor.


[Adhemar - Santo André, 11/10/2016]

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