Por Yahisbel Valles
Apesar das generalizações, até que minha eu de
18 anos tinha uma certa razão... E podia ensinar minha eu de agora a ser menos
ansiosa...
Prioridades. Quem
nunca teve alguma na vida? Quando bebês, nosso único objetivo como seres
humanos era ganhar leite. Crescemos um pouco, desenvolvemos o desejo por
brinquedos. Aos 6 anos, qual criança não sonhou em ganhar uma bicicleta ou
algum bichinho de estimação? Aos 12, não vemos a hora de crescer e pararem de
nos tratar como crianças. Aos 14 vamos despertando interesse em namorar. No
aniversário de 15 anos as meninas querem uma festa ou uma viagem. Chegamos aos
16 e ansiamos pela nossa liberdade, pela carteira de motorista e por um
documento de identidade que mostre nossa suposta maioridade para podermos
entrar em uma boa festa. Vem os 17 e os 18, as aprovações no vestibular são
nosso maior desejo. E nosso maior medo também. Porém, a cada ano que se passava,
as prioridades do anterior, já cumpridas ou não, pareciam não ter a mesma
importância de antes. Ganhamos o brinquedo e depois nos enjoamos dele. Viramos
adolescentes e o que queremos é o contrário: voltar a ser crianças.
Conquistamos a liberdade sem saber direito o que fazer com ela. É que, no fim
das contas, nem nós mesmos sabemos onde queremos chegar com tudo isso.
Acreditamos que nossas realizações até o momento vêm seguindo o esperado, o
planejado, o caminho certo. Que nossas prioridades são tudo nas nossas vidas.
Que passar no vestibular é tudo. Que viajar é tudo. Que namorar é tudo. Que
seguir a carreira que queremos é tudo. Que festejar é tudo. Não vemos que as
prioridades são parte das nossas vidas, não nossas vidas em si. Que temos o
resto dela. Um resto não menos nem mais importante: um resto que é o resto de
nós também. Essencial para seguir adiante. Conciliar todos os pontos da vida é
uma tarefa difícil, mas é o mais sadio a se fazer. Porque, se você se dedicar
somente às linhas do desenho, a arte não estará concluída. Existe a pintura, o
retoque, a sombra, a perspectiva. No momento, podemos ver, querer, fazer só a
linha. Só que assim, depois, ela continuará sendo apenas uma linha. Vazia. Sem
graça. Sem expressão. Sem movimento. Sem vida.