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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

PRIORIDADES

Por Yahisbel Valles

Apesar das generalizações, até que minha eu de 18 anos tinha uma certa razão... E podia ensinar minha eu de agora a ser menos ansiosa...

Prioridades. Quem nunca teve alguma na vida? Quando bebês, nosso único objetivo como seres humanos era ganhar leite. Crescemos um pouco, desenvolvemos o desejo por brinquedos. Aos 6 anos, qual criança não sonhou em ganhar uma bicicleta ou algum bichinho de estimação? Aos 12, não vemos a hora de crescer e pararem de nos tratar como crianças. Aos 14 vamos despertando interesse em namorar. No aniversário de 15 anos as meninas querem uma festa ou uma viagem. Chegamos aos 16 e ansiamos pela nossa liberdade, pela carteira de motorista e por um documento de identidade que mostre nossa suposta maioridade para podermos entrar em uma boa festa. Vem os 17 e os 18, as aprovações no vestibular são nosso maior desejo. E nosso maior medo também. Porém, a cada ano que se passava, as prioridades do anterior, já cumpridas ou não, pareciam não ter a mesma importância de antes. Ganhamos o brinquedo e depois nos enjoamos dele. Viramos adolescentes e o que queremos é o contrário: voltar a ser crianças. Conquistamos a liberdade sem saber direito o que fazer com ela. É que, no fim das contas, nem nós mesmos sabemos onde queremos chegar com tudo isso. Acreditamos que nossas realizações até o momento vêm seguindo o esperado, o planejado, o caminho certo. Que nossas prioridades são tudo nas nossas vidas. Que passar no vestibular é tudo. Que viajar é tudo. Que namorar é tudo. Que seguir a carreira que queremos é tudo. Que festejar é tudo. Não vemos que as prioridades são parte das nossas vidas, não nossas vidas em si. Que temos o resto dela. Um resto não menos nem mais importante: um resto que é o resto de nós também. Essencial para seguir adiante. Conciliar todos os pontos da vida é uma tarefa difícil, mas é o mais sadio a se fazer. Porque, se você se dedicar somente às linhas do desenho, a arte não estará concluída. Existe a pintura, o retoque, a sombra, a perspectiva. No momento, podemos ver, querer, fazer só a linha. Só que assim, depois, ela continuará sendo apenas uma linha. Vazia. Sem graça. Sem expressão. Sem movimento. Sem vida.

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