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quarta-feira, 22 de março de 2017

VENERAÇÃO

(Imagem licenciada da internet)

Eu te queria por querer,
por fantasia,
mesmo sem te conhecer.
Eu te queria por te ver,
por desafio e desejo,
nos perder...
Eu te queria por capricho,
por inteiro.
Eu te queria feito um bicho,
faminto e traiçoeiro,
te aprisionando no meu nicho,
alcoviteiro...
Eu te queria por paixão,
idolatria;
e grande admiração.
Sempre te quis, e te queria,
por transferência e emoção,
por euforia...
Eu te queria por te amar
e por saudade,
mesmo na distância te exaltar.
Eu te queria de verdade,
em terra firme ou alto mar,
fatalidade...
Eu te queria e te quero,
catatônico;
eu te queria mas não quero,
conformado e ultrassônico
nesse meu querer sincero
mas, platônico...


[Adhemar - São Paulo, 26/10/2016]

segunda-feira, 20 de março de 2017

ÚLTIMAS

Manias, tradição, hábitos.
Manutenção de costumes.
Conservadorismo inato?
Saudades de velhos perfumes?

Reunião, encontro, protesto.
Propositivas atitudes.
Espaço pra manifesto?
Contestação de virtudes?

Acumulação e apego.
Materialismo exacerbado.
Por acaso a alma quer sossego?
Quer paz e um mundo acabado?

Televisão, novidades.
Estupefacta submissão.
Paralisia das atividades?
O espírito quer emoção?


[Adhemar - São Paulo, 08/09/2016]

domingo, 19 de março de 2017

FILOSOFIA DA DÚVIDA

Interessa saber onde estamos ou o que somos?

O coração contempla a cidade vazia com a mesma ansiedade com que te procura. Ansiedade infantil, mas tão presente, desde tempos remotos, imemoriais; mãe de uma angústia sem fim, de tantas dúvidas, do não saber onde estás.

Interessa saber onde estás?

Interessa saber o que se procura intensamente e com tanta sinceridade. Morar sob um teto vazio e imperfeito. Planejar cuidadosamente tudo aquilo que não vai dar certo. Tirar as lágrimas, que as pedras podem rolar...

Vestir o blusão com as insígnias da própria ignorância, confessando ignorar onde estás. Importa tanto saber onde estás... Não saber onde estás é também não situar-se. Tateando na cidade vazia sob a noite chuvosa e triste, te procurando nas luzes refletidas pelas poças d'água.

Insatisfação do insucesso da procura... Se ao menos dissesses outra vez as tuas últimas palavras renovando os teus votos de nunca mais... Se ao menos aceitasses o quadro, que é o teu próprio espírito sombrio, de presente... Se ao menos mencionasses a palavra que liberta...

Interessa saber tanta responsabilidade?

Se ao menos a solidão não fosse tão pesada... Pesada, opressiva e pensativa... Sumiste da tela do radar como um aeroporto em dia de névoa. Ou és a névoa, talvez... Resides nesse mistério que a existência não revela, no final da linha invisível que une o princípio ao fim de tudo, todo o sentimento despertado e desprezado.

Interessa saber a sepultura?

Depositado em cova rasa, terra misturada com cinzas tão finas... e a cada palavra mencionada, a certeza que, do torrão fatal, há de brotar algo forte e imorredouro que nem todo o esquecimento possível irá destruir. Apenas o tênue cansaço da procura e de escrever sem ver as letras, olhos fechados na certeza intangível de que sabes todas as palavras da procura.

Interessa lê-las?


[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 18/02/1988]

quarta-feira, 15 de março de 2017

BLOCO

Moda
Alimentando um vazio
Uma paisagem de inverno
O frio é aqui...

Rosa
Anestesia e moda fofura
Uma parceira reversa
Casa moderna...

Carta
Rosa marcada
Destino ideal
Boa leitura...

Fato
Bloqueio de operação
Experiências contadas
Carta de tradição...

Lava
Fato atacado de vulcão
Cobertura e escavação
Lembrança e relíquias...

Moda
Lava areias da praia
Badalação artificial
Bloco de emoção...


[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

quinta-feira, 2 de março de 2017

ESTRELA ASCENDENTE

Quando resolvo falar,
quando me torno eloquente,
quando tudo melhora
e o que é bom acontece
e a saudade me aperta...
Você não quer mais falar
com a porção gente
que sou hoje e agora;
e não sei se me esquece
e se a descisão é a mais certa...

E, se eu falo sozinho
e, minha flor também seca,
eu me lembro da sua;
o que será que acontece
se nem a um apelo responde...?
Onde está você no destino
do desolado poeta
ou pirata, nas noites de lua?
Será que me esquece
e quer me ver longe...?

Meus ouvidos testemunharam
o "nunca mais" que disseste.
Molhados os olhos que eu tinha,
onde sempre aparece
o brilho de saudade dos teus...
E as lágrimas que rolaram tristes
não desanimam jamais
de encontrar a linha dos teus passos
frente a prece elevada até Deus...

Mas se o destino quiser
que até o fim dos meus dias
eu te desencontre após cada poesia
e nem fores tu a mulher
mãe dos meus filhos...
Peço a Deus a luz que Ele tiver
e me conceda ao menos a alegria
de te saber feliz, sem fantasias;
e que eu cumpra a vida a tempo, se puder,
de ver no céu a constelação que tu és
e o teu brilho...


P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 02/02/1988]

ESTRELA sem DENTE

Muito barulho por nada, muita choradeira e a vida seguiu mostrando quanto erro no pedaço. Não era pra ser a mãe dos meus filhos e sumiu na poeira do tempo. Ainda assim, uma recordação pra lembrar que a vida é muito mais do que isso...

Adh, 02/03/2017.