O prazer de ver-te
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar
Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim
Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...
A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...
Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...
No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...
[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 22 de abril de 2018
domingo, 15 de abril de 2018
VAGA
Estava perdido
um sinal apontou novo
caminho
ainda que conhecido
desbravando o colonizado
Estava desgarrado
meu rebanho passou d'outro
lado
um velho desvio
conhecido e ignorado
Estava desiludido
uma luz acendeu
mensagem brilhante de
opaco sentido
lindamente desfigurado
Estava sentado
um hino tocou
a banda passou
levantei-me
havia alguém mais cansado
[Adhemar - São Paulo,13/05/2015]
domingo, 8 de abril de 2018
PALIDEZ
"Harmony does not exist, my love, harmony does not exist"
[MAC-100, Swarovski, Milão, 2010 (foto: Adh2bs)]
Uma lembrança cruel tomou corpo,
invadiu minha impaciência.
Me cercou, circundou e zombou
desenterrando um velho cadáver.
Expulsou um sentimento,
emoldurou o teu rosto.
Emoldurou teu sorriso,
imortalizou o teu gesto.
Gravou tua voz,
imprimiu - ou impôs - teu olhar.
Uma lembrança cruel escarneceu
o curto tempo de então.
Não comoveu nem lamentou
os diferentes rumos que tomamos.
Você sumiu para sempre,
só essa lembrança restou.
Cruel ela se levanta,
pra me assombrar, meu amor.
Para um dos fantasmas d'antanho...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
EXIBIÇÃO
Falei demais.
Me expus demais.
Fui soterrado por uma
avalanche de emoções,
de sugestões, de
palpites.
Ganhei de graça, sem pedir,
mapas guias e roteiros
que não sou obrigado a
seguir.
Mas me alertaram:
"você está
avisado!"
Tracei meus planos, plena
dor,
me resolvi.
Eis que uma volta
- reviravolta? -
me leva ao mesmo lugar,
mesma situação.
Mesmo andar opressivo
na contrária direção
aonde tinha decidido não ir!
Falei demais.
Me expus demais.
coloquei-me em cheque,
tantas "várias"
frentes,
nem dou conta mais.
Andei na corda
sem rede abaixo.
Ainda que por um fio, não
caí...
Mas...
Abaixo está o vazio,
o abismo dos meus ideais.
O que quero pra frente,
o que deixo pra trás.
Não rompo o casulo,
não saio do ovo,
apesar do esforço...
Não tenho medo,
não tenho coragem,
não tenho mais planos.
Apenas esculpo a imagem
na espuma de sabão e
segredo.
Falei demais.
Me expus demais.
Agora me vejo na
contingência
de me tirar de cartaz.[Adhemar - São Paulo, 14/03/2018]
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