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domingo, 22 de abril de 2018

AMIZADE SUSPEITA

O prazer de ver-te
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar

Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim

Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...

A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...

Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...

No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...


[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]

domingo, 15 de abril de 2018

VAGA

Estava perdido
um sinal apontou novo caminho
ainda que conhecido
desbravando o colonizado

Estava desgarrado
meu rebanho passou d'outro lado
um velho desvio
conhecido e ignorado

Estava desiludido
uma luz acendeu
mensagem brilhante de opaco sentido
lindamente desfigurado

Estava sentado
um hino tocou
a banda passou 
levantei-me
havia alguém mais cansado


[Adhemar - São Paulo,13/05/2015]

domingo, 8 de abril de 2018

PALIDEZ

"Harmony does not exist, my love, harmony does not exist"
[MAC-100, Swarovski, Milão, 2010 (foto: Adh2bs)]

Uma lembrança cruel tomou corpo,
invadiu minha impaciência.
Me cercou, circundou e zombou
desenterrando um velho cadáver.
Expulsou um sentimento,
emoldurou o teu rosto.
Emoldurou teu sorriso,
imortalizou o teu gesto.
Gravou tua voz,
imprimiu - ou impôs - teu olhar.

Uma lembrança cruel escarneceu
o curto tempo de então.
Não comoveu nem lamentou
os diferentes rumos que tomamos.
Você sumiu para sempre,
só essa lembrança restou.
Cruel ela se levanta, 
pra me assombrar, meu amor.


Para um dos fantasmas d'antanho...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]

EXIBIÇÃO

Falei demais.
Me expus demais.
Fui soterrado por uma avalanche de emoções,
de sugestões, de palpites.
Ganhei de graça, sem pedir,
mapas guias e roteiros
que não sou obrigado a seguir.
Mas me alertaram:
"você está avisado!"

Tracei meus planos, plena dor,
me resolvi.
Eis que uma volta
- reviravolta? - 
me leva ao mesmo lugar,
mesma situação.
Mesmo andar opressivo
na contrária direção
aonde tinha decidido não ir!

Falei demais.
Me expus demais.
coloquei-me em cheque,
tantas "várias" frentes,
nem dou conta mais.
Andei na corda
sem rede abaixo.
Ainda que por um fio, não caí...
Mas...
Abaixo está o vazio,
o abismo dos meus ideais.
O que quero pra frente,
o que deixo pra trás.

Não rompo o casulo,
não saio do ovo,
apesar do esforço...
Não tenho medo,
não tenho coragem,
não tenho mais planos.
Apenas esculpo a imagem
na espuma de sabão e segredo.

Falei demais.
Me expus demais.
Agora me vejo na contingência
de me tirar de cartaz.

[Adhemar - São Paulo, 14/03/2018]