Se eu pudesse falar das coisas simples,
essas que brotam espontâneas
ou no coração ou noutras praças;
talvez ruborizasse,
ou ficasse sem graça;
talvez me entusiasmasse
e em altos brados... bradaria.
Transformaria tais dizeres num discurso
e nem a muito pulso calaria.
Não esperava um pouco
nem deixava pra outro dia.
Certamente ficaria rouco
e vermelho de sem fôlego.
Talvez eu imprimisse um pouco de poesia
e na dureza das palavras
diluísse um pouco de doçura.
Na loucura do assunto e da ironia
eu não me importaria
de emprestar alguma lucidez;
ou então quem sabe,
também talvez,
embutisse umas piadas
recheando de infames trocadilhos,
desbocados, chulos palavrões
e termos bem fora dos trilhos.
Enfim,
se eu pudesse falar das coisas simples
eu as complicaria!
Enfim,
seria essa toda a minha obra:
a poesia de uma vida
mais um dia!
[Adhemar - São Paulo, 21/06/2010]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
sexta-feira, 22 de junho de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
SAÍDA POR CIMA
Deixe cair o que for preciso.
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]
sábado, 2 de junho de 2018
ESTAÇÃO 55
Estar com mais dúvidas aos 55
anos do que se tinha aos 20; será normal?
Não lembro se escrevi algo
quando fiz 50. Aos 51, lembro-me de ter escrito algo – que não recordo se
tornei público – intitulado “meio século mais um”. Nunca dei muita bola pra
esse negócio do meu próprio aniversário, embora sempre faça uma reflexão nessa
época, parecida com a de final de ano; balanço semestral, saca? Vantagem (?!)
de aniversariar no meio do ano...
Acho bacana as pessoas te
cumprimentarem; mas me bate sempre um remorso porque quase nunca eu lembro do aniversário
de quase todo mundo... Nesse ponto, bendito facebook, que nos lembra! Embora eu
seja um “facebooker” bissexto, acabo mandando um parabéns ou outro pro pessoal
da minha lista, mesmo meio atrasado.
Meio século mais cinco... Ou, “meio
século mais um lustro”, como diria o meu avô...
Nessas reflexões deste ano me
lembrei, com saudade, dos entes queridos ausentes. Pai, mãe, avós, tios... O
que será que passavam, ou pensavam, aos 55 anos? Será que tinham dúvidas? Será
que já tinham planejado esse futuro cada vez mais curto? Eu ainda tenho planos:
minha principal meta agora é ver o meu caçula formado. As outras dizem respeito
a trabalho, ainda na esperança de fazer o calço nem começado de garantir a
renda da velhice; e viajar, se possível em todos os próximos anos que Deus me
conceder. Uma ou outra meta ligada a vaidade: publicar uns livros. São 5
projetos: dois estão esboçados (um mais avançado do que o outro), um em forma
de roteiro e outros dois só na cachola mesmo.
Aos 55 a gente nem dorme
direito, que dirá sonhar... Sonhar com
um mundo mais justo, com pessoas mais compreensivas e menos egoístas... Essas
utopias não me comovem mais, infelizmente. Aperfeiçoar a espiritualidade? Tem
gente querendo me convencer que a alma morre junto com a carcaça. Sério?! Ainda
prefiro o otimismo dos espíritas...
Gostaria mesmo é de aperfeiçoar
o comportamento: ser mais comedido, cuidar mais da “machina”, que anda muito
grande e meio emperrada. Gostaria de ser mais concentrado, menos distraído;
perdi outro aparelho celular. Se não me engano, o sexto em menos de três anos!
Para provar essa excessiva distração e alheamento, o rascunho deste texto está
num caderno com capa e contracapa parecidos; comecei escrevendo, sem perceber,
com o caderno de cabeça pra baixo... Resultado: após duas páginas dei com outro
texto escrito invertido (isto é, estava certo...). Aí, você inverte o caderno e
“volta pra frente” para achar as outras páginas que, agora sim, estão em pé
como deve estar um privilegiado ser humano de – ou – aos 55 anos!
Meu muito obrigado a todos
aqueles que enviaram seus cumprimentos e a todos aqueles que tiveram a
paciência de ler este texto até aqui.
Abração!
Adhemar
– São Paulo, 01/06/2018
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