Pesquisar este blog

sábado, 15 de dezembro de 2018

TATO


Desperto refém de sensações;
da ausência de alguém...
Alguém que não conheço
ou conheço e não sei quem.

Desperto desatento
nessa busca por ninguém.
Ninguém que eu conheço
ou conheço: será quem...?!

Desperto concentrado
nessa ausência de alguém
- quem sabe quem -
não conheço ou conheço e é alguém;
alguém que não esqueço, mas não lembro:
 me emociona e vai além.

Desperto abraçado
na saudade dessa ausência
que é crueldade de alguém;
me conhece ou não conhece,
me tortura e me contém.

Desperto embevecido,
emocionado e refém...

Desperto preocupado
se esse alguém tem me buscado,
procurado ou esquecido
sem um guia, sem ninguém.

Desperto desorientado nesse vácuo;
vasto espaço, coração desocupado...

Desperto amargurado,
entristecido e solitário,
vagabundo e milionário
mas mendigo de afago.

Desperto na esperança,
no pra trás e no passado.

Adormeço abraçado
na saudade dessa ausência...
Personagem inventado
que nenhuma importância agora tem...


[Adhemar - São Paulo, 26/05/2018]

Nenhum comentário: