Na solidão encontro tantos erros...
Erros de gestão.
Lavo as mãos,
para ter a cabeça entre elas.
Na solidão o olhar se perde
na profundezas do finito.
É;
há um fundo atrás dessa bruma,
um beco no precipício.
As mãos - limpas - soltam a cabeça.
O entorno não gira,
por mais que pareça.
Na solidão
uma rima perdida dá um ar de poesia
na prosa careta.
No silêncio,
que é a solidão da música,
há um quê de solene,
há uma frieza tão funda
que não inaugura uma nota sequer.
Os erros gritam;
surdamente,
pra enlouquecer essa solidão
de incompetência e tristeza.
Na solidão
o fracasso possível se torna certeza.
Um abraço de aço,
um aperto tão forte,
respiração suspensa.
Coração, por favor,
aguenta a pressão,
a pancada e a sentença.
A solidão é essa condenação;
sem julgamento e intensa.
O silêncio é um irmão,
a verdade compensa.
A vaidade inexiste,
a ambição é suspensa.
Cada erro, então,
é uma ingrata surpresa.
O silêncio é um chão
de uma rara dureza.
Na solidão...
encontro tantos erros.
Sem conserto, sem sorte,
sem rendição.
Sem vida, sem morte,
sem direção.
Sem barulho, sem mote,
sem diversão.
Na solidão
encontro o silêncio,
barulhento e forte.
Nas mãos encontro instrumentos
para abafar o silêncio.
No silêncio
encontro o escuro da noite,
o cintilar das estrelas
e o luar dos acertos.
Na escuridão
encontro as soluções do futuro:
enterrar os erros.
Solidão...
Folhas molhadas de umas poucas lágrimas.
Jogo fora o mapa dessa fuga
para a solidão silenciosa
e volto para a luz do dia,
acompanhada e ruidosa.
[Adhemar - São Pauilo, 18/08/2018]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
CERTEZAS
Vou marchando resoluto,
meio puto,
mas cheio de certezas;
dessas que vacilam muito,
não têm arte nem beleza...
Vou seguindo um improviso,
sem aviso,
mas agora vou em frente.
Vou sem freio, sem juízo,
decidido e ardente.
O destino eu desconheço,
não tem preço,
mas uma vaga ideia;
chuva ou frio, sem adereço,
mas a força é velha...
Vou ao sol, ou ao relento,
rabugento...
Mas, pedi a Deus um guia;
um guia, um alô, um elemento
que me acompanhe nessa vida...
[Adhemar - São Paulo, 29/12/2018]
CRENÇAS
meio puto,
mas cheio de certezas;
dessas que vacilam muito,
não têm arte nem beleza...
Vou seguindo um improviso,
sem aviso,
mas agora vou em frente.
Vou sem freio, sem juízo,
decidido e ardente.
O destino eu desconheço,
não tem preço,
mas uma vaga ideia;
chuva ou frio, sem adereço,
mas a força é velha...
Vou ao sol, ou ao relento,
rabugento...
Mas, pedi a Deus um guia;
um guia, um alô, um elemento
que me acompanhe nessa vida...
[Adhemar - São Paulo, 29/12/2018]
CRENÇAS
É o texto mais "light" encontrado dentre os escritos há cerca de um ano. Profético: Deus atendeu ao pedido.
Adh, 24/12/2019
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
"METAMORFASES"
Então, foi assim.
Morri um pouco.
Mundo caído,
Sonhos desfeitos,
Projetos interrompidos.
Paixão extinta.
"Semidespertei"
Abri um olho,
Tomei decisões.
Vacilantes.
Hesitantes.
Naquele momento,
Ainda presas a um passado querido...
Iniciei uma busca.
Várias experiências:
Algumas vexatórias,
Outras hilariantes;
Mas a maioria foi muito humana.
Me disseram de novo
O que eu precisava ouvir.
Mas não ouvia.
Foram muitos modos diferentes,
sempre interessados em mim.
No meu resgate.
Até que alguém fez
Quase eclodir;
Que não se deu por uma ironia do tempo,
Uma suave assincronia...
Ainda faltava algo...
Enfim, RENASCI.
Trazido novamente à luz
Após um um impulso repentino.
Inesperado.
Após um movimento instintivo,
Involuntário,
Que me colocou na tela de um radar antenado.
Que sorriu pra mim.
Que me viu profundamente.
Falou de novo tudo o que eu já havia escutado.
Mais intensamente.
Mais decidida.
Me empurrou fortemente.
Impertinente porque assustada
Com tanto potencial desperdiçado em mim
Que ela enxergava na minha apatia,
Na minha indiferença comedida.
Salto sem paraquedas.
Só que o apoio estava presente,
de mãos estendidas.
Pra que não restassem dúvidas,
Se expôs completamente.
Situação, intenções,
planos pro futuro.
Meu futuro passou a ter mais razões então.
O coração irradiado de uma nova energia,
De uma nova luz.
Amando plenamente outra vez!
Agora voa em pleno dia,
Sem medo, sem amarras:
Veloz.
[P/ ACC]
Adhemar - São Paulo, 10/12/2019
Morri um pouco.
Mundo caído,
Sonhos desfeitos,
Projetos interrompidos.
Paixão extinta.
"Semidespertei"
Abri um olho,
Tomei decisões.
Vacilantes.
Hesitantes.
Naquele momento,
Ainda presas a um passado querido...
Iniciei uma busca.
Várias experiências:
Algumas vexatórias,
Outras hilariantes;
Mas a maioria foi muito humana.
Me disseram de novo
O que eu precisava ouvir.
Mas não ouvia.
Foram muitos modos diferentes,
sempre interessados em mim.
No meu resgate.
Até que alguém fez
Quase eclodir;
Que não se deu por uma ironia do tempo,
Uma suave assincronia...
Ainda faltava algo...
Enfim, RENASCI.
Trazido novamente à luz
Após um um impulso repentino.
Inesperado.
Após um movimento instintivo,
Involuntário,
Que me colocou na tela de um radar antenado.
Que sorriu pra mim.
Que me viu profundamente.
Falou de novo tudo o que eu já havia escutado.
Mais intensamente.
Mais decidida.
Me empurrou fortemente.
Impertinente porque assustada
Com tanto potencial desperdiçado em mim
Que ela enxergava na minha apatia,
Na minha indiferença comedida.
Salto sem paraquedas.
Só que o apoio estava presente,
de mãos estendidas.
Pra que não restassem dúvidas,
Se expôs completamente.
Situação, intenções,
planos pro futuro.
Meu futuro passou a ter mais razões então.
O coração irradiado de uma nova energia,
De uma nova luz.
Amando plenamente outra vez!
Agora voa em pleno dia,
Sem medo, sem amarras:
Veloz.
[P/ ACC]
Adhemar - São Paulo, 10/12/2019
sábado, 30 de novembro de 2019
RASTEIRA
Lá se foi a minha santa paciência
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...
Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade
Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...
Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...
Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada
Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade
Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção
Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...
Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...
[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...
Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade
Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...
Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...
Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada
Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade
Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção
Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...
Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...
[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]
domingo, 24 de novembro de 2019
"DIMINUINTE"
Abandonei pensamentos no caminho.
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...
Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.
Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.
Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...
Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.
Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!
... Na última linha da poesia decrescente...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...
Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.
Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.
Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...
Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.
Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!
... Na última linha da poesia decrescente...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
domingo, 17 de novembro de 2019
MATINAL
São seis horas da manhã chuvosa
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno
São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!
Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios.
Inventados.
Velhacos.
São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...
São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.
[Adhemar - São Paulo, 16/11/2019]
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno
São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!
Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios.
Inventados.
Velhacos.
São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...
São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.
[Adhemar - São Paulo, 16/11/2019]
sábado, 16 de novembro de 2019
"PALIVRES"
Metáforas insuficientes.
Sutis demais.
Palavras rebuscadas,
pouco eficientes.
Anárquicas.
Incitantes.
Instigantes.
Revolucionárias.
Incoerentes.
Manifestam-se de pijama.
Acomodadas.
Contraditórias.
Convencidas.
Convictas...
Hesitantes?!
Metáforas artísticas.
Pernósticas.
Arrogantes.
Infelizes.Opressivas.
Impactantes.
Apresentadas em lindos pacotes.
Malcheirosas.
Indecentes.
Chegam como se fossem presentes.
Produzem efeitos inesperados.
Desesperados.
Eufóricos.
Mas, são apenas palavras.
Doentes.
Saudáveis.
Saudosas...
[Adhemar - São Paulo, 15/11/2019]
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
DÍVIDA
O crediário é um futuro comprometido.
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
COTIDIANO
Ontem foi um dia estranho,
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
terça-feira, 8 de outubro de 2019
VOUCHER
Eu que pensei...
ousei pensar!
Que aprendera a interpretar
o silêncio.
Que saberia, das palavras a
ausência
o que elas desejariam
significar...
Julguei poder oferecer
esse pouco que sou, como
sou,
para quem quisesse conhecer
- e apreciar -
com uma certa riqueza de
razão.
Ousei pensar,
não sem uma certa emoção,
que haveria de encontrar
uma outra alma aventureira
que se se atreveria a se
atirar
sem rede nem proteção
nesse imenso abismo
confortável
de mãos dadas e sorrisos...
Ousei pensar
que cavaria por abrigos
a quatro mãos...
Que haveria de dormir - e
levantar -
no calor da companhia
dessa aventureira
alvissareira,
maravilhosa e faceira.
Que compartilharia alguns
momentos
- ainda que de poucos tempos
-
nessa empresa com um sócio
dedicado...
Ousei pensar
que não seria mais uma
ilusão...
[Adhemar - São Paulo,
16/07/2019]
domingo, 6 de outubro de 2019
GARRAFA
Imerso no silêncio
contemplo o mar imenso.
Quantas mensagens
engarrafadas,
afogadas,
perdidas, errantes,
nunca interpretadas...
Cinza azul
amarelado do poente.
Melancólica
nostalgia
por essas
mensagens,
engarrafadas,
que se
perderam,
jamais lidas...
Imerso na
saudade
dessas
mensagens nunca encontradas
penso... Penso
nas poesias...
Quantas poesias
escritas
perdidas,
errantes,
jamais lidas...
Quantas
palavras perdidas
em pedidos de
socorro e declarações de amor,
em lamentos
inúteis e celebrações exaltadas,
engarrafadas,
imersas nesse
mar imenso
de saudade e de
silêncio...
[Adhemar - São Paulo, 27/09/2018]
sábado, 21 de setembro de 2019
SOUVENIR
De tanto ficar deitado
o corpo todo doeu
De tanto desencontrar
o que se devia falar se escreveu
Mal entendido
quanto mais explicado
mais confundido
mais complicado
Esperar uma palavra qualquer
ou no correio - que viesse escrita -
ou no telefone - para ser ouvida -
era bom ter
Até na janela, se chegasse bonita
entrando aqui
pra gente se entender
Agora, nada disso é possível
Só em sonho, poesia ou histórias
Mas enfim, pode crer, foi incrível
te gostar, te perder, te segurar na memória...
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 19/09/1987]
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
DECEPÇÃO À ESPREITA
Noite pior que escura:
mal iluminada.
Te vejo em várias esquinas;
mas...
Sempre acompanhada.
Acompanhada
muito mais do que só por suas pernas esguias,
bem torneadas...
Acompanhada, sempre,
por uma sombra mal
delineada.
Uma sombra,
de rua mal iluminada.
Uma espécie de aura
- maldita ou abençoada
-
que te protege e te
acompanha,
me evita e te salva.
Noite pior que escura:
cheia de solidão...
e de Nada.
[Adhemar - São Paulo,
28/02/2017]
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
CRACHÁ
Identidade, DNA.
Desenho no espaço.
Brilho de estrela.
Papel, cartão, carteira.
Persona, VIP.
Número na lista.
Ideário.
Filosofia.
Mal traçadas linhas.
Querido diário...
Ideologia.
Metáforas.
Analogia.
O time.
A profissão e todas as preferências.
Caráter.
A roupa.
Cabelo e sorriso.
A letra, a caligrafia.
O jeito de andar.
O grau dos óculos.
O grau da miopia...
O que come.
O que fala.
O jardim.
A pausa entre um olhar e outro.
O gesto.
Aceno e abraço.
Pensamento secreto.
Vida paralela (no imaginário).
Ser e estar.
Passaporte.
Lugar, lugares.
E a foto.
[Adhemar - São paulo, 25/11/2011]
Desenho no espaço.
Brilho de estrela.
Papel, cartão, carteira.
Persona, VIP.
Número na lista.
Ideário.
Filosofia.
Mal traçadas linhas.
Querido diário...
Ideologia.
Metáforas.
Analogia.
O time.
A profissão e todas as preferências.
Caráter.
A roupa.
Cabelo e sorriso.
A letra, a caligrafia.
O jeito de andar.
O grau dos óculos.
O grau da miopia...
O que come.
O que fala.
O jardim.
A pausa entre um olhar e outro.
O gesto.
Aceno e abraço.
Pensamento secreto.
Vida paralela (no imaginário).
Ser e estar.
Passaporte.
Lugar, lugares.
E a foto.
[Adhemar - São paulo, 25/11/2011]
sábado, 31 de agosto de 2019
SOBREVIVÊNCIA E CAOS
Qual o caos que te comove?
Em quais cais ancorarás?!
Se a canção caução envolve
em qual calçada andarás?
Vamos louvar esse love
que onde more morrerá
completo e pleno de glória;
em que estado estará
quando vier a vitória?
Em seu humor louvará
dizendo "isto é história"
estando e enfrentando
luta disputa será.
Truque na troca da escória
em forno forte restará
base da bossa e da chama
pavio em cera será.
Não viu navio ancorado
coragem viva vencerá.
Por toda a noite anotando
o vencido convencimento,
dando um alô ao alento
num doce descendo.
Se por acaso acabar
o amor aumentando
o volume velará
vela ao vento voltando
da viagem que fará.
Segue a Deus o adeus
que se despirá despistando
os cacos dodecafônicos
dos cacófatos se espalhando...
[Adhemar - São Paulo,15 a 31/08/2019]
Em quais cais ancorarás?!
Se a canção caução envolve
em qual calçada andarás?
Vamos louvar esse love
que onde more morrerá
completo e pleno de glória;
em que estado estará
quando vier a vitória?
Em seu humor louvará
dizendo "isto é história"
estando e enfrentando
luta disputa será.
Truque na troca da escória
em forno forte restará
base da bossa e da chama
pavio em cera será.
Não viu navio ancorado
coragem viva vencerá.
Por toda a noite anotando
o vencido convencimento,
dando um alô ao alento
num doce descendo.
Se por acaso acabar
o amor aumentando
o volume velará
vela ao vento voltando
da viagem que fará.
Segue a Deus o adeus
que se despirá despistando
os cacos dodecafônicos
dos cacófatos se espalhando...
[Adhemar - São Paulo,15 a 31/08/2019]
sábado, 24 de agosto de 2019
ARREMEDO
Não só de
belas palavras vive a poesia
Nem só de
rotina vive o dia-a-dia
Bombeiros são
enchentes, são incêndios,
E os livros
são figuras, além das palavras...
Além do
sentido expresso há os ocultos
Além do
sentimento vive o pulso
Médicos não
curam romantismo agudo
E as
enciclopédias são um testemunho mudo...
A mente
carrega seus compêndios
Os marinheiros
somem, mar adentro
Os navios
talvez naveguem ou afundem
E o horizonte
é mais que a linha ao longe...
[Adhemar – São Paulo, 12/12/2008]
CARICATURA
Texto
iniciado na data assinada, mas cuja última estrofe foi redigida em 01/04/2010...
Parece mentira... Um ano e quase quatro meses perdido no meio de um caderno pra
afundar, mar adentro, antes da linha ao longe!
Adh
– 24/08/2019
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
APOSTA
Aposta,
um jogo;
repetitivo,
perigoso.
Sílabas
entrecortadas
num
blefe desastroso.
Nova
aposta,
cacife
estourado.
Um
olhar enviesado,
um
uísque derramado;
honra
arranhada.
Dinheiro
esgotado,
paciência
acabada.
Um
decote indecoroso,
um
olhar admirado
no
meio da tensão criada.
A
criada dá as costas,
sai
da sala indiferente
ao
destino do jogador mais destemido:
idiota
e atrevido
que
vai perder a vida,
por
nada.
Nem
ganhou no jogo,
nem
arrumou namorada.
Está
com uma arma na cara
e,
mesmo assim, sobe a aposta:
quem
sabe, uma última cartada...?!
[Adhemar - São Paulo, 28/02/2017]
sábado, 17 de agosto de 2019
IBÉRICOS
Quando
eu for andar em terras de El Rey
Quero
ver tudo que a vista possa alcançar,
Inda
que das lusitanas fronteiras ir além,
Espanha
e outras d’além mar.
Nessa
Lisboa do Chiado ao Alcazar
No
Porto e suas pontes evidentes
Na
Galícia de Espanha um português a escutar
E
castanholas também, logicamente.
De
Belém degustar uns pasteizinhos
E
da península bons vinhos
Como
em nenhum lugar ‘inda se viu
E,
quem sabe, numa sorte comezinha,
Nunca
mais hei de voltar para o Brasil...
[Adhemar - São Paulo, 13/02/2014]
IBÉRICOS DELÍRIOS
Logo eu, que amo tanto isto aqui...
Adh, 17/08/2019
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
QUENTURA
Num súbito calor, acordar.
Pele e sensações se estranhando,
ardores misturados com emoções.
Lágrimas contidas.
Saudade derrubada da cama,
jaz ali, estirada no chão.
O coração aos pulos,
em batidas apressadas,
enquanto as mãos seguram o suor.
Súbita febre, semiconsciência.
Um formigamento pelo corpo,
interestelar...!
Poeira cósmica ralada,
de tantos sentimentos sem conflitos,
sem contradições:
apenas sentimentos.
Fotos sem foco,
que num súbito calor te fazem acordar.
O corpo todo efervescendo,
ressuscitando dos sonhos,
do torpor de amar...
Como se a cama, uma piscina,
servisse apenas para esse... mergulhar...
Insano mas autêntico
ao ponto de nos desorientar;
porque ao sentir essa febre,
esse calor,
não saber se a gente ainda está dormindo
ou se acorda pra sonhar...
[Adhemar - São Paulo, 13/08/2019]
Pele e sensações se estranhando,
ardores misturados com emoções.
Lágrimas contidas.
Saudade derrubada da cama,
jaz ali, estirada no chão.
O coração aos pulos,
em batidas apressadas,
enquanto as mãos seguram o suor.
Súbita febre, semiconsciência.
Um formigamento pelo corpo,
interestelar...!
Poeira cósmica ralada,
de tantos sentimentos sem conflitos,
sem contradições:
apenas sentimentos.
Fotos sem foco,
que num súbito calor te fazem acordar.
O corpo todo efervescendo,
ressuscitando dos sonhos,
do torpor de amar...
Como se a cama, uma piscina,
servisse apenas para esse... mergulhar...
Insano mas autêntico
ao ponto de nos desorientar;
porque ao sentir essa febre,
esse calor,
não saber se a gente ainda está dormindo
ou se acorda pra sonhar...
[Adhemar - São Paulo, 13/08/2019]
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
ELO... QUENTE!
Tomar uma coca-cólica
ou um gim túnica
é uma viagem única
é uma triagem cínica
Vestir um brim cadeira
é um quedar cansado
estar um nu apelado
é uma voltagem tônica
Aguardar numa fila harmônica
só tomando um chá pardo
onde quem diz "crime e nado"
é um homem nauseado
Por fim pegamos quem mede-se
protegendo mal às artes
pra comprar terra à crédito
pra revender terra à vista
Pra vigiar sua avezinha
mantendo-se com postura
no rasgo que se costura
e procurar: cadê linha?
O bafo de quem tomou vinho
na ressaca puxada
vendo que a tartaruga começa
onde o jabuti 'caba...
[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]
Ex... pelos
Associação aleatória de cacófatos.
Adh, 01/08/2019
domingo, 28 de julho de 2019
MARIONETES
[Imagem: do blog "ENTRADA FRANCA - Reflexões Sociais e Políticas" (Paula Rosa)]
Fios tensos conduzem
mas prendem
O que importa saber
é quem os comanda
O que importa entender
é se permitimos ou não... nos levar
Fios invisíveis
que sabemos coloridos
contradição... transparente
Fantoches, fantasmas
O que importa saber
é se somos conscientes
inconsistentes
ou persistentes
Fios tensos...
mas limitam
O que importa saber
é se permitimos estender
ou pendurar
panos neles
ou contas
ou desafios
ou descontos
Fios tortos
intensos
O que importa saber
é se eles conseguem reter
as gotas do orvalho
para dividirem a luz
O que importa saber
é se eles te mostram os atalhos
ou se vão te largar de repente
te amarrar e te prender
[Adhemar - São Paulo, 25/01/2019]
domingo, 21 de julho de 2019
"FRAGELO"
Elo quebrado
Não parecia tão frágil
Transformado
Incompreendido
Inconsertável
Drama, flagelo
O amor inconformado
Com a dor
Com a perda
Com o passado
Construções acabadas
O jardim desconfortável
Um pra sempre tão curto
Tão incerto
Insustentável
Um pode ser que não foi;
Só o respeito sobra inatacável
Defunto insepulto
Este "nunca mais"
É o "fragelo" do adeus inevitável...
[Adhemar - 07/02/2018]
Não parecia tão frágil
Transformado
Incompreendido
Inconsertável
Drama, flagelo
O amor inconformado
Com a dor
Com a perda
Com o passado
Construções acabadas
O jardim desconfortável
Um pra sempre tão curto
Tão incerto
Insustentável
Um pode ser que não foi;
Só o respeito sobra inatacável
Defunto insepulto
Este "nunca mais"
É o "fragelo" do adeus inevitável...
[Adhemar - 07/02/2018]
domingo, 14 de julho de 2019
"SIMBOLIMBO"
O pensamento que deu muitas voltas
é um pensamento revoltado;
é um pensamento de volta,
um pensamento devoto.
Um passamento.
Um devotado "assamento".
Jogado assim nesse jogo,
o jogo do jugo, momento,
a dó do jumento.
Assim já um aumento;
cão inteligente: um au-mento.
Pedras no gato do muro,
perdas no gasto do murro,
marras ao gosto do burro;
do engaste no morro soturno.
Sortudo, feliz desenlace,
e o mundo no meio de tudo.
[Adhemar - São Paulo, 21/10/2010]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
sábado, 13 de julho de 2019
CONTrA
Os ponteiRos estão coRRendo agoRa.
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
quarta-feira, 10 de julho de 2019
O CÂNTICO DA TERRA (Cora Coralina)
Eu sou a
terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
eu sou o
amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia,
bem
distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e
da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Ana Lins
do Guimarães Peixoto Brêtas
Fonte: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/
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