Se de uma lágrima pingente
surgir uma mensagem linda;
multiplicada em cores,
decomposta pela gota prisma
eu quero tê-la.
Ou, se puder, quero fazê-la.
Se cada página poesia
fosse uma gota de lágrima,
tantos prismas haveria;
tantas mensagens,
um oceano de palavras coloridas
a te cercar feito a uma ilha...
Se de uma umidade tímida
surgir a cristalina gota de um olho;
olho-espelho do interior confuso
e embaraçado peito,
quero retê-la.
Ou, se puder, interpretá-la,
pois cada pétala de flor é um poema
de mil significâncias lindas,
pois em todos os teus olhos espelhados se refletem
como uma tímida gota de orvalho.
Se do mais inesperado gesto
surgir esculpida uma emotiva atitude;
endereçada à virtude de amar ainda,
quero guardá-la.
Pois se o futuro, confundido com o destino,
reservar passagem na celestial passada desta fase,
levo comigo o revoar tão belo
do teu olhar perdido
no infinito pôr-do-sol que,
dele refletido,
vem recriar uma lágrima pingente
cuja umidade tímida
faz com que eu faça,
em teu direito,
o inesperado e previsível gesto.
Raio de sol na lágrima-orvalho,
um prisma colorido.
P/ BSF
[São Paulo, 17 de junho de 1988]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 17 de março de 2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
ROMPIMENTO
Uma vida é um livro em capítulos. Ou, é uma obra em vários tomos. Temo que o volume atual que estamos vivendo esteja em seu epílogo.
Finalmente foi rompido o silêncio. O desnecessário silêncio do desentendimento. Foi rompido para se assinar um tratado. A linha de Tordesilhas de um descasamento. Foi decidido o futuro, desalinhado, descosido e bifurcado. Cada um com um novo mato numa trilha diferente, independente. Cada um com saudades na mochila; mas, pra frente.
Este livro acaba num capítulo de promessas rompidas. Interrompidas... Pela sanidade e provimento. Provimento do respeito que não deve ser perdido. Venha lá outro volume desta obra inacabada. Aliás, dois volumes agora... A história desdobrada. A história de cada um sendo contada em separado. Cada um em um novo livro, com novas aventuras, o teste do que somos capazes sem o apoio da metade arrancada: sim, arrancada. Mesmo cordialmente, mesmo consensual é dolorida, é estranha... Mesmo há tanto tempo anunciada é atroz, inesperada...
Vamos ter que nascer outra vez para viver de forma errada. Pois que sim; eu, sem você, não sou mais nada.
P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 21/01/2018]
sexta-feira, 8 de março de 2019
MAIS... MAR...
Foto de Arquivo (Archillect)
Tentei conter a lembrança,
reter na memória o teu olhar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de lembrar.
A voz silenciada,
contida na mais profunda dor,
afogada numa onda rasa
que levou o teu amor...
Tentei conter a saudade
que faz esse barco se afastar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de aguentar.
Tentei ressuscitar
os momentos mais felizes que vivi só.
Mas, todos eles afundaram
nessa maré de paixão que foi você...
Agora, içando as velas,
não vejo a hora de zarpar.
Ir para bem longe
outras terras desbravar...
Tentei chorar de novo,
pra subir essa maré que foi você;
e afogar tanto sentimento que 'inda resta,
mas, que eu nem sei aonde colocar...
Vai comigo,
qual bagagem indispensável;
vai me seguir pra sempre,
para onde quer que eu vá...
[Adhemar - São Caetano do Sul, 08/03/2019]
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