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domingo, 17 de março de 2019

PRISMA

Se de uma lágrima pingente
surgir uma mensagem linda;
multiplicada em cores,
decomposta pela gota prisma
eu quero tê-la.
Ou, se puder, quero fazê-la.
Se cada página poesia 
fosse uma gota de lágrima,
tantos prismas haveria;
tantas mensagens,
um oceano de palavras coloridas
a te cercar feito a uma ilha...

Se de uma umidade tímida
surgir a cristalina gota de um olho;
olho-espelho do interior confuso
e embaraçado peito,
quero retê-la.
Ou, se puder, interpretá-la,
pois cada pétala de flor é um poema
de mil significâncias lindas,
pois em todos os teus olhos espelhados se refletem
como uma tímida gota de orvalho.

Se do mais inesperado gesto
surgir esculpida uma emotiva atitude;
endereçada à virtude de amar ainda,
quero guardá-la.
Pois se o futuro, confundido com o destino, 
reservar passagem na celestial passada desta fase,
levo comigo o revoar tão belo
do teu olhar perdido
no infinito pôr-do-sol que,
dele refletido,
vem recriar uma lágrima pingente
cuja umidade tímida
faz com que eu faça,
em teu direito, 
o inesperado e previsível gesto.

Raio de sol na lágrima-orvalho,
um prisma colorido.


P/ BSF
[São Paulo, 17 de junho de 1988]

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