Raios cintilantes.
Aquela "rachadura" azul no céu,
que brilha.
No céu ou no mel?
Abelhuda indagação.
Cabelos abobalhados,
pensamentos-raiz.
Centelhas rutilantes,
filhas da fusão.
Amor, diamantes, confusão.
Têmporas suadas.
Rubor nas mãos.
Pedras estranhas e abençoadas,
alimento, limão.
Ah! Palavras temperadas,
maré de vaguidão...
Barco à vela ao vento.
O leme é o coração.
No espaço,
outros planetas.
Órbitas, cometas,
estrelas decadentes...
A boca morta
mostra os dentes.
A miséria
mostra os doentes.
O fogo devora a mente,
as cinzas pedem perdão.
O Sol é um depoente,
a metáfora não.
Chuva sêca.
Falta luz na escuridão.
[Adhemar - São Paulo, 03/09/2018]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
terça-feira, 30 de abril de 2019
quinta-feira, 25 de abril de 2019
HEMORRAGIA
Sangro em tantos pontos
que nem tento estancar...
Choro tantas lágrimas...
Salgadas, misturadas ao sangue
que não para de escoar.
Fui vazado no peito, nas costas,
no rosto, nas mãos e nas pernas.
Fui coberto por esse manto vermelho
diluído na água dos olhos.
Água que não vai me lavar,
que não vai me livrar
das manchas de sangue que vão ficar.
Dói tanta coisa...
Nem sei onde começar...
Vista turva, pernas dormentes.
A dor mente,
é mais do que aparenta.
Sangro em tantos pontos,
doloridos, crispadas as mãos...
Choro um pranto tanto,
panos limpos...
Grito sem eco...
Escuto essa dor em silêncio,
o sangue escorrendo,
o pranto salgando...
Deito em desassossego.
Um desacerto desse "eu mesmo".
Tento dormir num sonho
de sangrar dolorido,
o tempo inteiro...
[Adhemar - São Paulo, 29/08/2018]
que nem tento estancar...
Choro tantas lágrimas...
Salgadas, misturadas ao sangue
que não para de escoar.
Fui vazado no peito, nas costas,
no rosto, nas mãos e nas pernas.
Fui coberto por esse manto vermelho
diluído na água dos olhos.
Água que não vai me lavar,
que não vai me livrar
das manchas de sangue que vão ficar.
Dói tanta coisa...
Nem sei onde começar...
Vista turva, pernas dormentes.
A dor mente,
é mais do que aparenta.
Sangro em tantos pontos,
doloridos, crispadas as mãos...
Choro um pranto tanto,
panos limpos...
Grito sem eco...
Escuto essa dor em silêncio,
o sangue escorrendo,
o pranto salgando...
Deito em desassossego.
Um desacerto desse "eu mesmo".
Tento dormir num sonho
de sangrar dolorido,
o tempo inteiro...
[Adhemar - São Paulo, 29/08/2018]
segunda-feira, 15 de abril de 2019
ATRASAR
Queria mesmo, muito,
ter algo pra dizer agora.
Uma desculpa esfarrapada,
uma demora...
Queria mesmo, muito,
ter um abraço, um afago...
Um carinho qualquer guardado...
Queria, mesmo...
Também queria - mesmo, muito -
agradecer, enaltecer, aplaudir...
Ter um presente improvisado,
merecido, escolhido...
São tantos quereres acumulados...
Engasgados, atrapalhados,
amontoados e dispersos...
Alguns em prosa, alguns em versos...
Queria mesmo, muito,
outro destino, outro desenlace;
mas fico aqui, parado,
sem uma senha, sem um passe.
Queria muito, e tanto,
que me perco neste desencanto.
Conspiração do Universo:
meio fracassada, meio que sucesso.
Também queria, mesmo, muito,
saber mais palavras pra cantar meu canto,
pra escrever meu verso.
Saber mais coisas pra viver um tanto,
um pouco mais desse amor tão curto.
Queria... muito pouco,
dizer adeus, já vai, já vou...
Me atrasar para o aeroporto
e, exatamente, perder o vôo...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
ter algo pra dizer agora.
Uma desculpa esfarrapada,
uma demora...
Queria mesmo, muito,
ter um abraço, um afago...
Um carinho qualquer guardado...
Queria, mesmo...
Também queria - mesmo, muito -
agradecer, enaltecer, aplaudir...
Ter um presente improvisado,
merecido, escolhido...
São tantos quereres acumulados...
Engasgados, atrapalhados,
amontoados e dispersos...
Alguns em prosa, alguns em versos...
Queria mesmo, muito,
outro destino, outro desenlace;
mas fico aqui, parado,
sem uma senha, sem um passe.
Queria muito, e tanto,
que me perco neste desencanto.
Conspiração do Universo:
meio fracassada, meio que sucesso.
Também queria, mesmo, muito,
saber mais palavras pra cantar meu canto,
pra escrever meu verso.
Saber mais coisas pra viver um tanto,
um pouco mais desse amor tão curto.
Queria... muito pouco,
dizer adeus, já vai, já vou...
Me atrasar para o aeroporto
e, exatamente, perder o vôo...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
sábado, 6 de abril de 2019
FÉ
Renovação.
Parece que algo ligado à fé será um acontecimento inevitável; simples questão de tempo. Basta uma crença verdadeira com base em autêntica e espontânea convicção. O fato, o desenlace desejado ao alcance das mãos, desde que se tenha efetuado o alicerce, o ponto de início do processo. A intenção tornada em atos, em passos; concentração.
Algo assim passa ao largo das intempéries, das interferências, da improvisação. Ousadia e aplauso para mais do que só intenção.
[Adhemar - São Paulo, 06/04/2012]
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