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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

COTIDIANO

Ontem foi um dia estranho,
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.

Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.

Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.

Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.


[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]

terça-feira, 8 de outubro de 2019

VOUCHER


Eu que pensei... 
ousei pensar!
Que aprendera a interpretar o silêncio.
Que saberia, das palavras a ausência
o que elas desejariam significar...
Julguei poder oferecer
esse pouco que sou, como sou,
para quem quisesse conhecer - e apreciar -
com uma certa riqueza de razão.

Ousei pensar,
não sem uma certa emoção,
que haveria de encontrar
uma outra alma aventureira
que se se atreveria a se atirar
sem rede nem proteção
nesse imenso abismo confortável
de mãos dadas e sorrisos...

Ousei pensar
que cavaria por abrigos
a quatro mãos...
Que haveria de dormir - e levantar - 
no calor da companhia
dessa aventureira alvissareira,
maravilhosa e faceira.
Que compartilharia alguns momentos
- ainda que de poucos tempos - 
nessa empresa com um sócio dedicado...

Ousei pensar 
que não seria mais uma ilusão...


[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]


domingo, 6 de outubro de 2019

GARRAFA

Imerso no silêncio
contemplo o mar imenso.
Quantas mensagens engarrafadas,
afogadas,
perdidas, errantes,
nunca interpretadas...

Cinza azul amarelado do poente.
Melancólica nostalgia
por essas mensagens,
engarrafadas,
que se perderam,
jamais lidas...

Imerso na saudade
dessas mensagens nunca encontradas
penso... Penso nas poesias...
Quantas poesias escritas
perdidas, errantes,
jamais lidas...

Quantas palavras perdidas
em pedidos de socorro e declarações de amor,
em lamentos inúteis e celebrações exaltadas,
engarrafadas,
imersas nesse mar imenso

de saudade e de silêncio...


[Adhemar - São Paulo, 27/09/2018]