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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

ERROS

Na solidão encontro tantos erros...
Erros de gestão.
Lavo as mãos,
para ter a cabeça entre elas.

Na solidão o olhar se perde
na profundezas do finito.
É;
há um fundo atrás dessa bruma,
um beco no precipício.
As mãos - limpas - soltam a cabeça.
O entorno não gira,
por mais que pareça.

Na solidão
uma rima perdida dá um ar de poesia
na prosa careta.
No silêncio,
que é a solidão da música,
há um quê de solene,
há uma frieza tão funda
que não inaugura uma nota sequer.
Os erros gritam;
surdamente,
pra enlouquecer essa solidão
de incompetência e tristeza.

Na solidão
o fracasso possível se torna certeza.
Um abraço de aço,
um aperto tão forte,
respiração suspensa.
Coração, por favor,
aguenta a pressão,
a pancada e a sentença.

A solidão é essa condenação;
sem julgamento e intensa.
O silêncio é um irmão,
a verdade compensa.
A vaidade inexiste,
a ambição é suspensa.
Cada erro, então,
é uma ingrata surpresa.
O silêncio é um chão
de uma rara dureza.

Na solidão...
encontro tantos erros.
Sem conserto, sem sorte, 
sem rendição.
Sem vida, sem morte,
sem direção.
Sem barulho, sem mote,
sem diversão.

Na solidão
encontro o silêncio,
barulhento e forte.
Nas mãos encontro instrumentos
para abafar o silêncio.
No silêncio
encontro o escuro da noite,
o cintilar das estrelas
e o luar dos acertos.
Na escuridão 
encontro as soluções do futuro:
enterrar os erros.

Solidão...
Folhas molhadas de umas poucas lágrimas.
Jogo fora o mapa dessa fuga
para a solidão silenciosa
e volto para a luz do dia,
acompanhada e ruidosa.


[Adhemar - São Pauilo, 18/08/2018]

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