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domingo, 16 de setembro de 2018

PRA TRÁS, PRA FRENTE


                              Tenho folheado, periodicamente, as páginas da minha vida. Nada tenho encontrado que me envergonhe especialmente, salvo uns deslizes no trato com pessoas de quem eu gosto realmente. Vou registrando – a propósito – os meus dias de trabalho em agendas desde 1.988. Há um testemunho diário do que tenho feito e com quem tenho falado que, se não chega a ser completo, dá uma idéia geral da trajetória errática que tem sido a minha vida profissional.

                              Por fim, há também um registro especial datado e localizado do que se passa dentro de mim, além de impressões do que acontece em volta, de modo a refletir pensamentos e momentos de mutação de uma mente em permanente ebulição. Assim, com o cérebro cozido, chego à conclusão de que a gente nem muda tanto quanto vê no espelho. Cabelos brancos, rugas, os filhos crescendo, são só o lado tridimensional da nossa personalidade. No plano do papel vai estampada a nossa prosápia e a nossa pobreza.

                              Não há, além dos registros de casamento e do nascimento dos três filhos, grandes motivos de orgulho também. Se algo nos revela a nós mesmos, temo que uma certa mediocridade nos leve ao inferno. Porém é um problema de Deus que nos resgate ou nos condene em seu justo julgamento, ou nos ilumine para uma trajetória talvez suave, talvez sublime. Temo estar me transformando num autômato, lutando e me esforçando para agir com lealdade, justiça, determinação e desprendimento, mas só no embalo do que aprendi na infância, sem poder saltar para um outro trilho – seqüência difícil. Temo já estar morto e enterrado na vala das pessoas comuns, indistinguível dentro da corrente contra a qual tanto nadei. Temo aspirar somente uma felicidade material que nem sei se existe, pensando numa poltrona e uma TV.

                              Mais que tudo, temo estar me tornando um enganador, mostrando o mundo aos meus filhos de um modo distorcido como o contrário do que me mostraram. Desacreditando da ética e do paraíso, vou resistindo cada vez menos em alinhar com os profetas do apocalipse. E, mesmo assim, vou vivendo uma esperança que reside lá no fundo do meu subconsciente, que apesar dos trancos, sobrevive e resiste: a liberdade, essa enorme corrente de aço – presa a uma bola de chumbo – que existe no pensamento, que faz a gente confessar o fracasso e que acende o pavio do “tentar outra vez”; que nos enche de brio, nos condena e nos anima. E todos os dias nos pergunta qual nosso último, digo – próximo – desejo.


[Adhemar – São Paulo, 22/05/2000]

sábado, 2 de junho de 2018

ESTAÇÃO 55


Estar com mais dúvidas aos 55 anos do que se tinha aos 20; será normal?

Não lembro se escrevi algo quando fiz 50. Aos 51, lembro-me de ter escrito algo – que não recordo se tornei público – intitulado “meio século mais um”. Nunca dei muita bola pra esse negócio do meu próprio aniversário, embora sempre faça uma reflexão nessa época, parecida com a de final de ano; balanço semestral, saca? Vantagem (?!) de aniversariar no meio do ano...

Acho bacana as pessoas te cumprimentarem; mas me bate sempre um remorso porque quase nunca eu lembro do aniversário de quase todo mundo... Nesse ponto, bendito facebook, que nos lembra! Embora eu seja um “facebooker” bissexto, acabo mandando um parabéns ou outro pro pessoal da minha lista, mesmo meio atrasado.

Meio século mais cinco... Ou, “meio século mais um lustro”, como diria o meu avô...

Nessas reflexões deste ano me lembrei, com saudade, dos entes queridos ausentes. Pai, mãe, avós, tios... O que será que passavam, ou pensavam, aos 55 anos? Será que tinham dúvidas? Será que já tinham planejado esse futuro cada vez mais curto? Eu ainda tenho planos: minha principal meta agora é ver o meu caçula formado. As outras dizem respeito a trabalho, ainda na esperança de fazer o calço nem começado de garantir a renda da velhice; e viajar, se possível em todos os próximos anos que Deus me conceder. Uma ou outra meta ligada a vaidade: publicar uns livros. São 5 projetos: dois estão esboçados (um mais avançado do que o outro), um em forma de roteiro e outros dois só na cachola mesmo.

Aos 55 a gente nem dorme direito, que dirá sonhar...  Sonhar com um mundo mais justo, com pessoas mais compreensivas e menos egoístas... Essas utopias não me comovem mais, infelizmente. Aperfeiçoar a espiritualidade? Tem gente querendo me convencer que a alma morre junto com a carcaça. Sério?! Ainda prefiro o otimismo dos espíritas...

Gostaria mesmo é de aperfeiçoar o comportamento: ser mais comedido, cuidar mais da “machina”, que anda muito grande e meio emperrada. Gostaria de ser mais concentrado, menos distraído; perdi outro aparelho celular. Se não me engano, o sexto em menos de três anos! Para provar essa excessiva distração e alheamento, o rascunho deste texto está num caderno com capa e contracapa parecidos; comecei escrevendo, sem perceber, com o caderno de cabeça pra baixo... Resultado: após duas páginas dei com outro texto escrito invertido (isto é, estava certo...). Aí, você inverte o caderno e “volta pra frente” para achar as outras páginas que, agora sim, estão em pé como deve estar um privilegiado ser humano de – ou – aos 55 anos!

Meu muito obrigado a todos aqueles que enviaram seus cumprimentos e a todos aqueles que tiveram a paciência de ler este texto até aqui.

Abração!

Adhemar – São Paulo, 01/06/2018

domingo, 25 de fevereiro de 2018

VS - 18 ANOS

Já não conheço mais o menino franzino
e nem o moleque fofinho;
não vejo mais o homenzinho,
atrevido e inocente.
O que vejo agora é um quase adulto,
um ex-adolescente.
O grande homem que abraça,
que ama e dirige
tão altivo e seguro.

Leio um discurso que fala
de fazer e de liberdade.
Vejo um espelho de mim mesmo,
modernizado e atuante.
Olho no fundo dos olhos 
e reconheço o menino;
que estava no meu colo há pouco
pedindo colo e dôces.

Tantas rivalidades malucas
seguindo um mesmo propósito...
Tanto tentei protegê-lo
que acabei por expô-lo...
Temos um envolvimento
que vai do peito ao pescoço!

Vejo força nesse vulto,
confiança e certezas.
Vejo o Direito no seu futuro;
do grande homem que, finalmente,
sai do seu casulo.


P/ Vítor Samuel em 25/02/2018
[Adhemar - São Paulo, 15/02/2018]

domingo, 1 de outubro de 2017

PROFISSÃO: PRESTIGITADOR

Assim como tantos, deixei-me aprisionar pelo convencional, pela formalidade implícita nas relações comerciais. Assim como tantos, descobri que essa realidade é a máxima dedicação empregando o máximo conhecimento que pudemos acumular para bem servir a troco de um mínimo - costumeiramente - de remuneração. "É o mercado", dizem sempre os beneficiados.

Assim como tantos, aprendi que o "mercado" são outros tantos profissionais desesperados, oprimidos e necessitados que acabam competindo às avessas nesse leilão invertido em valores na demanda de serviços. Assim como tantos, precisei viver como um mágico para sobreviver pagando contas e reinventando truques para me manter e à família.

Assim como tantos, estou precisando tirar um elefante da cartola.



[Adhemar - São Paulo, 25/09/2017]

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ANÚNCIO / APRESENTAÇÃO

Prezados;

                Meu nome é Adhemar Braga de Souza, arquiteto. Tenho a enorme satisfação de apresentar minha experiência em fazer projetos arquitetônicos detalhados e estudos de produtos imobiliários residenciais, comerciais e industriais. Além disso, tenho grande facilidade em redação, criação de textos e inventar histórias! Ou seja, uso a imaginação e a criatividade com bom humor e grande empenho de produção.

Estou tentando fugir do comum, mas... O que é o comum?! Procuro os mais variados ângulos ao me defrontar com uma tarefa, ou um problema. Analiso o que estou fazendo com base no que se passou antes, no que é neste exato instante e nas infinitas possibilidades do que pode acontecer ou se transformar. Todo quadro já foi uma tela em branco, não é mesmo? Além do mais, aprender coisas que não sei para incluir ou ajudar no que estiver fazendo é um enorme prazer pra mim.

Escrever, projetar e viver são as coisas que mais gosto de fazer; acho até que as faço razoavelmente... O que não sei fazer é cozinhar, em geral, e churrasco (embora tente amiúde, para desespero dos meus circunstantes); nas demais tarefas do lar até que me saio bem, mesmo não sendo exatamente um entusiasta delas... Detesto frequentar órgãos públicos (qualquer um, por qualquer motivo) e hospitais. Mas quando é inevitável, respiro (ou suspiro?) fundo e encaro. Adoro viajar. Não sou muito bom em consertos domésticos embora meu pai tenha ensinado muita coisa e eu tenha passado muito tempo em obras; mas, uma lâmpada queimada em casa leva semanas para ser trocada. Ruim pra ser dito num anúncio, mas infelizmente é verdade! Falando em obras, não tenho mais paciência e nem saúde pra elas. Doravante, prefiro manter delas uma respeitosa distância. Caso interessar possa, gosto de dirigir com segurança, economia e rapidez (nessa ordem); minha carteira de motorista, aliás, é categoria D.

Entre meus objetivos de vida estão, principalmente, proporcionar uma base sólida de formação aos meus três filhos, para enfrentarem o mundo. Tarefa quase cumprida já, só falta o caçula acabar o colégio e se encaminhar no que quiser fazer depois. Aí, formar uma condição mínima de conforto financeiro para os anos vindouros a fim de viajar muito com minha esposa e ter uma vida simples, sem sobressaltos (se for possível...), com tempo pra cuidar dos netos, caso eles venham e os pais, precisando, quiserem confiá-los ao avô. Adoro estar com os parentes mais próximos e com amigos, seja em reuniões familiares, confraternizações ou estádio de futebol (apesar do trabalho que dá ir ao jogo). Dentre os animais, o que mais aprecio é o tigre. Sei lá porque me lembrei disso... Não me vejo um aposentado, sem trabalhar. Gostaria de poder ficar escrevendo eternamente.

Para finalizar: considero-me um aventureiro focado! Caso possa ser útil em alguma função, estou à disposição! Agradeço a oportunidade de me apresentar.

Cordialmente,

Adhemar Braga de Souza
arquiteto
Tel. (11) 99800-7772

Facebook: https://www.facebook.com/adhemar.bragadesouza.3

[Adhemar - 28/09/2017]

Profissão: prestidigitador 

Este texto faz parte de um processo que resolvi participar para redefinir rumos profissionais. Pra reafirmar - ou desmentir - certos pendores... A quem se interessar, recomendo o trabalho interessante de Janaína Paula, encontrável em:
 http://www.repensesuacarreira.life/ e http://www.facebook.com/repensesuacarreira/.
#janainapaula
#reflexaoeacao
Se alguém, lendo este post, tiver alguma sugestão, pode fazê-la nos comentários abaixo. Será um grande prazer saber a sua opinião.

Muito obrigado, 

Adhemar

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

FORMATURA ML

Eu queria marcar, de alguma forma, este momento.
O simbolismo do encerramento,
do encerramento de uma etapa.
O homenzinho crescido, adulto já,
completando a formação com a faculdade.
É verdade...

É verdade que a gente nunca ficará pronto.
A vida será sempre uma escola,
eterna e exigente.
Mas, se conseguirmos vivê-la intensamente,
poderemos enfrentá-la,
desfrutá-la,
aproveitá-la,
moral e profissionalmente.

Então, ficamos assim:
um grande abraço por enquanto,
continue de cabeça erguida
e vá em frente!

P/ Marco Luiz; definitivamente um jornalista...
[Adhemar - São Paulo, 15/02/2017]

domingo, 7 de agosto de 2016

NOEMI

Então foi assim.

Convivência intensa nos últimos tempos, mais intensa nos últimos dias. Nossa última conversa sobre espiritismo, retorno, evolução. Sua última bronca, querendo descer da maca, deixando a gente de saia justa. Já sem palavras, seus gestos enérgicos para mudar de posição e recusar o oxigênio. Seu último sono prolongado, seu último suspiro sem um adeus formal.

O que havia para ser dito já o fôra antes. O que havia pra ser chorado, também... Embora tenha sobrado muito, ainda... A sua importância medida na presença dos familiares e amigos nessa hora neutra que é um velório. Um Pour Elise, uma Ave Maria e o súbito sumiço num imenso vazio.

A mãe, sogra e avó professora. Nossa eterna protetora. Meu Xamã.

E o inescapável mas sábio lugar comum, mãe é mãe.


P/ Noemí Braga de Souza - (*12/01/1945/+05/08/2016]
[Adhemar - São Paulo, 07/08/2016]

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

TROMBADA

          Muito cedo a gente estabelece uma "auto-norma" de comportamento. Com maior ou menor rigor, segue o próprio roteiro por anos a fio. Ora incorpora novos modos e conceitos, às vezes experimenta alguma mudança. Mas o essencial está lá. Serve de apoio para tudo o que gente faz e pensa. Inclusive, a gente se acostuma e se acomoda, elaborando justificativas ultra-criativas para defender nossos enraizados pontos de vista.

          Ah! Mas a vida é muito dinâmica; nos faz cruzar com gente muito legal e com outras ideias. Coloca obstáculos que a gente achava que não ia enfrentar e apresenta surpresas - boas e más - nas quais a gente não queria pensar. E nessa dinâmica somos obrigados a mudar profundamente uns conceitos, dogmas, certezas - sei lá! - que estavam solidamente arraigados na gente. Somos forçados a atitudes que não gostaríamos, mas que são inevitáveis. Não estou falando de ceder em princípios não; mas a fazer coisas que, por preguiça, comodismo ou semvergonhice a gente nunca fazia. Coisas que nada mais são do que cuidar da gente mesmo: pra nós, até ontem, algo totalmente supérfluo!

          Enfim, chegou a minha vez...


[Adhemar - Santo André, 13/05/2008]

quarta-feira, 27 de maio de 2015

RIO DE ANTIGAMENTE

[Foto de arquivo: Rio de Antigamente]

Ah, nostalgia...

Depois de ler alguns textos antigos e ouvir bela música da bossa nova fico me perguntando se ainda existe essa conversa boa todo fim de noite num bar do Leblon...

Lembro-me no Rio, descendo do Pão-de-Açúcar numa madrugada adentro e caminhando a pé até um boteco aberto, conversando amigavelmente com ex-estranhos... Pegando um táxi até o hotel, e o motorista lentamente pela orla... O hotel era na Glória e todo o Rio de então fazia jus ao nome desse bairro.

Ver jogo de bola no velho Maracanã, eu tive este privilégio. Entrando sob a marquise e me deparando com o maior do mundo...

O constante quente do clima, a sempre linda paisagem nesse arco-íris de céu, mar, areia, asfalto e morros – que então ainda eram verdes de mato, as favelas estavam na sombra.

As mulheres generosamente sensuais, a rapaziada solerte e galhofeira com resposta pronta para todas as perguntas do paulista deslumbrado...

Bom, isto foi no século passado e está guardado no meu baú do pra sempre...



[Adhemar – São Paulo, 12/06/2013]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

QUINZE ANOS - VS

Sentir os braços longos
abraçar o mundo
com longas pernas
caminhá-lo todo

Grandes pensamentos
grandes alegrias
profundas decepções
iras tardias

Presença de espírito
predominantemente positivo
o seu iluminado semblante
pelo imenso sorriso

Iniciativa
sempre está adiante
sempre tem a palavra
instigadora e amiga

É, sem dúvida,
um pequeno gigante
o menino adolescente
ponderado e sério, sempre gente

Ocupa galhardamente
seu lugar no espaço.
Neste dia dos seus quinze anos
receba de seu pai, 
querido Vítor Samuel,
um grande e amoroso abraço.


P/ Vítor Samuel
[Adhemar - São Paulo, 25/02/2015]


Braços abertos em Viña del Mar (foto: Nouzaíra Santana)

O artista em Santiago de Chile (foto: SM)

Caricatura, feita por um amigo chileno (foto: VS)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

CHILE

          Desta vez não houve muito tempo para nos perdermos em considerações. Com check-in efetuado uns dias antes, chegamos ao aeroporto com menos antecedência do que o recomendado e o resultado foi que perdemos muito tempo para despachar as bagagens. Além disso, o movimento é sincronizado, estamos em quatro, os filhos mais velho e caçula nos acompanhando. 

          Por um motivo legal e chato ao mesmo tempo, nosso filho do meio não pode vir. Legal porque está trabalhando, arrumou estágio na fundação da própria faculdade na carreira que está abraçando. Chato porque não teve "boi": recém-contratado, não conseguiu a dispensa de uns poucos dias (seriam só 4, na verdade) que possibilitasse sua vinda. Fica pra outra ocasião...

          Os que vieram estão curtindo; muita palhaçada e gozação. A verdade é que gostamos muito - todos nós - de Santiago. O aeroporto, a recepção dos chilenos que lidaram conosco, a beleza da cidade logo após termos visto de cima a cordilheira dos Andes que a envolve e abraça...

         A canseira de hoje foi boa, toca repousar para enfrentar a programação de amanhã: city-tour e depois degustação de vinho chileno na vinícola "Concha y Toro". Que belo início de ano!

         Valle!


[Adhemar - Santiago de Chile, 02/01/2015]


Saída do aeroporto de Santiago (foto: SM)


Capela de San Cristobal (foto: SM)

 Estádio Nacional de Santiago (foto: SM)

Centro Cultural Gabriela Mistral (foto: Adh2bs)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CAMINHO DE SANTIAGO

          Um dos caminhos para Santiago é voando. Saímos de São Paulo - isto é - do chão de São Paulo lá prumas 7:30 ou 7:40 da manhã. Sonados pela ansiedade de não atrasar no aeroporto e, portanto, sem ter dormido direito, a gente tá voando meio grogue, meio nas nuvens... Sacou?!

          Pelo mapa, estamos passando mais ou menos sobre Curitiba, daqui a pouco será por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Argentina; daí, finalmente, o Chile. Para andar pelos Andes... Morou?!

          Até que enfim, vai chegar um bem vindo café da manhã pra ver se despertamos de vez. Pena que o time está incompleto, o Marco não pode vir...


[Adhemar - Sobrevoando o Paraná, 02/01/2015]


Estava com a gente em espírito (foto: SM)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz 2015!

          Dois mil e catorze ficou pra trás. Bom? Ruim? Não... Contraditório, às vezes emocionante, mas foi só mais um ano. Este que começa, promete. Precisamos nos lembrar que depende da gente mesmo fazê-lo melhor. Nossas iniciativas e a energia que despendemos na realização das tarefas, dos planos, das obrigações e da convivência com aqueles que nos cercam. Só posso desejar que cada um de nós faça o seu melhor, sob as bençãos do Criador. 

          Deus nos acompanhe e proteja, Grande abraço e Feliz 2015 a todos!

Adhemar, 01/01/2015.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

COMPANHEIRA STELLA, ANO 25!

Dizer que parece que foi ontem
Soa meio exagerado.
Dizer que parece ‘faz’ um século
Também não é apropriado.
Mas é eterno e tem durado!

O mais bonito desse amor
É que consegue ser amigo,
Companheiro e compreensivo.
O mais incrível desse amor
É que é evolutivo.
Toda a zanga é passageira
E da paixão não é cativo.
O ciúme é tranqüilo,
Nunca foi obsessivo.
Se alguém bate na porta
A gente ri, não dá ouvidos...

Dizer que parece que foi muito
É um tanto possessivo.
Dizer que, talvez foi pouco,
É melífluo ou esquivo.
Mas é eterno e altivo!


P/ SM
Adhemar – São Paulo, 23/09/2014.

VINTE E CINCO ANOS!

Dia 23/09/2014 completamos 25 anos de casamento. Muito abençoados, com três filhos incríveis; nada mais a declarar e muito muito muito para agradecer à Deus.

Adhemar - 26/09/2014.

BLOG - SEIS ANOS E MEIO...

Aproveitando que todo o conteúdo original do blog do terra já se encontra neste espaço, alteramos a foto e a cor deste blog. O Museu do Ipiranga é pertinho de casa, sempre agradável de se  visitar.

Adhemar - 26/09/2014.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

VISITA ILUSTRE ÀS ORIGENS

O poder transformador do homem é admirável e temível. Sua profunda capacidade de antever situações que demandam preparo, extração, fabricação e montagem e sua capacidade de enfeitar, adornar ou simplesmente estabelecer o novo ambiente ou novo objeto.
Estupefato, vejo um terreno dar lugar a um prédio; vejo minério se transformando em carros, máquinas, moldes e ferramentas para fazer outras coisas. Vejo a montanha virar pedras e as pedras virarem obras, ou jóias.
Aí, volto os olhos para trás e vejo o terrível poder transformador do homem: vejo a montanha virar um imenso buraco, vejo a floresta virar deserto, vejo minérios virarem armas e árvores tornarem-se dinheiro. E de repente eu vejo o dinheiro virar a cabeça dos homens, transformando capacidade em cobiça, inteligência em “esquema”.
Estarrecido, vejo o enorme poder da violência, nascido do poder da miséria, da opressão e da ganância; e o absoluto poder da mídia transformando tudo em fatos vendáveis e irretorquíveis, ainda que distorcidos e fabricados.
Então, vejo um índio carajá formando-se advogado para entender tudo isso. E voltar para a sua aldeia de origem e contar ao seu povo espantado as incríveis contradições do “Tori” (homem branco). Não entende a profunda agressão à natureza e aos outros homens! Não entende o trabalho que tem o “Tori” oprimindo, matando e juntando bens para não fazer nada depois! Não entende por que o incoerente “Tori” não tira o que precisa do rio, das matas, do mar e da terra, calma e sossegadamente como fazem os índios, tidos por indolentes por esse mesmo sobranceiro e intolerante “Tori”.
Socorro, meu Deus, eu quero ser índio!

[Adhemar - São Paulo, 29/04/2006]

Data vênia
Peço desculpas por não citar o nome do chefe dos carajás que foi estudar direito para tentar entender o “Tori” (e representar sua tribo para defender sua terra e os seus direitos), simplesmente não o registrei à época e esqueci. Escrevi esse texto após ler uma reportagem em que ele era o entrevistado. Lembro que chorei ao perceber como somos uns pobres diabos mesquinhos, gananciosos e sem a menor noção do que é viver em comunhão com a natureza; e esta ainda vai dar o troco, simplesmente eliminando a raça humana do planeta… Provavelmente,  só vão sobrar aqueles, que, puros de alma, ainda a respeitarem: os índios e todos os “nativos” assim entendidos os que vivem em harmonia com sua terra - ou com o que dela ainda não tivermos destruído…
Adhemar, 02/04/2009.

SETENTA ANOS

Esta é uma história originada de uma ferida aberta. Uma laceração destilando as inquietações de uma alma determinada, decidida a imprimir um peso específico e certeiro a cada palavra - dita ou escrita - para que não pairem dúvidas sobre sua idoneidade ou intenções; firmemente convicta que é melhor não estancar tal hemorragia.
Não importa o risco de amputação de um membro, nem a palidez decorrente da perda de todo o sangue. O mesmo que em vão já foi derramado e também aproveitado em transfusões. Não há dor, embora não haja anestesia. Indiferente à temperatura de ebulição, de encontrar algum apoio para as mãos ou da existência de curativos e desinfetantes, esta é uma história parada no centro de uma poça vermelha.
De repente, bem no meio desse enorme corte, começa a sair a própria essência da carne, nervos e músculos, revirados numa revolta. E a medida que vão saindo, vão formando um novo corpo revitalizado, fazendo a velha casca murchar e cair como o miolo do sol no centro de sua auréola. É o fim do seu banho hematóide. É a reencarnação física renovada terminando pelo próprio cérebro ora remoçado. E uma nova película nasce e envolve o novo reencarnado.
Uma vez pronto, ele pisca os novos olhos. Olha em volta de si e se dá conta de que o que foi antes está no chão, como lixo hospitalar ou restos mortais de um cachorro atropelado. E por pensar nisso, repara que está complemente nu - inclusive de referências. A desvantagem de ter o repertório vazio é que é mais difícil recomeçar; a vantagem é que está livre para fazer o que bem entender, sem medo de errar. Descalço, salta os próprios destroços procurando se situar, saber onde está, o que é e por onde começar. Por exemplo, achar uma cama e deitar; achar o seu sono e dormir; achar o seu mundo e sonhar.

P/ Tia Nancy
[Adhemar - São Paulo, 25/05/2004]

Tia Nancy
Na verdade, ela fez setenta anos em 3 de julho de 2004; mas havia escrito este texto antes, dedicado a essa irmã de minhã mãe que sempre foi protetora dos sobrinhos, a voz da razão e da concórdia nas disputas entre nós… Casada com o Tio Antonio - o Tonho, uma espécie de ídolo da gente com jeito simples e companheiro - ela continuou nos homenagenado com suas feijoadas excepcionais, cuscuzes sublimes e mousses de maracujá de fazerem os deuses descerem à terra. Tímida, assustou-se com o teor desse texto cujo conteúdo achou violento; ela, que renasceu tantas vezes de situações difíceis que a vida lhe impôs, inclusive agora, enquanto se recupera de uma cirurgia no abdomen. Mas tem tudo a ver com ela, esse texto “vermelho” que é nossa cor predileta (dela e minha). Que Deus te abençôe e proteja, Tia Nancy!
Adhemar, 14/04/2009.

domingo, 14 de setembro de 2014

NOTA DO AUTOR

          Este setembro marca o fim dos blogs no terra, onde este blog originalmente começou. Por esse motivo, resolvi salvar de uma vez todo o conteúdo de lá que não se encontrava aqui, incluindo comentários (estava salvando aos poucos, ver marcadores Arq e Poe: Lit1). Daí a quantidade absurda de posts este mês.

          Este setembro marca os 25 anos de casamento deste que vos escreve, portanto, mais alguma coisa há de vir por aí; além de uma mudança de aspecto que a gente faz nos meses de março (aniversário do blog) e setembro pra não enjoar da cara dele...

          Grande abraço a todos, deixem suas impressões ao nos visitar.

Adhemar, 14/09/2014

DEZEMBRO

Prezados amigos desta página;

              Este dezembro está muito corrido, compromissos de trabalho e sociais se amontoando numa velocidade além da capacidade de assimilação e cumprimento deste que vos fala - ou escreve, no caso. Portanto, vão ficar alguns dias meio "mancos", poucas visitas farei, mas não comemorem! Eu voltarei!!!

              Outro assunto inevitável - embora não seja o propósito deste "blog" - é oTricolor do Murumbi, meu time de coração desde criança, que aprendi a amar por obra e graça de meu pai que ainda teve a satisfação de ver os três primeiros netos abraçarem a predileção do avô no futebol. Não é pouca coisa pra um sujeito convencido e orgulhoso feito eu, ver o já tricampeão da Libertadores da América e tricampeão mundial de clubes (primeiro e por enquanto único time brasileiro a ter essas conquistas) conquistar seu sexto título brasileiro (segundo a imprensa especializada em todo o mundo é o campeonato mais difícil do planeta) e de quebra, pela terceira vez consecutiva! Ou seja, um autêntico tricampeão! De novo pioneiro, é o primeirão nessa conquista. Reconheço, no entanto, que o futebol brasileiro passa por um momento de escassez de craques. Mas a secura é igual para todos e a conquista do São Paulo Futebol Clube vem premiar o time mais organizado e com a melhor infra-estrutura dentro do Brasil e comparada aos melhores clubes europeus.

               Agora chega, que ainda estou rouco de tanto cantar e gritar É CAMPEÃO! TRI-CAMPEÃO!!! HEXA-CAMPEÃO!!!!!!

               Salve o Tricolor Paulista...

Adhemar, 08/12/2008.

N.A.:

SETEMBRO

Este setembro, em compensação, está recebendo todos os posts que ainda não haviam sido importados do blog original (http://adh2bs.blog.terra.com.br), visto que o terra anuncia o fim dos blogs até dia 30 próximo. Conforme programado, devo terminar ainda hoje e teremos a memória completa do que começou lá.

Abç,

Adhemar - 14/09/2014.

sábado, 13 de setembro de 2014

"ENDUVIDADO"

A grande encruzilhada é isto: chegar a um determinado momento na vida ainda indeciso. Olhar para o enorme esforço despendido ao longo de quarenta anos e não estar satisfeito nem conformado. Dizem que é um dos segredos de se manter vivo e ativo: a incansável busca de algo quase inatingível; ao alcançar, ver que não era bem o que se esperava e recomeçar outra vez.

Mas aos 20, aos 25, mesmo aos 30 ou 35 anos a gente é capaz de reformar (renovar?) os projetos e ter força física para recomeçar. Mas há um certo tempo dessa mesma vida - que eu nem me atrevo a avaliar qual seja -  em que tudo fica nebuloso, mais difícil. Há um certo desalento, um desencanto sem muito sentido que persegue os sonhos tal como sombra ou nuvem carregada. É um aparente cansaço, os olhos não são mais os mesmos, as pessoas estão sempre fatigadas e cadeiras ou almofadas são anseios constantes. E, ter mais dúvidas do que aos dezoito anos! É um supremo ícone do incompreensível futuro, o que somos, aonde vamos.

E, enquanto pensa, a gente escreve...


[Adhemar - São Paulo, 27/02/2004]

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

DISCURSO DE VÉSPERA

"Dirijo-me respeitosamente aos senhores e senhoras, candidatos, rostos que contemplo. Vejo pessoas preparadas - pelas academias ou pela vida - aptas a desempenhar o importante papel de que estão investidas e revestidas por um amplo respaldo que é o vosso eleitorado."

"Conclamo-os a uma reflexão mais profunda sobre o espaço e o tempo que ocupam, momentaneamente mais preocupado em interesses político-eleitorais do que nos assuntos que de fato interessam ao desenvolvimento da nação. Conclamo-os a uma ação efetiva no sentido de apurarem uma lei eleitoral mais justa, onde os cargos não possam ser trocados nem confundidos, onde a responsabilidade implique em ações precisas e pré-definidas, onde qualquer desvio de conduta signifique a troca do mandatário."

"Conclamo-os a trabalhar pelo trabalho, com menos impostos para gerar mais empregos, com menos encargos - para gerar mais empregos - mas sem a eliminação de direitos trabalhistas. Conclamo-os a reduzir o custo do estado, os senhores sabem quais os gastos supérfluos que podem ser eliminados no custeio dos palácios, das câmaras, das repartições."

"Conclamo-os a reduzir vossas diferenças político-ideológicas no momento em que eleitos; não pode haver tanta divergência assim - de opiniões - nas propostas de resolução dos problemas básicos do país - educação, saúde, economia - que justifiquem tanta demora nas proposições e aplicação das soluções."

"Conclamo-os, acima de tudo, a agir honestamente, do fundo dos vossos corações, em tudo o que realizarem. É o mínimo que a população deste imenso e maravilhoso país espera dos senhores e senhoras eleitos."

"Muito obrigado."

Adhemar Braga de Souza.

[Adhemar - São Paulo, 18/11/2005]