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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

B&A

Não me casei por um triz
Mas, o que mais me importa
depois de conhecer-te, marota,
é que não te faria feliz...

Hoje sou mais um matiz,
desbotado arremedo de amor
Quando curasse essa dor
não te faria feliz...

Passageiro como um traço de giz,
vou e volto no tempo
Meu verdadeiro papel foi no vento,
representar não te faria feliz...

Mas mesmo com tudo assim contra,
meu coração ainda diz
mil vezes ou mais já sem contra:
gosto de ti, minha atriz...


[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987]

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

SALTOS

Sombra (Foto: Adh2BS)


Vire a página.
Pule uma folha.
Tome pouco sol,
na hora certa.
Olhe para o azul
- do céu sem nuvem -
observe o movimento
- fique atento -
espere próximo da sombra.

Respire fundo.
Pule o estreito curso d'água.
Vá para onde sopra o vento,
mas ainda sob o sol.
Olhe para o azul
- do céu sem nuvem -
como um direcionamento
- fique atento -
acompanhando a sombra...


[Adhemar - Diadema, 30/08/2018]

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

LAÇAMENTO

Palavras escorregadias
ideias desamarradas,
fugidias...

Uma expectativa ampla dissolvida
O poeta vê significado em tudo,
nas coisas mais insignificantes...

As palavras escorregam pra sentidos desamarrados,
"inconcebidos",
Uma expectativa ampla atendida...

São sucessivos cansaços,
olhos ardidos,
que as palavras escorregam atendendo,
vibrando nos ouvidos atentos,
aturdidos...

São os significados violentos
que as palavras untadas assumem
deixando os olhos comovidos
e que tantos corações não ouvem...

Palavras lisas, "impegáveis",
significados dissolvidos
em misturas homogêneas,
impublicáveis,
cujo alento está perdido...

O poeta tem os braços doloridos.
Palavras suadas,
suaves em seu alegre colorido
que disfarçam a dor e o fingimento.

Palavras escorregadias.
Ideias desamarradas,
fugidias,
para além de todos os sentidos,
para além de todos os dias...

O poeta as persegue,
considerado e esbaforido,
numa neura dessa captura,
perseguição interminável...

Palavras deslizantes,
voadoras e zunindo;
braços abertos batem palmas
a essa expectativa ampla,
animada e bem com a vida.


[Adhemar - São Paulo, 27-30/09/2019]

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

ERROS

Na solidão encontro tantos erros...
Erros de gestão.
Lavo as mãos,
para ter a cabeça entre elas.

Na solidão o olhar se perde
na profundezas do finito.
É;
há um fundo atrás dessa bruma,
um beco no precipício.
As mãos - limpas - soltam a cabeça.
O entorno não gira,
por mais que pareça.

Na solidão
uma rima perdida dá um ar de poesia
na prosa careta.
No silêncio,
que é a solidão da música,
há um quê de solene,
há uma frieza tão funda
que não inaugura uma nota sequer.
Os erros gritam;
surdamente,
pra enlouquecer essa solidão
de incompetência e tristeza.

Na solidão
o fracasso possível se torna certeza.
Um abraço de aço,
um aperto tão forte,
respiração suspensa.
Coração, por favor,
aguenta a pressão,
a pancada e a sentença.

A solidão é essa condenação;
sem julgamento e intensa.
O silêncio é um irmão,
a verdade compensa.
A vaidade inexiste,
a ambição é suspensa.
Cada erro, então,
é uma ingrata surpresa.
O silêncio é um chão
de uma rara dureza.

Na solidão...
encontro tantos erros.
Sem conserto, sem sorte, 
sem rendição.
Sem vida, sem morte,
sem direção.
Sem barulho, sem mote,
sem diversão.

Na solidão
encontro o silêncio,
barulhento e forte.
Nas mãos encontro instrumentos
para abafar o silêncio.
No silêncio
encontro o escuro da noite,
o cintilar das estrelas
e o luar dos acertos.
Na escuridão 
encontro as soluções do futuro:
enterrar os erros.

Solidão...
Folhas molhadas de umas poucas lágrimas.
Jogo fora o mapa dessa fuga
para a solidão silenciosa
e volto para a luz do dia,
acompanhada e ruidosa.


[Adhemar - São Pauilo, 18/08/2018]

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

CERTEZAS

Vou marchando resoluto,
meio puto,
mas cheio de certezas;
dessas que vacilam muito,
não têm arte nem beleza...

Vou seguindo um improviso,
sem aviso,
mas agora vou em frente.
Vou sem freio, sem juízo,
decidido e ardente.

O destino eu desconheço,
não tem preço,
mas uma vaga ideia;
chuva ou frio, sem adereço,
mas a força é velha...

Vou ao sol, ou ao relento, 
rabugento...
Mas, pedi a Deus um guia;
um guia, um alô, um elemento
que me acompanhe nessa vida...


[Adhemar - São Paulo, 29/12/2018]



CRENÇAS

É o texto mais "light" encontrado dentre os escritos há cerca de um ano. Profético: Deus atendeu ao pedido.

Adh, 24/12/2019

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

"METAMORFASES"

Então, foi assim.
Morri um pouco.
Mundo caído,
Sonhos desfeitos,
Projetos interrompidos.
Paixão extinta.

"Semidespertei"
Abri um olho,
Tomei decisões.
Vacilantes.
Hesitantes.
Naquele momento,
Ainda presas a um passado querido...

Iniciei uma busca.
Várias experiências:
Algumas vexatórias,
Outras hilariantes;
Mas a maioria foi muito humana.
Me disseram de novo
O que eu precisava ouvir.
Mas não ouvia.
Foram muitos modos diferentes,
sempre interessados em mim.
No meu resgate.

Até que alguém fez
Quase eclodir;
Que não se deu por uma ironia do tempo,
Uma suave assincronia...
Ainda faltava algo...

Enfim, RENASCI.
Trazido novamente à luz
Após um um impulso repentino.
Inesperado.
Após um movimento instintivo,
Involuntário,
Que me colocou na tela de um radar antenado.
Que sorriu pra mim.
Que me viu profundamente.
Falou de novo tudo o que eu já havia escutado.
Mais intensamente. 
Mais decidida.
Me empurrou fortemente.
Impertinente porque assustada
Com tanto potencial desperdiçado em mim
Que ela enxergava na minha apatia,
Na minha indiferença comedida.
Salto sem paraquedas.
Só que o apoio estava presente,
de mãos estendidas.

Pra que não restassem dúvidas,
Se expôs completamente.
Situação, intenções,
planos pro futuro.
Meu futuro passou a ter mais razões então.
O coração irradiado de uma nova energia,
De uma nova luz.
Amando plenamente outra vez!
Agora voa em pleno dia,
Sem medo, sem amarras:
Veloz.


[P/ ACC]
Adhemar - São Paulo, 10/12/2019

sábado, 30 de novembro de 2019

RASTEIRA

Lá se foi a minha santa paciência
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...

Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade

Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...

Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...

Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada

Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade

Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção

Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...

Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...


[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]

domingo, 24 de novembro de 2019

"DIMINUINTE"

Abandonei pensamentos no caminho.
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...

Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.

Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.

Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...

Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.

Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!

... Na última linha da poesia decrescente...


[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]

domingo, 17 de novembro de 2019

MATINAL

São seis horas da manhã chuvosa
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno

São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!

Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios. 
Inventados. 
Velhacos.

São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...

São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.


[Adhemar  - São Paulo, 16/11/2019]

sábado, 16 de novembro de 2019

"PALIVRES"

Metáforas insuficientes.
Sutis demais.
Palavras rebuscadas,
pouco eficientes.
Anárquicas.
Incitantes.
Instigantes.
Revolucionárias.
Incoerentes.
Manifestam-se de pijama.
Acomodadas.
Contraditórias.
Convencidas.
Convictas...
Hesitantes?!

Metáforas artísticas.
Pernósticas.
Arrogantes.
Infelizes.
Opressivas.
Impactantes.
Apresentadas em lindos pacotes.
Malcheirosas.
Indecentes.
Chegam como se fossem presentes.
Produzem efeitos inesperados.
Desesperados.
Eufóricos.
Mas, são apenas palavras.
Doentes.
Saudáveis.
Saudosas...


[Adhemar - São Paulo, 15/11/2019]

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

DÍVIDA

O crediário é um futuro comprometido.
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível. 
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.


[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

COTIDIANO

Ontem foi um dia estranho,
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.

Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.

Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.

Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.


[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]

terça-feira, 8 de outubro de 2019

VOUCHER


Eu que pensei... 
ousei pensar!
Que aprendera a interpretar o silêncio.
Que saberia, das palavras a ausência
o que elas desejariam significar...
Julguei poder oferecer
esse pouco que sou, como sou,
para quem quisesse conhecer - e apreciar -
com uma certa riqueza de razão.

Ousei pensar,
não sem uma certa emoção,
que haveria de encontrar
uma outra alma aventureira
que se se atreveria a se atirar
sem rede nem proteção
nesse imenso abismo confortável
de mãos dadas e sorrisos...

Ousei pensar
que cavaria por abrigos
a quatro mãos...
Que haveria de dormir - e levantar - 
no calor da companhia
dessa aventureira alvissareira,
maravilhosa e faceira.
Que compartilharia alguns momentos
- ainda que de poucos tempos - 
nessa empresa com um sócio dedicado...

Ousei pensar 
que não seria mais uma ilusão...


[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]


domingo, 6 de outubro de 2019

GARRAFA

Imerso no silêncio
contemplo o mar imenso.
Quantas mensagens engarrafadas,
afogadas,
perdidas, errantes,
nunca interpretadas...

Cinza azul amarelado do poente.
Melancólica nostalgia
por essas mensagens,
engarrafadas,
que se perderam,
jamais lidas...

Imerso na saudade
dessas mensagens nunca encontradas
penso... Penso nas poesias...
Quantas poesias escritas
perdidas, errantes,
jamais lidas...

Quantas palavras perdidas
em pedidos de socorro e declarações de amor,
em lamentos inúteis e celebrações exaltadas,
engarrafadas,
imersas nesse mar imenso

de saudade e de silêncio...


[Adhemar - São Paulo, 27/09/2018]

sábado, 21 de setembro de 2019

SOUVENIR

De tanto ficar deitado
o corpo todo doeu
De tanto desencontrar
o que se devia falar se escreveu

Mal entendido
quanto mais explicado
mais confundido
mais complicado

Esperar uma palavra qualquer
ou no correio - que viesse escrita -
ou no telefone - para ser ouvida -
era bom ter
Até na janela, se chegasse bonita
entrando aqui
pra gente se entender

Agora, nada disso é possível
Só em sonho, poesia ou histórias
Mas enfim, pode crer, foi incrível
te gostar, te perder, te segurar na memória...



[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 19/09/1987]

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

DECEPÇÃO À ESPREITA



Noite pior que escura:
mal iluminada.
Te vejo em várias esquinas;
mas...
Sempre acompanhada.
Acompanhada
muito mais do que só por suas pernas esguias,
bem torneadas...
Acompanhada, sempre,
por uma sombra mal delineada.
Uma sombra, 
de rua mal iluminada.
Uma espécie de aura
- maldita ou abençoada - 
que te protege e te acompanha,
me evita e te salva.

Noite pior que escura:
cheia de solidão...
e de Nada.



[Adhemar - São Paulo, 28/02/2017]

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

CRACHÁ

Identidade, DNA.
Desenho no espaço.
Brilho de estrela.
Papel, cartão, carteira.
Persona, VIP.
Número na lista.
Ideário.
Filosofia.
Mal traçadas linhas.
Querido diário...
Ideologia.
Metáforas.
Analogia.
O time.
A profissão e todas as preferências.
Caráter.
A roupa.
Cabelo e sorriso.
A letra, a caligrafia.
O jeito de andar.
O grau dos óculos.
O grau da miopia...
O que come.
O que fala.
O jardim.
A pausa entre um olhar e outro.
O gesto.
Aceno e abraço.
Pensamento secreto.
Vida paralela (no imaginário).
Ser e estar.
Passaporte.
Lugar, lugares.
E a foto.


[Adhemar - São paulo, 25/11/2011]

sábado, 31 de agosto de 2019

SOBREVIVÊNCIA E CAOS

Qual o caos que te comove?
Em quais cais ancorarás?!
Se a canção caução envolve
em qual calçada andarás?

Vamos louvar esse love
que onde more morrerá
completo e pleno de glória;
em que estado estará
quando vier a vitória?

Em seu humor louvará
dizendo "isto é história"
estando e enfrentando
luta disputa será.

Truque na troca da escória
em forno forte restará
base da bossa e da chama
pavio em cera será.

Não viu navio ancorado
coragem viva vencerá.
Por toda a noite anotando
o vencido convencimento,
dando um alô ao alento
num doce descendo.

Se por acaso acabar
o amor aumentando
o volume velará
vela ao vento voltando
da viagem que fará.

Segue a Deus o adeus
que se despirá despistando
os cacos dodecafônicos 
dos cacófatos se espalhando...


[Adhemar - São Paulo,15 a 31/08/2019]

sábado, 24 de agosto de 2019

ARREMEDO


Não só de belas palavras vive a poesia
Nem só de rotina vive o dia-a-dia
Bombeiros são enchentes, são incêndios,
E os livros são figuras, além das palavras...

Além do sentido expresso há os ocultos
Além do sentimento vive o pulso
Médicos não curam romantismo agudo
E as enciclopédias são um testemunho mudo...

A mente carrega seus compêndios
Os marinheiros somem, mar adentro
Os navios talvez naveguem ou afundem
E o horizonte é mais que a linha ao longe...



[Adhemar – São Paulo, 12/12/2008]


CARICATURA

Texto iniciado na data assinada, mas cuja última estrofe foi redigida em 01/04/2010... Parece mentira... Um ano e quase quatro meses perdido no meio de um caderno pra afundar, mar adentro, antes da linha ao longe!

Adh – 24/08/2019

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

APOSTA


Aposta, um jogo;
repetitivo, perigoso.
Sílabas entrecortadas
num blefe desastroso.
Nova aposta,
cacife estourado.

Um olhar enviesado,
um uísque derramado;
honra arranhada.
Dinheiro esgotado,
paciência acabada.
Um decote indecoroso,
um olhar admirado
no meio da tensão criada.

A criada dá as costas,
sai da sala indiferente 
ao destino do jogador mais destemido:
idiota e atrevido
que vai perder a vida,
por nada.
Nem ganhou no jogo,
nem arrumou namorada.
Está com uma arma na cara
e, mesmo assim, sobe a aposta:
quem sabe, uma última cartada...?!


[Adhemar - São Paulo, 28/02/2017]