Tonho, velho companheiro de empreitadas para ajudar o sogrão - meu vô Luiz - que ele idolatrava; ou D Sogra, como carinhosamente chamava a vó Júlia. Integrado a família quando se casou com tia Nancy, meados dos anos 70, com os filhos que imediata e naturalmente adotamos como primos, virou um ídolo pela história exemplar de menino do interior de Minas, que se fez homem sozinho, sempre trabalhando honesta e honradamente, que uma viuvez precoce trouxe o ônus de cuidar dos filhos sozinho; o lado bom da história, para nossa família, foi tê-los conosco...
Amigo de todas as horas... Você queria a luz do sol? Perguntasse a ele então pelos seus filhos ou netos! A luz era imediata, o calor das palavras amorosas no seu jeito autêntico e simples de falar, o imenso orgulho transparecendo no brilho dos olhos. Nunca escondeu que nutria um grande carinho pela sobrinhada farta, estendido depois aos nossos filhos, seus sobrinhos-netos.
Conversa fácil entremeada por uma cervejinha, fomos vezes sem conta ao Morumbi quando enchia sua Kombi conosco pra irmos ver o nosso São Paulo. Tinha uma enorme amizade com os outros genros de nossos avós, formando uma espécie de confraria cúmplice e ruidosa.
E Deus achou que era hora de tê-lo consigo... Chamado, compareceu discreta e silenciosamente, sem sofrimento. Prático, se levantou cedo como todos os dias, arrumou-se, desceu as escadas de casa enquanto sua Nancy dormia; sentou-se no sofá da sala, abriu seu jornal e desligou a máquina que o mantinha aqui; e partiu, na viagem que certamente o levou para o lado direito do Pai, quem sabe junto aos compadres que já estão por lá.
Por aqui fica a imensa saudade... Dolorida, sim, mas confortando-nos com a certeza de que continua conosco nas impressões e lições que deixou em cada um de nós.
Valeu, Tonho!
P/ o tio Antonio Fialho [18/10/1931-24/08/2013]
[Adhemar - São Paulo, 25/08/2013]


