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sábado, 21 de setembro de 2013

VOAR

Ousar, ouvir, esquecer.
Vencer, vender, tapar.
Fechar, ferver, mandar;
volver, voltar, chegar.

São tantos verbos a dizer,
tantas Shangais a visitar,
tantas Pequins a percorrer
e o céu por abraçar.

Horas pontuais, perfilar.
Marchar em frente,
passar nos arcos,
marcar os marcos!

Servir, seguir, sorver...

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]




Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: Adh2bs)

Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: Adh2bs)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

HOMEM NO ESPAÇO

No espaço do universo planetário
salta o homem nu, vai sem acaso
impulsionado numa força estranha
numa órbita espiral - em torno, estrelas -
ele gira sem parar; louca ciranda.

Voando livre, sem pudor nem glória
ultrapassa as velocidades do som, da luz.
Segue tão rápido nessa órbita estranha,
a boca seca, as mãos espalmadas,
num certo rumo do universo ele se guia.

Mais veloz e mais veloz, em parafuso,
se confunde com cometas e asteróides.
Segue reto para a estrela imensa
(imenso tamanho, alcance e poder),
imenso clarão de luz, magia e calor.

Misteriosamente na estrela ele mergulha,
fantasticamente some no clarão azul,
incandescente e descontrolado.
Lá no âmago da estrela ele explode
e com violência o clarão se expande.

No choque cósmico do homem com a estrela
sobra um algo da terrível explosão:
um novo sol ou uma coisa parecida
em nova órbita vai crescendo, formidável.
É o que era antes, no homem, coração.

P/ L.A.S.
[Adhemar - São Paulo, 22/05/1987]

SOBRA

Poesia escrita para meu primo Luiz Antonio Sanna, pintor e publicitário, que culminou no quadro feito por ele (reproduzido abaixo); uma espécie de parceria onde poesia rendia quadro. Se não me falha a memória, foram três. O diacho é localizar as poesias, os quadros eu sei muito bem onde estão!!! Este está na parede da minha sala.
A denominação "Homem no espaço" foi dada por mim, tanto para a poesia quanto para o quadro; caso o autor do quadro discorde, podemos retificar...

Adhemar, 18/09/2013

"Homem no espaço", de Luiz Antonio Sanna (foto: Adh2bs)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

NASCER

Na origem matriz geratriz
no invólucro lacrado sagrado
um eco sacro simulacro
indução introdução percepção.

A um ente só devemos nos prender
devotos intelectos de um não estar não ser.

Propulsores impelidos
retornos garantidos num sem tempo
de ausências refletidas e presentes.

Ôcos de saudade
respeitos silentes
antes era mais
agora é maior...

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]

Piazza Virgílio Públio Marone, Milão (foto: Adh2bs)

Galeria Vittório Emmanuelle, Milão (foto: Adh2bs)

Via della Spiga, Milão (foto: SM)

Villa típica, Milão (foto: SM)

domingo, 15 de setembro de 2013

DORES

Sensações, vertigens
sobre o ar olhando o mar.
Pés que apontam direções.
Formas, fôrmas, formatos
nuvens longe do chão.
Aproximada confusão,
músculos e ossos
moídos numa contramão.

Subir outra vez no vento
espiralando em voltas soltas...
Gotas de suor,
lágrimas de emoção.

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

TECNOLOGIA

Contínuas ações.
Eletrônica mecânica.
Rumos e correções,
vida dinâmica.
Muita automação,
pura ciência.
Pouca intervenção,
baixa interferência.
Carregada bateria.
Máquinas, diretrizes.
Concentração, energia,
forças motrizes.
Processos mecanizados,
cinemática, robótica.
comandos centralizados.
Vida automática.
Planos detalhados,
sofisticado ferramental;
insumos injetados,
poluição ambiental.
Produção massificada,
aquecimento global,
internet controlada,
coração artificial.
Performances lubrificadas.
Controles remotos.
Atitudes vigiadas.
Humanos autômatos.

[Adhemar - S. Paulo, 05/10/2007]

domingo, 8 de setembro de 2013

CAPÍTULOS

Mapas, palmas e aflitos
do tanto andar fazendo círculos;
distâncias, fragrâncias e conflitos...

Vitrines, amores passageiros
de tanto olhar cansado muda,
volúveis e companheiros...

Praças, ruas e relento
sob a chuva auspiciosa e fria
em lerdo e brando pensamento...

Tantas saídas cruas e alternativas
nas galerias vazias,
descompromissadas e vadias...

Ideias, caminhadas nativas,
notícias, projetos e referências
agonizando nas malditas reticências...

[Adhemar - Milão, 11/04/2013]

Detalhe de fachada (foto: Adh2bs)

Banca Popolare di Milano (foto: SM)

Piazza Filippo Meda (foto: Adh2bs)

Hotel Armani (foto: SM)

Hotel Armani (foto: SM)

Turistas Jd Casa Atellani (foto: SM)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

DOURAD'AZUL

Tempo celeste
flor
Brilho de lua
disfarce
Máscara de rua
carne
Crua e com sangue
cara

Rosto oculto
alface
Disfarce não é fantasia
Marte
Estação de foguete
forma
Informação faz mal
demais

Risco por risco
saúde
Pequenos passos
além
Nuvens chovendo
amém...

[Adhemar - Milão, 10/04/2013]

CHUMB'CINZA

Escrito num dia em que andamos sob chuva.

Adh, 06/09/2013.



Casa Atellani - jardim (foto: SM)

Casa Atellani (foto: SM)
Cenácolo Viniciano (foto: Adh2bs)
Sta. Maria dei Grazie (foto: Adh2bs)

Sta. Maria dei Grazie (foto: SM)

Sta Maria dei Grazie (foto: Adh2bs)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

SEGREDOS CONFESSOS

Bem dentro de cada um temos guardado
um sentido apenas nosso, careta ou quadrado.
Coisa que somos, como agimos sendo gente,
algo que nem querendo nós teríamos inventado.
Não se trata aqui de ser benevolente;
não por preguiça, por descaso ou indolente.
Mas por tentar errando e concluir ter acertado
não sendo hipócrita num julgamento indulgente.
Montando um quadro para ser apreciado,
sóbrio, correto, colorido e emoldurado;
que retrate um tema mais que inteligente
e que demonstre ser o artista assoberbado.
Seja direto e mostre o assunto honestamente;
que seja claro, brilhante e reluzente.
De tão suave, caia logo no agrado
daquele espectador mais exigente.
Mesmo erudito, que transmita o seu recado.
Mesmo famoso, que chegue a consagrado.
Que se proteja com um escudo transparente
e que tenha a força de um local fortificado.
Que seja a luz o seu símbolo pra frente.
Que seja a treva o seu traço mais ausente.
que tenha, enfim, um profundo significado
capaz de provocar emoções sempre.
E seja o que for mas que venha e se apresente
e que o amor seja então o seu legado…
[Adhemar - S. Paulo, 10/06/2008]

terça-feira, 3 de setembro de 2013

FIRENZE

Escolhas inflluindo no destino;
acaso influindo nas escolhas.
Das desavenças ao entendimento,
da ignorância ao conhecimento.
Subida em espiral e bolhas
revelando um panorama altivo.

Questões inatas de esperança e fé.
Olhar confiante apoiado na paisagem.
Vista do mais alto onde tudo é perto;
vista do mais belo onde tudo é certo.
Dominar o tempo e espaço pleno de coragem,
o mundo nas mãos, uma cidade aos pés.

Muita beleza, muita paz e muita história
num ambiente que é poesia fina.
Nessa atmosfera de espanto, de admiração e de respeito,
não há mais palavras, solene esse silêncio.
É fotografia viva impressa na retina,
imagem eterna, viva na memória.

[Adhemar - Piazzalle Michelângelo, Firenze - 09/04/2013]

Vista panorâmica de Florença (foto: Adh2bs)

Vista panorâmica de Florença (foto: Adh2bs)

Vista panorâmica de Florença (foto: Adh2bs)

Vista panorâmica de Florença (foto: Adh2bs)

La Loggia (foto: SM)

Porta Romana (foto: SM)

domingo, 1 de setembro de 2013

SIMÉTRICA IRONIA

Banzo. Nostalgia. Saudosismo.
Aquele apelo essencial,
pungente e inevitável;
e a gente percebendo que é real:
é porque todo o nosso idealismo,
tudo aquilo em que a gente acreditava
agora está fora de moda,
fora da pauta do discurso,
fora do repertório da moçada.

Sapato amarrado,
calça na linha da cintura;
cabelo cortado
e a cordialidade em curso.
Violência?
Só se fosse estilizada.
Música?
Só se não fosse gritada;
e dançante, de preferência...

A gente saía na noite
pra azarar a mulherada.
Jogo de futebol
era com torcida misturada:
a vitória valendo euforia
e a derrota, só piada.

Dava-se valor à palavra empenhada.
Roubar era vergonha,
trair era roubada.
O trabalho era feito com vontade,
os amigos eram todos de verdade
e a gente se tratava pessoalmente;
quando muito, só telefonava.

Casamento quase sempre era pra sempre.
Honestidade era mais honra que virtude;
e a resposta para tudo era a verdade.
Havia espaço para o cavalheirismo,
apreciado pelas moças de então.
No amor era um por vez no coração.

Hoje em dia tudo isso ficou raro.
Virou tudo objeto de consumo.
A convivência geralmente é virtual
e tudo é caro,
desde o carro até o "chateau" no litoral.
O céu sem nuvem, sem estrela e sem azul,
o sol sem graça e sem calor
mesmo com o vilão temido,
o tal de aquecimento global.
E o resto a gente sabe como é:
todo mundo fugindo do destino.

Ai que saudades dos meus tempos de menino...

[Adhemar - São Paulo, 12/12/2011]