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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PREMISSAS

As flores são coloridas, o céu é azul - porque estou afirmando…
Por que não gosto de esgotar o tempo em buscas inúteis? Há sempre a possibilidade de urgências mais sofisticadas a respeito do que fazer.
Há tempo, pouco tempo para o que seja realmente efetivo e importante.
As restrições sempre nos conduzirão a um estado de tensão permanente. Assim, enquanto o tempo escorre lento - mas implacável - uma súbita aflição pelo que não fizemos nos invade; daí certas urgências nos satisfazerem enquanto as atendemos e o tempo dispendido no inútil ou no desinteressante nos irrita ou nos decepciona.
Enfim: como não dizia o poeta, viver é preciso e, navegar também!
[Adhemar - São Paulo, 15/07/1996]

sábado, 28 de setembro de 2013

CAMPEONATO DE POTOCA (15)

FESTA CENSURADA…
Qual não foi a hemorróida que não tive
depois de um funesto rega-bofe;
cheio de piriris, canapés e acepipes
que descreverei nestas estrofes.
Tudo quanto queiras teve a festa,
nada mais porém do que o impasse
surgido após que esta besta
ficou esperando o desenlace.
Chego cedo à festa, após curto trajeto.
O ônibus vazio até veio depressa.
Smoking, gravata borboleta - chique à beça -
Há quanto tempo a esta roupa eu desinfeto!
Na porta, mal acredito, está meu nome
entre o de quinhentos e tantos granfinados
(não é no céu a festa, e ai, que fome!).
Eu lá, entre tantos quinhentos convidados.
Todo feliz, vou em frente pro salão.
Logo de cara um garçom vem me abordar:
- Cavalheiro, o que deseja pra tomar?
- Um "giardino" por favor, e sem limão.
(Foi a dica de um amigo que segui;
- peça um "giardino" com toda a pose granfa!)
Veio o "giardino", sei lá eu que alquimança,
fui bebendo e olhando tudo quanto vi.
E o primeiro desastre veio logo:
o tal, que não sei eu de que compêndio,
"giardino" era forte e feito incêndio
desceu qual um vulcão que cospe fogo!
Passado o susto, do qual ninguém se apercebeu,
encontro conhecidos à distância.
Tchauzinhos discretos, fora instâncias,
vejo u’a morena chamar… Eu.
A passo lento - pura dança - chego a ela
conversando sobre todos os assuntos;
desde queijos ralados até presuntos,
descubro que ela gosta de costela.
Vai daí que a moça tem fino apetite,
digo, daí vai que ela tem bom paladar.
Eu disse a ela que gostava de pescar
e pra comer preferia sanduíche.
E, conversando, chega a hora do jantar.
Suculentos pratos vêm à mesa,
finamente servem-se os antepastos.
Eu ao lado dela fui sentar…
Não percebi que diversa natureza
não nos compatibilizava em matéria de repastos.
E mergulhei na sugestão apetitosa,
ainda com dor de garganta - o "giardino"!
Comi aquilo tudo qual menino,
mas bem comportado e mão jeitosa.
Por falar em mão, a perna dela
era tão roliça e tão macia…
Digo, ela disse, porque ela
falava sempre e muito, de alegria.
Mergulhei num "champollion" efervescente,
na moqueca com molhos e aspargos;
uns dos pratos, não sei quais, eram amargos,
outros porém, como a sopa, eram picantes.
No final desse banquete - ah! Meus dias!
Achei que eles estavam já contados…
Da garganta ao intestino tudo ardia;
e os dôces da sobremesa eram melados.
Mexer a minha boca eu mal podia
e ela a falar desembestava!
Tantas piadas sujas que contava,
tanto e tanto mais e tanto ria.
E champagne e vinho e champagne;
e vinho e champagne e vinho e vinho.
Tudo flutuando, eu tão levinho,
pensava: quando for pra casa Deus acompanhe!
Depois, apavorado, uma piscina
onde o povo ia caindo, todos bêbados;
homens de fraque, de cartola e as meninas
de vestido, de mantô e de brocados.
Ela e eu, entretanto, nos salvamos.
Não sei como, nem por quê, mas num momento
ela disse em me levar pro apartamento
dirigindo o carro dela, não enxergando!
E eu pensando "agora estou perdido!
Esta mulher me pega e põe na cama
e eu ‘necas de biterbas na tipama’
e… Ai! Meu tubo interno! Tão ardido…"
Assim pensava eu quando entramos.
E tal como desconfiei, ela sumiu.
Voltou toda séria  e me despiu.
Ordenou que eu me deitasse, sem reclamos.
Aí, ela sentou e, toda eclética
perguntou o que eu sentia, de qual lado.
Expliquei-lhe: "dói-me desde a boca até o rabo!"
E ela examinou-me, era médica!
[Adhemar - São Paulo, 07/05/1984]

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

GESTAÇÃO ESPONTÂNEA

Há palavras que surgem espontâneas,
sem convite.
Aparecem e se impõem.
Crescem, se associam, enfrentam as turbulências.
Podem ser cruéis e violentas.
Pdem ser descrentes e pagãs.

Há palavras que se inventam,
ou se fabricam.
Podem não seguir um projeto,
resistem à violências
pois são fortes e invioláveis.
Podem ser absolutas e definitivas.
Podem ser românticas e criativas.

Há palavras que resultam de fusões,
se aliam, se completam.
Aparentemente não querem dizer nada,
só querem ser apresentadas pessoalmente.
Por um tempo parecem desinteressadas
mas são elas que comandam o movimento.
Podem ser perigosas e amenas.

Para todas elas é preciso estar atento.

[Adhemar - Sobrevoando a Argélia, 14/04/2013]

Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: Adh2bs)

Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: SM)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VINTE E QUATRO

Na verdade já são vinte e cinco
que ela passou marchando vermelha;
toldando meus olhos,
tomando o território do meu coração.

Na verdade foi mais que isso;
ela surgiu e acendeu a luz-guia 
à frente do meu caminho,
à frente da minha vida.

Na verdade é mais que isto:
sou eu no rumo família
ao lado de um exemplo perfeito
de como alguém se dedica.

Na verdade... é mais que isto!
Espero que o futuro mantenha 
a nossa união e afeto
com muito amor e peito aberto...!

P/ SM - 24 anos de casados em 23/09/2013
[Adhemar - São Paulo, 19/09/2013]



sábado, 21 de setembro de 2013

VOAR

Ousar, ouvir, esquecer.
Vencer, vender, tapar.
Fechar, ferver, mandar;
volver, voltar, chegar.

São tantos verbos a dizer,
tantas Shangais a visitar,
tantas Pequins a percorrer
e o céu por abraçar.

Horas pontuais, perfilar.
Marchar em frente,
passar nos arcos,
marcar os marcos!

Servir, seguir, sorver...

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]




Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: Adh2bs)

Aeroporto Leonardo da Vinci (foto: Adh2bs)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

HOMEM NO ESPAÇO

No espaço do universo planetário
salta o homem nu, vai sem acaso
impulsionado numa força estranha
numa órbita espiral - em torno, estrelas -
ele gira sem parar; louca ciranda.

Voando livre, sem pudor nem glória
ultrapassa as velocidades do som, da luz.
Segue tão rápido nessa órbita estranha,
a boca seca, as mãos espalmadas,
num certo rumo do universo ele se guia.

Mais veloz e mais veloz, em parafuso,
se confunde com cometas e asteróides.
Segue reto para a estrela imensa
(imenso tamanho, alcance e poder),
imenso clarão de luz, magia e calor.

Misteriosamente na estrela ele mergulha,
fantasticamente some no clarão azul,
incandescente e descontrolado.
Lá no âmago da estrela ele explode
e com violência o clarão se expande.

No choque cósmico do homem com a estrela
sobra um algo da terrível explosão:
um novo sol ou uma coisa parecida
em nova órbita vai crescendo, formidável.
É o que era antes, no homem, coração.

P/ L.A.S.
[Adhemar - São Paulo, 22/05/1987]

SOBRA

Poesia escrita para meu primo Luiz Antonio Sanna, pintor e publicitário, que culminou no quadro feito por ele (reproduzido abaixo); uma espécie de parceria onde poesia rendia quadro. Se não me falha a memória, foram três. O diacho é localizar as poesias, os quadros eu sei muito bem onde estão!!! Este está na parede da minha sala.
A denominação "Homem no espaço" foi dada por mim, tanto para a poesia quanto para o quadro; caso o autor do quadro discorde, podemos retificar...

Adhemar, 18/09/2013

"Homem no espaço", de Luiz Antonio Sanna (foto: Adh2bs)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

NASCER

Na origem matriz geratriz
no invólucro lacrado sagrado
um eco sacro simulacro
indução introdução percepção.

A um ente só devemos nos prender
devotos intelectos de um não estar não ser.

Propulsores impelidos
retornos garantidos num sem tempo
de ausências refletidas e presentes.

Ôcos de saudade
respeitos silentes
antes era mais
agora é maior...

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]

Piazza Virgílio Públio Marone, Milão (foto: Adh2bs)

Galeria Vittório Emmanuelle, Milão (foto: Adh2bs)

Via della Spiga, Milão (foto: SM)

Villa típica, Milão (foto: SM)

domingo, 15 de setembro de 2013

DORES

Sensações, vertigens
sobre o ar olhando o mar.
Pés que apontam direções.
Formas, fôrmas, formatos
nuvens longe do chão.
Aproximada confusão,
músculos e ossos
moídos numa contramão.

Subir outra vez no vento
espiralando em voltas soltas...
Gotas de suor,
lágrimas de emoção.

[Adhemar - Roma, 13/04/2013]

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

Pallazzo Morando, Milão (foto: Adh2bs)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

TECNOLOGIA

Contínuas ações.
Eletrônica mecânica.
Rumos e correções,
vida dinâmica.
Muita automação,
pura ciência.
Pouca intervenção,
baixa interferência.
Carregada bateria.
Máquinas, diretrizes.
Concentração, energia,
forças motrizes.
Processos mecanizados,
cinemática, robótica.
comandos centralizados.
Vida automática.
Planos detalhados,
sofisticado ferramental;
insumos injetados,
poluição ambiental.
Produção massificada,
aquecimento global,
internet controlada,
coração artificial.
Performances lubrificadas.
Controles remotos.
Atitudes vigiadas.
Humanos autômatos.

[Adhemar - S. Paulo, 05/10/2007]

domingo, 8 de setembro de 2013

CAPÍTULOS

Mapas, palmas e aflitos
do tanto andar fazendo círculos;
distâncias, fragrâncias e conflitos...

Vitrines, amores passageiros
de tanto olhar cansado muda,
volúveis e companheiros...

Praças, ruas e relento
sob a chuva auspiciosa e fria
em lerdo e brando pensamento...

Tantas saídas cruas e alternativas
nas galerias vazias,
descompromissadas e vadias...

Ideias, caminhadas nativas,
notícias, projetos e referências
agonizando nas malditas reticências...

[Adhemar - Milão, 11/04/2013]

Detalhe de fachada (foto: Adh2bs)

Banca Popolare di Milano (foto: SM)

Piazza Filippo Meda (foto: Adh2bs)

Hotel Armani (foto: SM)

Hotel Armani (foto: SM)

Turistas Jd Casa Atellani (foto: SM)