Solta-se o verso preso
e a rima
do poeta indefeso
da saída por cima
Procura-se a palavra certa
e bem colocada
da ideia esperta
e da mancada
Vai o mar tão calmo esperando
a frase definitiva
do alto comando
e da injunção cognitiva
Prende-se o verso solto
e a cisma
procurando outro
num sofisma
Perde-se o cativo
e as algemas
pede-se um motivo
fugas mais modernas...
[Adhemar - Guarulhos, 06/04/2014]
Perspectiva - Milão (foto: Adh2bs)
Perspectiva - Milão (foto: Adh2bs)
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Vista Urbana 1 - Desenho & foto: Adh2bs)
segunda-feira, 28 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
SATISFAÇÕES AO PATRÃO (3)
Apesar de estarmos de volta, já, há 3 dias, a viagem só terminou agora. Malas desfeitas, lembrancinhas entregues, roupas lavando.
Tenho brincado com amigos que me provocam que eu moro mesmo é na Itália; mas por força de razões familiares e profissionais sou obrigado a passar 350 dias por ano no Brasil...! Pela segunda vez, nestes últimos anos em que temos ido a Milão, visitamos apartamentos à venda por razões ligadas à nossa profissão. Nada a ver com uma mudança improvável; isso suscita e alimenta as piadas relacionadas à nossa ligação com a "Bota". Nós, enquanto arquitetos, vamos pra lá olhar e apreciar tendências e inovações que podem ser amalgamadas ao trabalho, incluindo mobiliário contemporâneo e novos equipamentos, além de ver o que de nosso se leva pra lá.
Espero que o planejamento dê certo pra poder viajar de novo no próximo ano, apesar das dificuldades: ainda não acabamos de pagar a viagem do ano passado e o acúmulo do custo de duas compromete a próxima... Mas não é isso que vai nos intimidar! Credores, benzei-vos!!!
Até a próxima...
[Adhemar - São Paulo, 21/04/2014]
Diário de bordo
Não adianta procurar os capítulos 1 e 2 antes de hoje. Além disso, mesmo sendo o último, este deveria ser o primeiro da série escrito sobre a viagem a Milão e Florença; só que, por engano, coloquei ontem o primeiro deles, que deveria ser o segundo aqui. Enfim...
Os demais (inclusive o 1 e 2 desta sequência) vão ser postados ao longo do ano, alguns falando das impressões que nos ficaram de lá.
Vamos que vamos!
Adhemar, 27/04/2014.
Prédio de apartamentos no City Life - Milão (foto: Adh2bs)
Milão, centro (foto: Adh2bs)
Florença vista do alto da Torre Vecchio (fotos: Adh2bs)
sábado, 26 de abril de 2014
JOGADA
Voar de vez em sempre é preciso
na metáfora, na máquina, no pensar
Tantos longes voando aproximo
na firula, no meneio, no fintar
Em quantas mãos iludimos o destino
na mesa, na fumaça, no blefar
Cara de quadra, inocência de menino
no sorriso que somente esconde um par
Nas passagens que contamos das viagens
aquecidos no calor de um cappuccino
cúmplice olhar, nas risadas das bobagens
suscitadas nos mapas, desatino...
Renovados tantos planos e apostas
nos portais dos tantos pra onde vamos
Mãos vazias - as mochilas vão nas costas -
e a bola sempre surge aonde estamos
Tanto faz o portão nove, ou o seis
O que importa é triunfar sorrindo
Um grande beijo e um abraço pra vocês
nosso golaço faremos onde estamos indo...
[Adhemar - Guarulhos, 06/04/2014]
Viajantes (foto: SM)
Sobrevoando os Pirineus (foto: Adh2bs)
na metáfora, na máquina, no pensar
Tantos longes voando aproximo
na firula, no meneio, no fintar
Em quantas mãos iludimos o destino
na mesa, na fumaça, no blefar
Cara de quadra, inocência de menino
no sorriso que somente esconde um par
Nas passagens que contamos das viagens
aquecidos no calor de um cappuccino
cúmplice olhar, nas risadas das bobagens
suscitadas nos mapas, desatino...
Renovados tantos planos e apostas
nos portais dos tantos pra onde vamos
Mãos vazias - as mochilas vão nas costas -
e a bola sempre surge aonde estamos
Tanto faz o portão nove, ou o seis
O que importa é triunfar sorrindo
Um grande beijo e um abraço pra vocês
nosso golaço faremos onde estamos indo...
[Adhemar - Guarulhos, 06/04/2014]
Viajantes (foto: SM)
Sobrevoando os Pirineus (foto: Adh2bs)
sexta-feira, 4 de abril de 2014
VERTIGEM
Tanto sangue escorrendo...
Mãos culpadas,
aura escurecendo
Tanto sangue vertendo...
Tantas feridas,
guerras perdidas,
almas se perdendo
Tanto sangue derramando...
Transfusões interrompidas,
veias se rompendo
- e cicatrizando -
em linhas coloridas
Tanto sangue reclamando,
justiça adormecida,
suores se lavando
em mãos cumpridas,
em vozes sufocadas
e prantos desarmando
Tanto sangue empoçando,
contido e respeitado pelo vento
que açoita suas dores,
que alenta suas noites,
que foge de armadura
e carrega a vela acesa
no costume...
Tanto sangue renascendo
- e circulando;
nos berços adormecendo,
bebendo nos bares
se aborrecendo,
se atrapalhando,
se escondendo nos Palmares,
se exaltando...
Tanto sangue...
Na boca, nos olhos, nos olhares,
até que enfim estancando...
[Adhemar - São Paulo, 28/03/2014]
Mãos culpadas,
aura escurecendo
Tanto sangue vertendo...
Tantas feridas,
guerras perdidas,
almas se perdendo
Tanto sangue derramando...
Transfusões interrompidas,
veias se rompendo
- e cicatrizando -
em linhas coloridas
Tanto sangue reclamando,
justiça adormecida,
suores se lavando
em mãos cumpridas,
em vozes sufocadas
e prantos desarmando
Tanto sangue empoçando,
contido e respeitado pelo vento
que açoita suas dores,
que alenta suas noites,
que foge de armadura
e carrega a vela acesa
no costume...
Tanto sangue renascendo
- e circulando;
nos berços adormecendo,
bebendo nos bares
se aborrecendo,
se atrapalhando,
se escondendo nos Palmares,
se exaltando...
Tanto sangue...
Na boca, nos olhos, nos olhares,
até que enfim estancando...
[Adhemar - São Paulo, 28/03/2014]
segunda-feira, 31 de março de 2014
BELA
Pelo céu da noite estão estrelas frias.
Cada uma brilha diferente,
ficam iluminando a gente
por tantas noites e por tantos dias.
Cada uma brilha diferente,
ficam iluminando a gente
por tantas noites e por tantos dias.
Mas a estrela maior está dormindo
de mãos postas sob o travesseiro.
Tento imaginar seu rosto fagueiro,
com gosto, sorrindo.
de mãos postas sob o travesseiro.
Tento imaginar seu rosto fagueiro,
com gosto, sorrindo.
Sorrindo de um sonho de estrela,
de dona de todas as noites,
de dona de todas as águas,
de dona de todos os brilhos.
de dona de todas as noites,
de dona de todas as águas,
de dona de todos os brilhos.
No brilho do gelo das estrelas
multiplicando os raios, fulgores,
sorrindo um prisma de cores
e linda, tão linda, dormindo.
multiplicando os raios, fulgores,
sorrindo um prisma de cores
e linda, tão linda, dormindo.
P/ BSF[Adhemar - São Paulo, 19/08/1987]
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Poesia
domingo, 30 de março de 2014
AVISO CELESTE
Estava andando distraído,
pensando na vida,
dando um tempo para o coração.
Precisava ser arejado,
respirar um pouco
e ter seu meio cicatrizado.
A vida é engraçada.
A intuição, então, falhou.
Na primeira distração -
o coração - de alguém se ocupou.
Primeiro, foi a razão que alertou;
mas concentrou mais atenção.
O menor gesto encantou
e agradou ao coração.
Situação delicada...
Tanta afinidade nasceu
que a amizade com amor se misturou.
Aturdido, o tempo passou
e a temperatura do peito
ficou febril...
Uma confusão se estabeleceu,
o coração está curioso,
parece que percebeu...
e aceitou...
A razão confiou no destino
que é o melhor mensageiro do céu...
P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 13/09/1987]
pensando na vida,
dando um tempo para o coração.
Precisava ser arejado,
respirar um pouco
e ter seu meio cicatrizado.
A vida é engraçada.
A intuição, então, falhou.
Na primeira distração -
o coração - de alguém se ocupou.
Primeiro, foi a razão que alertou;
mas concentrou mais atenção.
O menor gesto encantou
e agradou ao coração.
Situação delicada...
Tanta afinidade nasceu
que a amizade com amor se misturou.
Aturdido, o tempo passou
e a temperatura do peito
ficou febril...
Uma confusão se estabeleceu,
o coração está curioso,
parece que percebeu...
e aceitou...
A razão confiou no destino
que é o melhor mensageiro do céu...
P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 13/09/1987]
quarta-feira, 19 de março de 2014
GAIATICE - VSm
Um homem vivido e experiente costuma achar que resolve tudo. Considera-se imune às surpresas, nas dificuldades costuma dizer: ” essa eu tiro de letra”. Então, um belo dia, ele se vê na contingência de levar o filho caçula à escola, pela primeira vez (para o filho, é claro). Vai planejando ficar lá o tempo que a escola decidir pois o pequeno pode estranhar, chorar, essas bossas. Chegado o momento, hora da despedida, ué?! Cadê o menino?! Já entrou, não disse nem tchau e, ao que parece, vai feliz da vida! E o babaca do pai, cuja boca já nem fecha de espanto, cai da pose e sai chutando lata, o rabo entre as pernas e pensando quantas surpresas mais a vida ainda vai apresentar…
P/ Vítor Samuel[Adhemar - São Paulo, 04/02/2004]
Este também promete…
Nosso caçulinha, o Vítor, que fez 9 anos dia 25 último, realmente não deu trabalho na primeira vez em que foi à escola. Aliás, já tinha ido com ele antes, no dia da matrícula, e havia algumas crianças no curso de férias. A diretora o convidou para fazer algumas atividades com elas enquanto eu preenchia a papelada. Ela ficou encantada, pois quando ele entrou na sala onde as crianças estavam, ele disse o seguinte: “oi gente, eu sou o Vítor; vocês querem ser meus amigos?” Ia fazer 4 anos, a figurinha… Então já demonstrava a enorme vontade de ir à escola, afinal, os irmãos não iam?! Independente, auto-confiante, conversa muito bem dando opiniões consistentes sobre todos os assuntos. Ainda me deixa embasbacado muitas vezes, tal e qual no primeiro dia de aula…
Aproveitando o ensejo, hoje (01 de março) é o aniversário da nossa princesinha - única sobrinha (que tem sete primos!) - Ana Beatriz, a Bia, faz três aninhos, é linda, muito inteligente e meiga, adora a primaiada que só tem mimos com ela; filha de meu irmão Alexandre, faremos uma festa conjunta pros dois (Bia e Vítor) daqui a pouco. Parabéns aos dois!
Adhemar, 01/03/2009.
Agora são 9!
Nesse meio tempo entre a postagem original e hoje, Bia ganhou um irmãozinho que fará três anos em maio. Vítor já fez 14, enfim, o tempo passa tão rápido que daqui a pouco vamos estar elencando os netos!
Esclarecendo o "9": Três deles são meus filhos, mais dois de cada um de meus três irmãos dá 9.
Adhemar, 19/03/2014
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Opinião,
Prosa
domingo, 16 de março de 2014
VERSÓRIA
Embriagado por inebriante perfume
que não existe mais
Evocado pela memória
Evolado por saudade
Equivocado pela ausência de ciúme
Tanta dor já é demais
Física, real e da história
respirando com dificuldade
afogada numa lágrima magoada
desconectada do que o sentimento faz
Antes fosse peremptória
esta lembrança e sua crueldade
que fere esta alma torturada
no mais fundo de sua prisão
onde foi encarcerada de forma compulsória
Embriagado pela adversidade
mantém olhos calados, boca fechada
Quem sabe assim escuta o coração
ou aprende a evitar a emboscada
o rancor e a maldade
Embotado, com a alma tão cansada
simplesmente deita-se no chão
Sente a dureza da pedra gelada
e não é pior do que a velocidade
da dor pungente e embaçada
Determinado, finalmente junta as mãos
em torno de uma corda desfiada
ainda resistente, pela idade
fortemente nas grades amarradas;
e ele arranca a janela da prisão!
[Adhemar - São Paulo, 02/11/2013]
VERSÓRIA
(subst. fem. Náut. Ant.)
Cabo ou corda, para fazer voltar a vela.
que não existe mais
Evocado pela memória
Evolado por saudade
Equivocado pela ausência de ciúme
Tanta dor já é demais
Física, real e da história
respirando com dificuldade
afogada numa lágrima magoada
desconectada do que o sentimento faz
Antes fosse peremptória
esta lembrança e sua crueldade
que fere esta alma torturada
no mais fundo de sua prisão
onde foi encarcerada de forma compulsória
Embriagado pela adversidade
mantém olhos calados, boca fechada
Quem sabe assim escuta o coração
ou aprende a evitar a emboscada
o rancor e a maldade
Embotado, com a alma tão cansada
simplesmente deita-se no chão
Sente a dureza da pedra gelada
e não é pior do que a velocidade
da dor pungente e embaçada
Determinado, finalmente junta as mãos
em torno de uma corda desfiada
ainda resistente, pela idade
fortemente nas grades amarradas;
e ele arranca a janela da prisão!
[Adhemar - São Paulo, 02/11/2013]
VERSÓRIA
(subst. fem. Náut. Ant.)
Cabo ou corda, para fazer voltar a vela.
sábado, 15 de março de 2014
REVELAÇÕES 1 E 2
1
"Tenho vivido um dia de cada vez. Parece bom, parece fácil mas é só prático. Um dia de cada vez, sem noção do conjunto, sem plano de vôo."
"O registro do que vai ficando para trás: amigos por rever, coisas importantes por fazer, fatos e momentos, descanso ou brincadeira, férias que não chegam, exposições que acabam e a gente não foi ver. Um enorme rastro de incompetência e má administração. E o rascunho do que vai ficando pra frente: o grande projeto que não vem, livros que não se publicam, campeonato de futebol de botão… Convites que não se faz aos amigos, convivências envelhecidas pelo desleixo, pelo viver o dia-a-dia apequenado pela roupa suja, o lixo pra fora e a burocracia geral."
"Tenho vivido um dia de cada vez, e mal. Escondido atrás de afazeres, de uns poucos momentos privados, todos desperdiçados em releituras inúteis, em planejamentos furados."
"Tenho vivido um dia de cada vez sonhando com o amanhã, sonhando com a loteria, uma hipotética herança, direitos, "royalties’, sorteios."
"Tenho vivido um dia de cada vez procurando a rima perfeita ou a perfeita justificativa para o que soar diferente. Tenho lançado palavras desalinhadas com o pensamento de um repertório limitado. Um dia de cada vez, como um condenado."
2
"Penteio o cabelo que já não tenho, lá de onde eu venho isso não basta."
"Semeio o vento que já me veio, lá pelo meio isso não passa."
"Tiro uma água de um côco sêco, grito no eco, lá vem resposta."
"Chuto o cão, tiro o nó da gravata, lá pela mata é uma proposta."
"Tomo um banho na cascata como quem mata aula de canto."
"Tiro um sarro, perco a piada; lá na estrada não se chega a tanto."
"Largo tudo, largo o espanto, no meu recanto a rua é larga."
"Largo a pena, rasgo o papel… aqui no céu não precisa mais nada…"
[Adhemar - S. Paulo, 27/02/2004]
3?!
Onde estão as metáforas? A serviço de pensamentos aparentemente pessimistas… que desperdício. Sabiamente, diz o velho chavão: nada como um dia após o outro que dias melhores virão. A propósito, tenho um amigo, colega de trabalho, que responde ao cumprimento "como vai?" dizendo assim: "melhor que ontem, pior que amanhã!". Amém!
Adhemar, 22/04/2008.
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Prosa
sexta-feira, 14 de março de 2014
DIVAGAÇÕES AO TEMPO
I.
Ousaram tentar defini-lo. Ousaram dizer que ele não tinha.
Não tinha o quê? Ousaram duvidar dele. Acusaram-no de impassibilidade diante
dos fatos. Tempo.
Tempo é vida. Estamos parados no tempo assim como vivemos. O
tempo não começa nem termina; é como a linha matemática dos números, na qual
estamos parados no ponto zero.
O tempo não passa por nós. Nem tampouco nós por ele. O
futuro vem ao nosso encontro enquanto o passado nos foge. E o presente é o
eterno zero em que vivemos.
O presente é cada futuro chegando, cada passado indo embora.
Não é passado nem futuro posto que é instante. É o menor momento de nossa vida,
é nossa vida toda.
Tempo é um momento de luz. O futuro é um ponto branco no
horizonte. O passado se perde na escuridão. Mas o tempo não se perde. Nós é que
o perdemos por ganhá-lo, vivendo.
II.
Outrora
fui o que não sou. Vivido ou não, passou. Se era bom, não sei. Sem saudade, sem
vontade, vou sendo.
III.
Aquele
mendigo era cheio de detalhes. O paletó rôto que havia sido de meu pai, ainda
conservava a mesma elegância com que o próprio sacudia a sua embriaguez. A calça,
não de todo amarrotada, combinava com o sapato mais ou menos gasto. A barba por
fazer. Senti pena. Então, virei de costas para o espelho. É o mendigo que se
afasta.
[Adhemar - São Paulo, 12/08/1981]
"Devagarções"
Meu Deus...! Um dos escritos mais antigos que consegui desenterrar:
a percepção do
a percepção do
tempo por um rapaz aos dezoito anos! Bota tempo nisso...
Adhemar, 14/03/2014.
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