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sábado, 10 de maio de 2014

VERMELHO

Vermelho é minha cor predileta,
vermelho é a minha cor da sorte.

Vermelho era o teu vestido na noite,
da nossa aproximação certa.

Vermelho como o meu sangue.
Vermelho como a rosa do desejo,

como o beijo,
como o mais lindo batom no lábio exangüe.

Vermelho era a cor 
que a mulher errada não gostava; 
por isso mesmo,
o destino avermelhou meu caminho;
vermelho como o sol poente da estrada . . .

Vermelho como as madrugadas
que precedem a aurora,

vermelho como o fluxo de palavras destiladas,
principalmente vermelho, vermelho e vermelho, ora!

Vermelho como o nosso futuro,
alegre e berrante!

Vermelho como o nosso sangue.

Vermelho como a rosa do desejo.

Vermelho como o teu vestido,
vermelho como o rubor do beijo . . .

Para S.M.
[Adhemar - São Paulo, 03/01/1991]
Red Star
Para aquela que é a senhora dos meus dias, mãe dos meus filhos e que faz aniversário amanhã!
Parabéns, Stella! Bjs,
Adhemar, São Paulo, 10 de maio de 2009.
...
[E de novo hoje, 10/05/2014, aproveitando o resgate do blog original, na semana STELLA MARIS!!!]

sexta-feira, 9 de maio de 2014

TURISTAS

O céu, o mar, o farol
a ponte, o rio, museus
multiplicados brilhos seus
morenos cabelos de Carol

Calor, azul, a praça
a força maior da luz
nos passos que nos conduz
aos verdes olhos de Graça

Beleza, escola, aprendiz
nos prédios, nas casas, na árvore
em torno da estátua de mármore
as longas pernas de Liz

Espaço, transporte, a mala
no ar, no chão ou na água
na multidão que deságua
na doce voz de Carla

Cabelos e olhos da bela,
a voz, as pernas, o porte
na vida a grande sorte
de andar com Reyna Stella


P/ SM
[Adhemar - Florença, 14/04/2014]

Perspectiva, rua de Florença (foto: Adh2bs)

Piazza Sta Maria Novella (foto: Adh2bs)

Giardino Palazzo Medici (foto: Adh2bs)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

INFORMAÇÃO

Olhou pra mim. Tive certeza de que ia me fazer uma pergunta. Sorriu e se afastou.

Mais pra frente, ela pegou uma revista. Folheava ao acaso, não sei se vendo realmente o que estava olhando. E foi assim, entre atenta e distraída que deixou algo cair no chão. Era um lenço de seda, ou coisa parecida que, solícito, me abaixei para apanhar. Ela também, só que pegou a minha mão...

P/ SM
[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]

O charme das flores nas ruas de Florença (foto: Adh2bs)

Belo panorama que se vê a partir das pontes sobre o Arno, Florença (foto: Adh2bs)

terça-feira, 6 de maio de 2014

VERSOS QUENTES

Calor.
Suave e quente energia.
Envolvente vapor de afeto.
Nem súbito, nem apressado;
os corpos se aquecem e se movimentam.
Atração inevitável e normal.
Perseguição, captura.
Nuvens passando discretas
encobrindo aventuras secretas e reservadas.
O sol pensativo nas forças que pode fixar
para o amanhã radioso e perfeito.
Perfeito é o teu corpo,
mulher protetora,
de abraço quente e terno.
Poesia.
Poesias são essas palavras mal alinhavadas
que o aventureiro joga no tempo
em tempos difíceis.
Toda a poesia é feita com um pouco de tristeza.
Tristeza melancólica.
Toda poesia contém também
a alegria passageira,
de passagem,
clandestina e sorrateira.
Toda a poesia escrita perde o sentido.
Poesia é para ser vivida
como a poesia que eu vivo contigo.
P/SM[Adhemar - 09/01/1989]

segunda-feira, 5 de maio de 2014

ESTABELECIMENTO

Na ponta do movimento,
a porta do momento.
Quem se importa?

No calor da revolta,
a volta do elemento
que transporta...

Transporta, enleva, arrebata.
Arrebenta no limite e trata.
Quem se importa?

No imediato manifesto,
outra volta,
outra estaca.

Na janela fechada
a ousadia embalada.
Quem se importa?

Na balada embevecida,
confundida e torta,
há tanta vida...

Atrás do horizonte, escurecida,
tanta vida.
Quem se importa?

Quem dá falta
dessa mão meio perdida,
muito viva...

No trajeto entretecido
vai um olho ardido...
Quem se importa?

Se ele ri ou se ele chora,
se ele abafa ou escolta
amor bandido...

Meio solto, meio roto e perdido,
vai o amor caminhando em chão batido...
Quem se importa...?

[Adhemar - sobrevoando MG, 06/04/2014]


Avião da Ibéria em Guarulhos (foto: Adh2bs)

sábado, 3 de maio de 2014

CONFRONTO (vaias)

De tão exposto e tão confesso,
eu, réu, juiz e carrasco
nas próprias impróprias me enrasco
e humildemente lhe peço:
"Não useis contra mim minhas armas,
minhas rimas e ricas mentiras.
Afastai de mim essas tiras,
nem bebei do meu sangue, meu plasma."
"Subjugai o o que é minha calma
e protegei-me do próprio fantasma.
Porque, monstro! Não me entusiasma
em sequer perturbar minha calma."
E, volúvel, fugiste saliente
saltando janelas, cancelas e sebes;
no mesmo cálice onde ora tu bebes
saciando a sede contente.
Tanta certeza numa só angústia,
sem tanto pranto, nem tanto.
Abaixo do maior desencanto
uma reflexão tão acústica.
Tão solitário e ao acaso,
cego em meio à densa névoa,
ao vento no rosto que enleva
transbordando a sopa em prato raso.
Enfim será o fim de um tempo-espaço,
um adeus estranho e complicado
onde caminhou-se lado a lado
mas não se foi longe passo a passo.
Incorporado o que estava adiante.
Luta perdida por quem sai vaiado
mas jamais desiste, o derrotado,
de sair altivo a espera da revanche.
Se ao final das contas regozijas,
exultas, comemoras e festejas
deixo-te sentir o que não sejas,
pois pós as macias vêm as rijas.
Mas seremos salvos da avalanche
por um São Bernardo e muito rum.
Se preferires o resultado de um a um
ou se preferes jogar pedras no elefante.
Uma vez que transferes responsabilidade
vais esquentando o próprio sangue.
Fundo até os joelhos, lá no mangue,
fantástico irreal da realidade.
E o que somos perante o céu cinzento, abstrato?
Extravagantes cavalheiros cobertos de farrapos
ou reles mendigos com caras de sapos,
trajando terno, chapéu, gravata e sapato?
Indigentes inconscientes da nossa própria sorte
a guiar um destino descontrolado.
Pobres vítimas abandonadas num ermo descampado
fazendo pouco caso da morte e pose de forte.
Meros expectadores de uma comitiva
composta de camelos e ferraris.
Trajados como caçadores em safaris
suscitando a dor, tão aflitiva.
Aflição da poesia, que não se acaba.
Da "vaca foi pro brejo" e companhia.
Das almas salvas na última bacia
e na angústia da última palavra.
Na incerteza da rima que rareia,
dos cavalos, da espera e da intenção,
não há mais a mínima condição
de ir à praia, ir ao mar, pisar na areia.
De tão exposto e tão confesso,
depois de tantas frases, pouco progresso.
Um arremedo de história, sem sucesso,
se é melhor tentar de novo, eu recomeço!
[Adhemar - Sto. André, 03/03/2004]

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ô

Solta-se o verso preso
e a rima
do poeta indefeso
da saída por cima

Procura-se a palavra certa
e bem colocada
da ideia esperta
e da mancada

Vai o mar tão calmo esperando
a frase definitiva
do alto comando
e da injunção cognitiva

Prende-se o verso solto
e a cisma
procurando outro
num sofisma

Perde-se o cativo 
e as algemas
pede-se um motivo
fugas mais modernas...

[Adhemar - Guarulhos, 06/04/2014]

Perspectiva - Milão (foto: Adh2bs)
 Perspectiva - Milão (foto: Adh2bs)

domingo, 27 de abril de 2014

SATISFAÇÕES AO PATRÃO (3)

Apesar de estarmos de volta, já, há 3 dias, a viagem só terminou agora. Malas desfeitas, lembrancinhas entregues, roupas lavando.

Tenho brincado com amigos que me provocam que eu moro mesmo é na Itália; mas por força de razões familiares e profissionais sou obrigado a passar 350 dias por ano no Brasil...! Pela segunda vez, nestes últimos anos em que temos ido a Milão, visitamos apartamentos à venda por razões ligadas à nossa profissão. Nada a ver com uma mudança improvável; isso suscita e alimenta as piadas relacionadas à nossa ligação com a "Bota". Nós, enquanto arquitetos, vamos pra lá olhar e apreciar tendências e inovações que podem ser amalgamadas ao trabalho, incluindo mobiliário contemporâneo e novos equipamentos, além de ver o que de nosso se leva pra lá.

Espero que o planejamento dê certo pra poder viajar de novo no próximo ano, apesar das dificuldades: ainda não acabamos de pagar a viagem do ano passado e o acúmulo do custo de duas compromete a próxima... Mas não é isso que vai nos intimidar! Credores, benzei-vos!!!

Até a próxima...

[Adhemar - São Paulo, 21/04/2014]


Diário de bordo

Não adianta procurar os capítulos 1 e 2 antes de hoje. Além disso, mesmo sendo o último, este deveria ser o primeiro da série escrito sobre a viagem a Milão e Florença; só que, por engano, coloquei ontem o primeiro deles, que deveria ser o segundo aqui. Enfim...
Os demais (inclusive o 1 e 2 desta sequência) vão ser postados ao longo do ano, alguns falando das impressões que nos ficaram de lá.
Vamos que vamos!

Adhemar, 27/04/2014.

Prédio de apartamentos no City Life - Milão (foto: Adh2bs)
Milão, centro (foto: Adh2bs)



Florença vista do alto da Torre Vecchio (fotos: Adh2bs)




sábado, 26 de abril de 2014

JOGADA

Voar de vez em sempre é preciso
na metáfora, na máquina, no pensar
Tantos longes voando aproximo
na firula, no meneio, no fintar

Em quantas mãos iludimos o destino
na mesa, na fumaça, no blefar
Cara de quadra, inocência de menino
no sorriso que somente esconde um par

Nas passagens que contamos das viagens
aquecidos no calor de um cappuccino
cúmplice olhar, nas risadas das bobagens
suscitadas nos mapas, desatino...

Renovados tantos planos e apostas
nos portais dos tantos pra onde vamos
Mãos vazias - as mochilas vão nas costas - 
e a bola sempre surge aonde estamos

Tanto faz o portão nove, ou o seis
O que importa é triunfar sorrindo
Um grande beijo e um abraço pra vocês
nosso golaço faremos onde estamos indo...

[Adhemar - Guarulhos, 06/04/2014]

Viajantes (foto: SM)
 Sobrevoando os Pirineus (foto: Adh2bs)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

VERTIGEM

Tanto sangue escorrendo...
Mãos culpadas, 
aura escurecendo

Tanto sangue vertendo...

Tantas feridas,
guerras perdidas,
almas se perdendo

Tanto sangue derramando...

Transfusões interrompidas,
veias se rompendo
- e cicatrizando -
em linhas coloridas

Tanto sangue reclamando,

justiça adormecida,
suores se lavando
em mãos cumpridas,
em vozes sufocadas
e prantos desarmando

Tanto sangue empoçando,

contido e respeitado pelo vento
que açoita suas dores,
que alenta suas noites,
que foge de armadura
e carrega a vela acesa
no costume...

Tanto sangue renascendo

- e circulando;
nos berços adormecendo,
bebendo nos bares
se aborrecendo,
se atrapalhando,
se escondendo nos Palmares,
se exaltando...

Tanto sangue...

Na boca, nos olhos, nos olhares,
até que enfim estancando...

[Adhemar - São Paulo, 28/03/2014]