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sexta-feira, 16 de maio de 2014

SATISFAÇÕES AO PATRÃO (1)

Estamos viajando outra vez para a abençoada feira de mobiliário e design de Milão. Desta vez, entraremos na Europa por Madri, a exemplo de minha primeira vinda, com a diferença que faremos a conexão para a Itália sem tempo sequer de chegar ao outro terminal para embarque a Milão! Pena, ainda estamos devendo umas pernadas pela Espanha.

Após a obrigação, uma passadinha em Florença (curiosidade despertada pelo aperitivo de umas poucas horas que ficamos lá, ano passado) e a volta por Roma, só de passagem, para o retorno a Madri, de onde voltaremos pra casa...

Este texto não era para ser escrito porque a chocolateira voadora está sacudindo muito. A caneta quase não para quieta e o coração também não. Mas Deus está segurando e a janta está chegando!

[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]

E por falar em janta...

Almoço em Florença (foto: SM)

Almoço em Florença (foto: Adh2bs)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PALCOS

Pedaço.
Caminho, percalço.
Alcance.
Balanço,
passo descalço.

Um salto.

Um Santo,
espanto.
O ar e o encanto.
Canto arbitrário.
Movimentos irregulares,
espaço,
armário.

Guardado o manto,
humildade,
esperança.
Força na subida,
manter a atitude.
É tudo metáfora,
juventude.
Pra frente ainda é longe,
pra trás ora é distante...


[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]



City Life, Milão (foto: Adh2bs)

City Life, Milão (foto: Adh2bs)

City Life, Milão (foto: Adh2bs)

 Show de rua em Florença (foto: Adh2bs)

Show de rua em Florença (foto: Adh2bs)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

DESCULPE

Perdoa o pequeno verso,
perdoa a distração.
Não guarde ressentimento
nem deserção.
           Perdoa o atrevimento
           e também, talvez, a razão.
           Deixe fluir o inverso
           ao coração.
Perdoa a rima tão pobre,
pobres palavras e a presunção.
Seja você, seja nobre.
Eu não.
          Perdoa esse adeus, de repente,
          desde sempre uma aberração.
          Perdoa o poeta errante,
          errados versos, errada mão.
Perdoa, principalmente,
a falta de inspiração.
[Adhemar - 25/01/2000]

domingo, 11 de maio de 2014

PIT

Ela me leva com ela
me carrega e me aguenta
me dá o lugar da janela
me agasalha e alimenta

Ela é perseverante
determinada e pra frente
pensa nos outros antes
e ainda fica contente

Ela é inteligente
observadora e perspicaz
decidida e diligente
não há o que não seja capaz

Ela é linda e radiante
uma obra prima e bela
me leva para adiante
minha estrela-guia Stella.

P/ S.M.
[Adhemar - Madri, 17/04/2014]

Aeroporto de Madri [foto: Adh2bs - a estrela-guia à frente (d)]

Aeroporto de Madri, Café (foto: SM)

Turistas ilustres num Café de Florença (foto: SM)

PS

Para a aniversariante do dia, e mãe, um duplo parabéns! Que Deus te abençoe e acompanhe!

Adhemar, 11/05/2014

sábado, 10 de maio de 2014

VERMELHO

Vermelho é minha cor predileta,
vermelho é a minha cor da sorte.

Vermelho era o teu vestido na noite,
da nossa aproximação certa.

Vermelho como o meu sangue.
Vermelho como a rosa do desejo,

como o beijo,
como o mais lindo batom no lábio exangüe.

Vermelho era a cor 
que a mulher errada não gostava; 
por isso mesmo,
o destino avermelhou meu caminho;
vermelho como o sol poente da estrada . . .

Vermelho como as madrugadas
que precedem a aurora,

vermelho como o fluxo de palavras destiladas,
principalmente vermelho, vermelho e vermelho, ora!

Vermelho como o nosso futuro,
alegre e berrante!

Vermelho como o nosso sangue.

Vermelho como a rosa do desejo.

Vermelho como o teu vestido,
vermelho como o rubor do beijo . . .

Para S.M.
[Adhemar - São Paulo, 03/01/1991]
Red Star
Para aquela que é a senhora dos meus dias, mãe dos meus filhos e que faz aniversário amanhã!
Parabéns, Stella! Bjs,
Adhemar, São Paulo, 10 de maio de 2009.
...
[E de novo hoje, 10/05/2014, aproveitando o resgate do blog original, na semana STELLA MARIS!!!]

sexta-feira, 9 de maio de 2014

TURISTAS

O céu, o mar, o farol
a ponte, o rio, museus
multiplicados brilhos seus
morenos cabelos de Carol

Calor, azul, a praça
a força maior da luz
nos passos que nos conduz
aos verdes olhos de Graça

Beleza, escola, aprendiz
nos prédios, nas casas, na árvore
em torno da estátua de mármore
as longas pernas de Liz

Espaço, transporte, a mala
no ar, no chão ou na água
na multidão que deságua
na doce voz de Carla

Cabelos e olhos da bela,
a voz, as pernas, o porte
na vida a grande sorte
de andar com Reyna Stella


P/ SM
[Adhemar - Florença, 14/04/2014]

Perspectiva, rua de Florença (foto: Adh2bs)

Piazza Sta Maria Novella (foto: Adh2bs)

Giardino Palazzo Medici (foto: Adh2bs)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

INFORMAÇÃO

Olhou pra mim. Tive certeza de que ia me fazer uma pergunta. Sorriu e se afastou.

Mais pra frente, ela pegou uma revista. Folheava ao acaso, não sei se vendo realmente o que estava olhando. E foi assim, entre atenta e distraída que deixou algo cair no chão. Era um lenço de seda, ou coisa parecida que, solícito, me abaixei para apanhar. Ela também, só que pegou a minha mão...

P/ SM
[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]

O charme das flores nas ruas de Florença (foto: Adh2bs)

Belo panorama que se vê a partir das pontes sobre o Arno, Florença (foto: Adh2bs)

terça-feira, 6 de maio de 2014

VERSOS QUENTES

Calor.
Suave e quente energia.
Envolvente vapor de afeto.
Nem súbito, nem apressado;
os corpos se aquecem e se movimentam.
Atração inevitável e normal.
Perseguição, captura.
Nuvens passando discretas
encobrindo aventuras secretas e reservadas.
O sol pensativo nas forças que pode fixar
para o amanhã radioso e perfeito.
Perfeito é o teu corpo,
mulher protetora,
de abraço quente e terno.
Poesia.
Poesias são essas palavras mal alinhavadas
que o aventureiro joga no tempo
em tempos difíceis.
Toda a poesia é feita com um pouco de tristeza.
Tristeza melancólica.
Toda poesia contém também
a alegria passageira,
de passagem,
clandestina e sorrateira.
Toda a poesia escrita perde o sentido.
Poesia é para ser vivida
como a poesia que eu vivo contigo.
P/SM[Adhemar - 09/01/1989]

segunda-feira, 5 de maio de 2014

ESTABELECIMENTO

Na ponta do movimento,
a porta do momento.
Quem se importa?

No calor da revolta,
a volta do elemento
que transporta...

Transporta, enleva, arrebata.
Arrebenta no limite e trata.
Quem se importa?

No imediato manifesto,
outra volta,
outra estaca.

Na janela fechada
a ousadia embalada.
Quem se importa?

Na balada embevecida,
confundida e torta,
há tanta vida...

Atrás do horizonte, escurecida,
tanta vida.
Quem se importa?

Quem dá falta
dessa mão meio perdida,
muito viva...

No trajeto entretecido
vai um olho ardido...
Quem se importa?

Se ele ri ou se ele chora,
se ele abafa ou escolta
amor bandido...

Meio solto, meio roto e perdido,
vai o amor caminhando em chão batido...
Quem se importa...?

[Adhemar - sobrevoando MG, 06/04/2014]


Avião da Ibéria em Guarulhos (foto: Adh2bs)

sábado, 3 de maio de 2014

CONFRONTO (vaias)

De tão exposto e tão confesso,
eu, réu, juiz e carrasco
nas próprias impróprias me enrasco
e humildemente lhe peço:
"Não useis contra mim minhas armas,
minhas rimas e ricas mentiras.
Afastai de mim essas tiras,
nem bebei do meu sangue, meu plasma."
"Subjugai o o que é minha calma
e protegei-me do próprio fantasma.
Porque, monstro! Não me entusiasma
em sequer perturbar minha calma."
E, volúvel, fugiste saliente
saltando janelas, cancelas e sebes;
no mesmo cálice onde ora tu bebes
saciando a sede contente.
Tanta certeza numa só angústia,
sem tanto pranto, nem tanto.
Abaixo do maior desencanto
uma reflexão tão acústica.
Tão solitário e ao acaso,
cego em meio à densa névoa,
ao vento no rosto que enleva
transbordando a sopa em prato raso.
Enfim será o fim de um tempo-espaço,
um adeus estranho e complicado
onde caminhou-se lado a lado
mas não se foi longe passo a passo.
Incorporado o que estava adiante.
Luta perdida por quem sai vaiado
mas jamais desiste, o derrotado,
de sair altivo a espera da revanche.
Se ao final das contas regozijas,
exultas, comemoras e festejas
deixo-te sentir o que não sejas,
pois pós as macias vêm as rijas.
Mas seremos salvos da avalanche
por um São Bernardo e muito rum.
Se preferires o resultado de um a um
ou se preferes jogar pedras no elefante.
Uma vez que transferes responsabilidade
vais esquentando o próprio sangue.
Fundo até os joelhos, lá no mangue,
fantástico irreal da realidade.
E o que somos perante o céu cinzento, abstrato?
Extravagantes cavalheiros cobertos de farrapos
ou reles mendigos com caras de sapos,
trajando terno, chapéu, gravata e sapato?
Indigentes inconscientes da nossa própria sorte
a guiar um destino descontrolado.
Pobres vítimas abandonadas num ermo descampado
fazendo pouco caso da morte e pose de forte.
Meros expectadores de uma comitiva
composta de camelos e ferraris.
Trajados como caçadores em safaris
suscitando a dor, tão aflitiva.
Aflição da poesia, que não se acaba.
Da "vaca foi pro brejo" e companhia.
Das almas salvas na última bacia
e na angústia da última palavra.
Na incerteza da rima que rareia,
dos cavalos, da espera e da intenção,
não há mais a mínima condição
de ir à praia, ir ao mar, pisar na areia.
De tão exposto e tão confesso,
depois de tantas frases, pouco progresso.
Um arremedo de história, sem sucesso,
se é melhor tentar de novo, eu recomeço!
[Adhemar - Sto. André, 03/03/2004]