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domingo, 14 de setembro de 2014

FAÇANHAS DE CHOCOLATE

               Olhando para trás vejo luzes amarelas se aproximando tão rápido. Quando passam por mim vejo luzes vermelhas se afastando velozmente. Espero dois pontos ainda, andando devagar, olhando em torno e fazendo um novo caminho. A estrada é plana e muito lisa, demais até para um prático; reta, com poucas curvas, como se só para tolos inúteis e sem iniciativa.
                Nessa estrada sou um estranho. Adiante, entroncamentos, encruzilhadas, nenhum sinal aparente. Só quem sabe para onde está indo é que pode escolher - ou advinhar - por qual via continuar. E o tráfego será ora calmo, ora intenso. Esse lento caminhar refletirá ora a experiência, ora as dúvidas. É o caminho difícil, sem pousos ou reabastecimentos que levará os corajosos e ousados para a suprema recompensa de descobrir se passaram pela vida certos ou errados. Tantas convicções postas à prova no final desse trajeto soberbamente percorrido.
                Que Deus acompanhe cada um nessa incrível jornada.


[Adhemar - São Paulo, 23/05/2006]

DEZEMBRO

Prezados amigos desta página;

              Este dezembro está muito corrido, compromissos de trabalho e sociais se amontoando numa velocidade além da capacidade de assimilação e cumprimento deste que vos fala - ou escreve, no caso. Portanto, vão ficar alguns dias meio "mancos", poucas visitas farei, mas não comemorem! Eu voltarei!!!

              Outro assunto inevitável - embora não seja o propósito deste "blog" - é oTricolor do Murumbi, meu time de coração desde criança, que aprendi a amar por obra e graça de meu pai que ainda teve a satisfação de ver os três primeiros netos abraçarem a predileção do avô no futebol. Não é pouca coisa pra um sujeito convencido e orgulhoso feito eu, ver o já tricampeão da Libertadores da América e tricampeão mundial de clubes (primeiro e por enquanto único time brasileiro a ter essas conquistas) conquistar seu sexto título brasileiro (segundo a imprensa especializada em todo o mundo é o campeonato mais difícil do planeta) e de quebra, pela terceira vez consecutiva! Ou seja, um autêntico tricampeão! De novo pioneiro, é o primeirão nessa conquista. Reconheço, no entanto, que o futebol brasileiro passa por um momento de escassez de craques. Mas a secura é igual para todos e a conquista do São Paulo Futebol Clube vem premiar o time mais organizado e com a melhor infra-estrutura dentro do Brasil e comparada aos melhores clubes europeus.

               Agora chega, que ainda estou rouco de tanto cantar e gritar É CAMPEÃO! TRI-CAMPEÃO!!! HEXA-CAMPEÃO!!!!!!

               Salve o Tricolor Paulista...

Adhemar, 08/12/2008.

N.A.:

SETEMBRO

Este setembro, em compensação, está recebendo todos os posts que ainda não haviam sido importados do blog original (http://adh2bs.blog.terra.com.br), visto que o terra anuncia o fim dos blogs até dia 30 próximo. Conforme programado, devo terminar ainda hoje e teremos a memória completa do que começou lá.

Abç,

Adhemar - 14/09/2014.

DINÂMICA

Abrir os braços.
Para espreguiçar, para abraçar,
pra reclamar do juiz;
para fingir voar, pra comemorar
e pra manifestar um espanto.
Para se equilibrar,
ou nem tanto.
Erguer os braços.
Para pedir a palavra, para pedir a bola,
pra obedecer o ladrão;
para cheirar o sovaco,
para se acusar
e para se inocentar.
Cruzar os braços.
Por preguiça, por indignação;
para ouvir,
para se abster de uma opinião,
manifestar uma zanga
com a cara fechada.
Se isso é o que podemos com os braços,
imagine o que não fazemos com as mãos…

[Adhemar - São Paulo, 23/05/2006]

QUEDA!

Foi num repentino impulso
que não custou muito
que se repetiu:
olhei pra trás, alguém caiu.
Foi num curto palavrão,
cheio de chão
me levantei;
na minha roupa eu me rasguei.
Meio mancando
eu fui andando
e a não tropeçar de novo
segui tentando.
Até que, numa reviravolta,
você de volta,
se repetiu:
olhei pra trás, alguém caiu!

[Adhemar - Santo André, 31/05/2007]

COINCIDÊNCIA

Onde quer que eu vá
vou te encontrar
e também - sabe-se lá -
outro lugar.
Esteja, estamos
feito afoitos,
feito humanos,
feito doidos…
Enfim nos acharemos
sem procurarmos
um ao outro e riremos
dos nós que desatamos.
Até que nos afastemos
sem saber aonde vamos
e nos odiaremos,
nós, que nos amamos!

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 11/12/2006]

SONS DA PRISÃO

               São tantas idéias perturbando a cabeça… Ficam se entrechocando  ansiosas por liberdade, soltando faíscas. Às vezes se aliam, se juntam para uma reunião de rebeldia planejando uma fuga, uma revolução ou uma outra saída. Às vezes sofrem uma invasão: são outras idéias vindas de fora, ouvidas na rua para aumentar a confusão. É tanta dor de cabeça que dá até um enjôo, uma náusea ou tontura que faz a gente sentar a espera da solução. Aí, mareado e distraído, a gente abre um caderno, se apossa de uma caneta e, instintivamente, dá asas à imaginação. Então, as idéias - surpreendidas em seu calabouço - saem em debandada fixando-se no branco da liberdade, confusas, ingratas ou gratas, organizadas ou não. A dor de cabeça passa. A cabeça fica vazia. E recomeça outra angústia: é tanto tempo sem nada… Será que nossas idéias entraram em extinção?!

[Adhemar - Sto. André, 25/08/2008]

REVISÃO

Estou, mais uma vez, folheando as páginas do que não li, reconsiderando tudo aquilo que não fiz e organizando aquela bagunça interior que nos empurra, seja para que lado for. Tirando o pó das coisas secretamente guardadas, sem saber exatamente o que vai por baixo da fina camada de ironia acumulada durante tantos anos.
Estou aqui, mais uma vez, tentando encontrar o amigo desconhecido que mora tão perto com seu ar distante. Procurando a música inédita que é pano de fundo da nova aventura; revendo conceitos e planos que se perderam dos objetivos. Cerrando os punhos determinado a… Abrir as mãos!
Estou aqui, mais uma vez me revelando, me despindo dos ideais românticos e de um velho ideário tão ultrapassado que logo estará na moda outra vez! Estou procurando um espaço específico e determinado que talvez já esteja ocupado… Por mim! Estou acendendo a vela pra iluminar mais um passo nas trevas do pensamento claro. 
Estou de novo aqui, retrocedendo um pouco para tomar impulso e pular para o outro lado. Folheando as páginas do que escrevi tentando encontrar o significado oculto do que deixei registrado; me expondo, sorrindo meio sem graça mas… Sempre avançando!
[Adhemar - Santo André, 09/09/2008]

LAÇO

O que acontece com a gente,
tão instável quanto a tempestade,
inconstante como o vento,
querendo alguém em pensamento
e criando laços de outro lado?
De uma aproximação,
o mais terno afago;
do outro lado a ausência
como ondas num lago.
Uma mesa fria, eu me deito,
fecho os olhos e imagino
toda a vida presente flutuando.
Ah! Meu Deus, isso é castigo,
ora me enredo no visgo
e acho que não vou escapar.
Chego tarde, de fora, da noite.
Vindo da rua, acompanhado pelo silêncio.
Encontro o caderno aberto, esperando.
Página em branco, futura poesia.
Os pensamentos coloridos vão se multiplicando.
Tantas coisas pensadas, bonitas
e, recordando,
revivo um pouco o silêncio de outrora.
Calmo, sentado em frente ao papel,
continuo procurando.
Subitamente,
de tão distraído e cansado
- é já, tão tarde -
eu me levanto e vou embora.

[Adhemar - São Paulo, 24-28/08/1987]

LAPSO

Uma parada no tempo corrido;
como se em viagem, um abastecimento;
como se numa trilha - um descanso.
Uma parada, uma pausa entre dois acordes.
Como acordar interrompendo o sono, plena noite,
como largar o garfo para mastigar um alimento.
Uma parada na leitura dinâmica
como se para olhar pela janela.
Como olhar, não vendo, distração.
Uma parada no tempo.
Como se dando um tempo para recuperação.
Como se para dar tempo de pensar em outras coisas.
Uma parada. Assim, no meio do nada.
Como se para afogar um aborrecimento.
Como se parar fosse uma solução do tempo.

[Adhemar - São Paulo, 13/05/2008]

ANTONI GAUDÍ

Fantasias que povoam a mente. Coragem para transformá-las em realidade e enfrentar poderes (ou ‘podres’?!) públicos e temporais para concretizá-las.
Grande determinação. Detalhismo minucioso. Esculturas vivas representando residências, parques, igrejas, estabelecimentos comerciais.
A força de uma obra que, iniciada em fins do século XIX, atravessou o século XX e, em pleno século XXI, ainda emociona, impressiona pela grandeza, pela beleza, pela perenidade; e que significa um exemplo de dedicação e de fidelidade a princípios intrínsecos.
Neste breve excerto, apenas um tímido manifesto de admiração pelo imortal arquiteto catalão Antoni Gaudí (25/06/1852 - 07/06/1926).
[Adhemar - São Paulo, 24/05/2008]
Vejam algumas obras do mestre (imagens retiradas do site wikipédia - Gaudí - obras):
Igreja Sagrada Família - Barcelona / ESP

Casa Batló - Barcelona / ESP

Casa Milá - Barcelona / ESP

Casa Vicens - Barcelona / ESP

Adhemar, 13/11/2008.