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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

COMPANHEIRA STELLA, ANO 25!

Dizer que parece que foi ontem
Soa meio exagerado.
Dizer que parece ‘faz’ um século
Também não é apropriado.
Mas é eterno e tem durado!

O mais bonito desse amor
É que consegue ser amigo,
Companheiro e compreensivo.
O mais incrível desse amor
É que é evolutivo.
Toda a zanga é passageira
E da paixão não é cativo.
O ciúme é tranqüilo,
Nunca foi obsessivo.
Se alguém bate na porta
A gente ri, não dá ouvidos...

Dizer que parece que foi muito
É um tanto possessivo.
Dizer que, talvez foi pouco,
É melífluo ou esquivo.
Mas é eterno e altivo!


P/ SM
Adhemar – São Paulo, 23/09/2014.

VINTE E CINCO ANOS!

Dia 23/09/2014 completamos 25 anos de casamento. Muito abençoados, com três filhos incríveis; nada mais a declarar e muito muito muito para agradecer à Deus.

Adhemar - 26/09/2014.

BLOG - SEIS ANOS E MEIO...

Aproveitando que todo o conteúdo original do blog do terra já se encontra neste espaço, alteramos a foto e a cor deste blog. O Museu do Ipiranga é pertinho de casa, sempre agradável de se  visitar.

Adhemar - 26/09/2014.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CARROSSEL

Beleza imperfeita, assimétrica,
um riso forçado,
uma nervosa alegria.
Uma profunda tristeza,
linda, encaracolada…
Um acidente, um acaso,
um fato abstratamente concreto;
uma fruta madura apodrecendo,
um xereta discreto…
Uma foto muito antiga
representando um hoje possível.
As mãos procurando inquietas
uma posição mais tranquila.
O tempo escorrendo certo.
Um revestimento que não protege.
Inexperiência repleta de sabedoria
que, mesmo cheia não se completa.
Apesar de ter muitas rodas
ainda é uma bicicleta.

[Adhemar - São Paulo, 08/02/2009]

Parece mentira!
Pois é, logo hoje, recomeçar com a sabedoria inexperiente, incompleta, logo quem nunca soube - e não sabe - andar de bicicleta! Pra quem acha que isso não tem nada a ver, que é só um amontoado de palavras aparentemente aleatórias, eu só digo uma coisa: banana não tem caroço…
Adhemar, 01/04/2009.

VISITA ILUSTRE ÀS ORIGENS

O poder transformador do homem é admirável e temível. Sua profunda capacidade de antever situações que demandam preparo, extração, fabricação e montagem e sua capacidade de enfeitar, adornar ou simplesmente estabelecer o novo ambiente ou novo objeto.
Estupefato, vejo um terreno dar lugar a um prédio; vejo minério se transformando em carros, máquinas, moldes e ferramentas para fazer outras coisas. Vejo a montanha virar pedras e as pedras virarem obras, ou jóias.
Aí, volto os olhos para trás e vejo o terrível poder transformador do homem: vejo a montanha virar um imenso buraco, vejo a floresta virar deserto, vejo minérios virarem armas e árvores tornarem-se dinheiro. E de repente eu vejo o dinheiro virar a cabeça dos homens, transformando capacidade em cobiça, inteligência em “esquema”.
Estarrecido, vejo o enorme poder da violência, nascido do poder da miséria, da opressão e da ganância; e o absoluto poder da mídia transformando tudo em fatos vendáveis e irretorquíveis, ainda que distorcidos e fabricados.
Então, vejo um índio carajá formando-se advogado para entender tudo isso. E voltar para a sua aldeia de origem e contar ao seu povo espantado as incríveis contradições do “Tori” (homem branco). Não entende a profunda agressão à natureza e aos outros homens! Não entende o trabalho que tem o “Tori” oprimindo, matando e juntando bens para não fazer nada depois! Não entende por que o incoerente “Tori” não tira o que precisa do rio, das matas, do mar e da terra, calma e sossegadamente como fazem os índios, tidos por indolentes por esse mesmo sobranceiro e intolerante “Tori”.
Socorro, meu Deus, eu quero ser índio!

[Adhemar - São Paulo, 29/04/2006]

Data vênia
Peço desculpas por não citar o nome do chefe dos carajás que foi estudar direito para tentar entender o “Tori” (e representar sua tribo para defender sua terra e os seus direitos), simplesmente não o registrei à época e esqueci. Escrevi esse texto após ler uma reportagem em que ele era o entrevistado. Lembro que chorei ao perceber como somos uns pobres diabos mesquinhos, gananciosos e sem a menor noção do que é viver em comunhão com a natureza; e esta ainda vai dar o troco, simplesmente eliminando a raça humana do planeta… Provavelmente,  só vão sobrar aqueles, que, puros de alma, ainda a respeitarem: os índios e todos os “nativos” assim entendidos os que vivem em harmonia com sua terra - ou com o que dela ainda não tivermos destruído…
Adhemar, 02/04/2009.

DESEJOS SIMPLIFICADOS

Nadar de braçadas num oceano tranquilo.
Balançar numa rede durante o mormaço da tarde.
Passar o tempo chuvoso debruçado sobre um bom livro.
Passar o verão e outono caminhando à toa na praia.
Ver crescer o coqueiro - e esperar que o côco caia!
Inspirar profundamente o cheiro das plantas após a chuva.
Assistir o pôr-do-sol no horizonte
até a noite surgir estrelada.
Observar o céu azul marinho
naquela paz que nada perturba.
Comer sem gula nem hora
erva-dôce e cachos de uva.
Respirar ar puro o dia inteiro,
beber água da fonte mais pura.
E ter flores, as mais coloridas,
num grande e belo canteiro.
Apreciar na intimidade
as formas da companheira.
Amar sem urgência nem culpa,
fazê-la feliz num momento
que dure a vida inteira;
e cantar em prosa e verso
o sucesso da dupla…
Viver simplesmente em paz com o mundo.
Viver simplesmente em paz com a gente mesmo.
Viver com saúde de menino taludo
e comer a feijoada completa,
com caipirinha, tutu e torresmo!

[Adhemar - São Paulo, 13/07/2008]

SETENTA ANOS

Esta é uma história originada de uma ferida aberta. Uma laceração destilando as inquietações de uma alma determinada, decidida a imprimir um peso específico e certeiro a cada palavra - dita ou escrita - para que não pairem dúvidas sobre sua idoneidade ou intenções; firmemente convicta que é melhor não estancar tal hemorragia.
Não importa o risco de amputação de um membro, nem a palidez decorrente da perda de todo o sangue. O mesmo que em vão já foi derramado e também aproveitado em transfusões. Não há dor, embora não haja anestesia. Indiferente à temperatura de ebulição, de encontrar algum apoio para as mãos ou da existência de curativos e desinfetantes, esta é uma história parada no centro de uma poça vermelha.
De repente, bem no meio desse enorme corte, começa a sair a própria essência da carne, nervos e músculos, revirados numa revolta. E a medida que vão saindo, vão formando um novo corpo revitalizado, fazendo a velha casca murchar e cair como o miolo do sol no centro de sua auréola. É o fim do seu banho hematóide. É a reencarnação física renovada terminando pelo próprio cérebro ora remoçado. E uma nova película nasce e envolve o novo reencarnado.
Uma vez pronto, ele pisca os novos olhos. Olha em volta de si e se dá conta de que o que foi antes está no chão, como lixo hospitalar ou restos mortais de um cachorro atropelado. E por pensar nisso, repara que está complemente nu - inclusive de referências. A desvantagem de ter o repertório vazio é que é mais difícil recomeçar; a vantagem é que está livre para fazer o que bem entender, sem medo de errar. Descalço, salta os próprios destroços procurando se situar, saber onde está, o que é e por onde começar. Por exemplo, achar uma cama e deitar; achar o seu sono e dormir; achar o seu mundo e sonhar.

P/ Tia Nancy
[Adhemar - São Paulo, 25/05/2004]

Tia Nancy
Na verdade, ela fez setenta anos em 3 de julho de 2004; mas havia escrito este texto antes, dedicado a essa irmã de minhã mãe que sempre foi protetora dos sobrinhos, a voz da razão e da concórdia nas disputas entre nós… Casada com o Tio Antonio - o Tonho, uma espécie de ídolo da gente com jeito simples e companheiro - ela continuou nos homenagenado com suas feijoadas excepcionais, cuscuzes sublimes e mousses de maracujá de fazerem os deuses descerem à terra. Tímida, assustou-se com o teor desse texto cujo conteúdo achou violento; ela, que renasceu tantas vezes de situações difíceis que a vida lhe impôs, inclusive agora, enquanto se recupera de uma cirurgia no abdomen. Mas tem tudo a ver com ela, esse texto “vermelho” que é nossa cor predileta (dela e minha). Que Deus te abençôe e proteja, Tia Nancy!
Adhemar, 14/04/2009.

RACIOCÍNIO

     A lógica é muito relativa e precisa ser contrariada para se confirmar. Mais refletida, passa a se justificar melhor, sai fortalecida dos desafios lançados. O fio condutor do pensamento lógico é contínuo, intenso e resistente. A lógica, por si só, é quase uma ciência. É apaixonante e jamais será contraditória.
     A lógica é muito orgulhosa. Porque faz sentido, porque tem razão. Sempre se prova, mesmo numa linha tortuosa sempre prevalece, sempre ganha. Vira teses e tratados, grandes filosofias. Abstratamente concreta, a lógica ensina, encadeia e apresenta sentido; cobra uma postura ou apoio. A lógica, porém, tem vertentes. Ramificações perceptíveis, prováveis, outras tantas certezas derivadas da certeza central e dominante.
      A lógica é loucamente irritante.

[Adhemar - São Paulo, 27/06/2006]

DELÍRIO MELANCÓLICO

Gotas de suor no rosto,
cabelo desfeito, camisa rasgada.
Uma vaga sonolência que não define o que se faz;
não é suficiente para dormir,
não é estimulante para acordar.
Ouvem-se os sons da noite no quintal.
Uma festa, a festa da noite.
Fechar os olhos e pensar,
um velho hábito.
Calmo e velho hábito.
Calmamente pensar e sentir o desejo de ficar só.
Não sei se o pensamento e a calma trazem você.
(E é bom).
Cada vez mais tranquilo tento me buscar em mim,
mas não consigo.
Já me desprendi, em outra esfera te espero.
A saudade vem me chamar dos devaneios,
dizer que a manhã se aproxima
e que é necessário sonhar.
A música é tão linda,
não dá vontade de parar de escutar.
Imagino: você me convida
pois há tantas convenções por derrubar.
Versos e mais versos me assaltam e fogem,
bandidos da minha alma.
Há tantas convenções por derrubar…
Com versos, socos,
talvez seja preciso gritar.
Enfim, puxar a cortina de um palco
e libertar a liberdade atrás dessas cortinas…
O mar, o sol e a liberdade.
Livre e feliz para ir aonde quiser.
Gotas de suor no rosto.
Gotas de lágrimas,
gosto de sal.
Gotas de lágrimas a rolar
e a secar aonde caem…

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 29/08/1987]

ENTÃO...!

Pra dizer “eu te amo” é preciso “entender de amor”?
O desententido entende o que o especialista jamais consegue apreender;
quanto mais entendido acha ser
mais perguntas e mais perdido…
O que do amor perdidamente há que se entender
é que o amor não é para ser estudado,
rotulado,
analisado
ou classificado:
apenas é preciso viver.
E o amor inesperado surgirá
fraterno,
romântico,
filial,
apaixonado,
egoísta ou generoso,
fiel ou relaxado.
Então o amor é pra amar
ou deveria ter perguntado?!

(Comentário no blog de Danny Z.)
Adhemar, 17/04/2009.

MUDANDO DE ASSUNTO

Numa palavra, uma virada.
Muda-se o tema da conversa.
Num instante contava-se piada;
no outro, uma disputa controversa.
Erguem-se as vozes numa acalorada discussão.
Erguem-se os copos para um brinde qualquer.
Num instante fala-se de assuntos do coração;
no outro, fala-se apenas de mulher.
E o futebol então, sempre presente.
Más notícias de política ou de economia.
Nesse ritmo, mesmo que não se aguente
pede-se mais uma e a conversa se esvazia.
Entre dúvidas e certezas se navega
nessa ebulição da mente etílica.
Uma tese que se prova ou teoria que carrega
a se provar numa experiência empírica.
A família e o trabalho - corolários -
e lembranças e memórias mil…
Amigos mortos, casamento, aniversários,
o mundo em geral e o Brasil.
Até que o que morre é a conversa,
cada um ensimesmado e pensativo.
Pede-se a saideira que desperta
e que devolve a cada cela o seu cativo…
[Adhemar - São Paulo, 04/10/2008]
Mudando de palavra
Onde se lê “cela”, no último verso, pensei em trocar por “vida”; mas preferi deixar como estava no original. Adote a expressão que melhor lhe parecer…
Adhemar, 19/04/2009.

LOCAL!!!

          Som ambiente, conforto, frescor de sombra de árvore sem cocô de passarinho mais a amplitude de um espaço aberto. Mesmo assim é um espaço interno; um vasto espaço interno onde tudo pode acontecer, inclusive o ruído de um regato de água límpida e fria para completar o recanto do folgado.
          Esse maravilhoso lugar existe e produz coisas majoritariamente estranhas, mais em forma de palavras do que imagens ou espaços tridimensionais: é o meu cérebro, um lugar perturbador e fascinante, que eu não consigo tirar da cabeça!

[Adhemar -  São Paulo, 22/08/2005]