Um passo para o futuro.
Um posso.
Uma posse pra eternidade.
O passado,
uma forma de seguro
onde cabe a saudade.
Fim do tempo,
final da história.
Uma posse transitória,
contrariedade.
Uma forma de passado
onde cabe a saudade.
Um passo pra tempestade.
Temporal.
Uma têmpora latejando,
uma salada sem sal.
Contrabando,
onde sabe a saudade...
Uma batalha pra frente,
um embate.
Uma posse adiantada.
Um aumento.
Contratando,
um lamento de saudade....
[Adhemar - Santo André, 11/12/2014]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Vista Urbana 1 - Desenho & foto: Adh2bs)
sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
PARTÍCIPE
Portas que se abrem,
partes que se partem.
Mãos vazias -
levantadas -
um balanço que importa.
Mãos distantes,
lenços brancos que se agitam;
versos livres que acenam
despedidas imprevistas,
palpitações de adeus.
Ares que se navegam,
mãos que se importam,
chamadas atendidas,
flores que se abrem.
Portas que desabrocham,
mãos que sangram...
[Adhemar - Sobrevoando a Argentina, 02/01/2015]
Estátuas em Renca, Chile (foto: Adh2bs)
Videiras em Cucaraví, Chile (foto: Adh2bs)
Casas azuis em Casablanca, Chile (foto: Adh2bs)
Concha y Toro, vinhedo (foto: SM)
Concha y Toro, sede (foto: SM)
partes que se partem.
Mãos vazias -
levantadas -
um balanço que importa.
Mãos distantes,
lenços brancos que se agitam;
versos livres que acenam
despedidas imprevistas,
palpitações de adeus.
Ares que se navegam,
mãos que se importam,
chamadas atendidas,
flores que se abrem.
Portas que desabrocham,
mãos que sangram...
[Adhemar - Sobrevoando a Argentina, 02/01/2015]
Estátuas em Renca, Chile (foto: Adh2bs)
Videiras em Cucaraví, Chile (foto: Adh2bs)
Casas azuis em Casablanca, Chile (foto: Adh2bs)
Concha y Toro, vinhedo (foto: SM)
Concha y Toro, sede (foto: SM)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
PRECIPITAÇÕES
Muito tarde pra ficar,
muito cedo pra ir.
Numa tela azul de andino emoldurar,
atenções, calor, adeus, partir.
Muito ficou por ver,
outro tanto pra sentir;
ausência pra estabelecer
anuência pra não ir.
O amor está no ar,
no jeito tranquilo de ser;
alguém para acompanhar,
emoções pra desenvolver.
Na leveza insustentável do ser,
uma incerteza de Kundera.
Uma afinidade formada,
estrada pavimentada,
churrasco, sucos, videira,
vinho, sentimentos, mais nada.
Atravessando a estação feita ribalta
ou ajoelhados diante da imaculada
pedimos as bençãos de uma volta
breve, ligeira, encantada...!
[Adhemar - Santiago de Chile, 09/01/2015]
Estátua da Virgem Imaculada no Cerro San Cristobal (foto: SM)
Vista dos Andes a partir do restaurante Giratorio (foto: SM)
Escultura numa estação de metrô (foto: SM)
Museu de Arte Contemporânea (MAC), Santiago (foto: SM)
Edifício em frente ao MAC (foto: SM)
muito cedo pra ir.
Numa tela azul de andino emoldurar,
atenções, calor, adeus, partir.
Muito ficou por ver,
outro tanto pra sentir;
ausência pra estabelecer
anuência pra não ir.
O amor está no ar,
no jeito tranquilo de ser;
alguém para acompanhar,
emoções pra desenvolver.
Na leveza insustentável do ser,
uma incerteza de Kundera.
Uma afinidade formada,
estrada pavimentada,
churrasco, sucos, videira,
vinho, sentimentos, mais nada.
Atravessando a estação feita ribalta
ou ajoelhados diante da imaculada
pedimos as bençãos de uma volta
breve, ligeira, encantada...!
[Adhemar - Santiago de Chile, 09/01/2015]
Estátua da Virgem Imaculada no Cerro San Cristobal (foto: SM)
Vista dos Andes a partir do restaurante Giratorio (foto: SM)
Escultura numa estação de metrô (foto: SM)
Museu de Arte Contemporânea (MAC), Santiago (foto: SM)
Edifício em frente ao MAC (foto: SM)
domingo, 25 de janeiro de 2015
MENÇÕES
Quero voar,
braços abertos sobre a Guanabara (*)
sendo uma corrente migratória
para nosso Porto Seguro
Salto da plataforma sem rede,
sem água
Pego carona no vento
quase sempre
Quero voltar,
pra sair outra vez com minha matilha,
manada
Volto correndo onde estarei novamente
Quero correr,
para o que nos aguarda;
Quero chegar,
pra arrumar outra mala;
conferir o que existe pra frente,
recordar o que trago na alma...
[Adhemar - Santiago de Chile, 09/01/2015]
(*) Verso de "Samba do Avião" (Tom Jobim)
Imagens:
Cordilheira do Andes (foto: VS)
Palácio La Moneda (foto: SM)
Santiago (foto: VS)
Edif. Costanera Center (foto: SM)
braços abertos sobre a Guanabara (*)
sendo uma corrente migratória
para nosso Porto Seguro
Salto da plataforma sem rede,
sem água
Pego carona no vento
quase sempre
Quero voltar,
pra sair outra vez com minha matilha,
manada
Volto correndo onde estarei novamente
Quero correr,
para o que nos aguarda;
Quero chegar,
pra arrumar outra mala;
conferir o que existe pra frente,
recordar o que trago na alma...
[Adhemar - Santiago de Chile, 09/01/2015]
(*) Verso de "Samba do Avião" (Tom Jobim)
Imagens:
Cordilheira do Andes (foto: VS)
Palácio La Moneda (foto: SM)
Santiago (foto: VS)
Edif. Costanera Center (foto: SM)
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
"Vai um chiclete, moço?" (*)
Na semana retrasada
fui a um bar/café na Avenida Paulista com a minha namorada. Estávamos
apreciando um smoothie de morango
quando, como acontece muitas vezes nas principais vias da cidade, fomos
abordados por uma menina de rua. Estimei que tivesse entre oito e dez anos de
idade. Ela estava vendendo chicletes, cada pacote por um real. Como eu não
tinha nenhuma moeda ou dinheiro trocado no momento, educadamente recusei. A
resposta dela à minha recusa me surpreendeu e se tornou o motivo da existência
deste texto. Ela olhou para mim e disse: “Moço, você não está sendo cavaleiro.
Podia comprar um para ela”. A princípio, fiquei desconcertado. Depois, me
justificando, disse que eu estava mesmo sem trocado e brinquei que, se ela
aceitasse cartão, eu compraria. Mas a sagacidade dela surtiu efeito, prática e
simbolicamente. Minha namorada imediatamente abriu a bolsa, pegou dois reais e
comprou dois pacotes do chiclete verde (o recomendado pela vendedora-mirim).
Além disso, ainda brinca comigo frequentemente relembrando a situação. O efeito
simbólico, por sua vez, foi a reflexão suscitada pelo acontecimento: a garota,
apesar de trocar cavalheiro por cavaleiro, revelando falha no domínio da
língua, demonstrou desenvoltura e espirituosidade de fazer inveja a comerciante
experiente.
O mais intrigante dessa história é imaginar como se deu a
formação do repertório daquela garotinha, que a permitiu dar uma resposta tão
inteligente e ágil à negação de um cliente. Pela magreza que apresentava e
pelas roupas esfarrapadas que vestia (sem contar o fato de estar tentando
conseguir dinheiro na rua à noite), deduzi que ela não havia tido oportunidade
de estudar até então. Se é que ia à escola, dificilmente teria tempo e condição
para se dedicar aos estudos. As hipóteses para explicar as origens da esperteza
da menina são diversas: necessidade, experiência, vivência, exemplo...
Infelizmente é improvável que eu venha a descobrir. Mas, pelo menos, pude
formular duas questões a partir do episódio que valem ser compartilhadas.
Primeira, quantos talentos como o dela são desperdiçados por falta de
oportunidade para desenvolvê-los? Segunda, quantas histórias fascinantes, como
provavelmente é a dela, nunca serão conhecidas?
[Marco Luiz Netto Braga de Souza, março/2014]
(*) MOÇO DE VINTE ANOS
Este ano há uma série de aniversários na família que encerram idades "redondas" ou múltiplas de 5 anos; 15, 20, 25, 50, 65, 70... Hoje faz 20 o autor da história acima, estudante de jornalismo e estagiário num portal de internet de um grande veículo de comunicação. Foi escrita para um trabalho da faculdade e, como gostei demais da forma como abordou o tema e da escrita irrepreensível, pedi-lhe autorização para colocá-la aqui neste blog (quiçá para melhorar o nível do espaço...).
Parabéns ao Marco pelo aniversário e pela maneira como escreve, pelo time que torce, pela namorada, pela mãe que tem e por ser meu filho! Grande abraço!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Feliz 2015!
Dois mil e catorze ficou pra trás. Bom? Ruim? Não... Contraditório, às vezes emocionante, mas foi só mais um ano. Este que começa, promete. Precisamos nos lembrar que depende da gente mesmo fazê-lo melhor. Nossas iniciativas e a energia que despendemos na realização das tarefas, dos planos, das obrigações e da convivência com aqueles que nos cercam. Só posso desejar que cada um de nós faça o seu melhor, sob as bençãos do Criador.
Deus nos acompanhe e proteja, Grande abraço e Feliz 2015 a todos!
Adhemar, 01/01/2015.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
SERÁ
Plano elaborado.
Uma fuga.
Território desconhecido.
Soluço desconsolado.
O preço da liberdade,
não pago,
nunca antes cobrado.
Na rota,
um pântano.
Tanto anseio sedento.
Por espaço.
Por abertura.
E acabar afogado.
Preso ao ar livre.
Amarrado,
na própria ânsia da liberdade,
da essência,
da fidelidade a princípios sagrados...
[Adhemar - São Paulo, 22/12/2009]
SERÁ?
Uma fuga.
Território desconhecido.
Soluço desconsolado.
O preço da liberdade,
não pago,
nunca antes cobrado.
Na rota,
um pântano.
Tanto anseio sedento.
Por espaço.
Por abertura.
E acabar afogado.
Preso ao ar livre.
Amarrado,
na própria ânsia da liberdade,
da essência,
da fidelidade a princípios sagrados...
[Adhemar - São Paulo, 22/12/2009]
SERÁ?
Desejamos a todos muitos planos elaborados e realizados neste 2015 que se aproxima; sem abrir mão de princípios sagrados para si mesmos. Que cada um saiba responder aos desafios que a vida impuser e possa, plenamente, encontrar o que busca.
Paz, saúde e felicidades.
Grande abraço,
Adhemar.
domingo, 28 de dezembro de 2014
REFERÊNCIAS
O camarada era uma dessas raras pessoas. Coração atento, generosidade inata. Um dia desses, topou com um mendigo; o cara estava no chão, agonizando, sujo, maltrapilho e faminto. Nosso herói nem piscou: ajudou o mendigo a se levantar, o amparou e caminhou com ele para sua própria casa. Preparou-lhe um banho que o ajudou a tomar, preparou-lhe uma refeição que o ajudou a comer. Deu-lhe roupas limpas e o pôs para descansar pensando qua amanhã é um dia mais do que legal pra nascer.
E nasceu. Nosso herói fez um lauto café, cheio de coisas para se comer. O mendigo aceitou e, bem barbeado, comeu. Comeu com gosto, com o atraso que trazia lá dentro...
Finalmente, puseram-se a conversar; nosso herói querendo saber o que outro sabia fazer e se lhe interessava trabalhar. O mendigo, bem sério, suspirou e indagou se o seu benfeitor tinha alguma referência para apresentar, antes de lhe responder... Afinal das contas, sabe como é...!
[Adhemar - Sobrevoando MG, 06/04/2014]
Marcadores:
Brincadeira,
Prosa
sábado, 27 de dezembro de 2014
CONTO UM
Vá você se fiar numa promessa! Ficar confiante, interessado, certo que o desenlace do negócio confiável, fio de bigode e papel assinado será aquele que você espera pela crença criada na lisura da outra parte. Pois sim! E os planos frustrados?! A dor aguda, intensa, o sofrimento pela decepção, pela angústia do prejuízo, do descumprimento de suas próprias obrigações com terceiros, decorrentes da quebra do compromisso que assumiram com você! Ô bosta! E o desfiar interminável de desculpas esfarrapadas - isso quando resolvem falar com você ao invés de sumir de vez - como é praxe! E aí está você, que não foge de compromisso nenhum, sem um puto no bolso e cheio de explicações inexplicáveis a dar para aqueles que estão furiosos com você. Mas, de repente, tudo se ajeita. Você dá um jeito, se empenha, se vira, cumpre sua parte sem que pudesse, mas ameniza o mau humor dos seus críticos que não querem saber se você foi passado pra trás e que apenas vão falar menos mal de você.
Finalmente, você respira. Todo ferrado, mas com a sensação inigualável de ter mantido em pé sua palavra, seus compromissos, sua dignidade. Até atrair - pela sua postura correta, direita mesmo - outro negócio fantástico onde os interlocutores vão demonstrar sobejamente um autêntico agrado e confiança no seu trabalho, na sua atitude, em você; e você, sorrindo feliz com seu ar de idiota útil, caminha macio no rumo de uma nova arapuca...
[Adhemar - Santo André, 11/12/2008]
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
TRAÇOSPONTOS (*)
Soltam-se dos mapas uns trajetos,
vão e voltam, céleres trejeitos
de pouco espaço, passos incertos
em programas tortos, por direito.
Soltam-se das malas intenções.
Inventam-se escalas por decreto.
Em pouco tempo, destino certo,
acalenta o vento, os corações...
Vão as mochilas, cheias de afeto,
por lugares e coisas indiretas
onde o sonho fica bem concreto,
em programas tortos, linhas retas.
Soltam-se dos olhos emoções,
abrigadas por divinas bençãos
de um destino que não se tem nas mãos,
enquanto Deus escreve certo em orações.
Solta-se dos braços um adeus;
solta-se dos braços um abraço
todo inteiro, pedaço por pedaço,
democrático para crentes e ateus.
Solta-se do riso um palhaço,
raios e trovões num impropério,
estampa e cores num espalhafato.
Saltam segredos da caixa do mistério.
Prende-se o juiz, agora o jogo ficou sério.
Soltam-se faíscas das pedras do aprendiz.
Saltam os pontos e traços do desenho,
acaba o jogo, o resultado é ser feliz...
[Adhemar - São Paulo, 27/03/2014]
(*) Assim mesmo, tudo junto...
vão e voltam, céleres trejeitos
de pouco espaço, passos incertos
em programas tortos, por direito.
Soltam-se das malas intenções.
Inventam-se escalas por decreto.
Em pouco tempo, destino certo,
acalenta o vento, os corações...
Vão as mochilas, cheias de afeto,
por lugares e coisas indiretas
onde o sonho fica bem concreto,
em programas tortos, linhas retas.
Soltam-se dos olhos emoções,
abrigadas por divinas bençãos
de um destino que não se tem nas mãos,
enquanto Deus escreve certo em orações.
Solta-se dos braços um adeus;
solta-se dos braços um abraço
todo inteiro, pedaço por pedaço,
democrático para crentes e ateus.
Solta-se do riso um palhaço,
raios e trovões num impropério,
estampa e cores num espalhafato.
Saltam segredos da caixa do mistério.
Prende-se o juiz, agora o jogo ficou sério.
Soltam-se faíscas das pedras do aprendiz.
Saltam os pontos e traços do desenho,
acaba o jogo, o resultado é ser feliz...
[Adhemar - São Paulo, 27/03/2014]
(*) Assim mesmo, tudo junto...
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