Você disfarça, você confessa,
você conversa e não me convence.
Você tenta, você sustenta,
mas não concordo,
por mais que eu pense.
Você cobiça, você atiça,
você provoca e me arranca os dentes.
Mesmo contente você não para,
você me deixa as mãos dormentes.
Você estranha; você arranha,
você tortura, você arranca
umas verdades que eu invento
pois do contrário você me espanca!
Você me espreme, você me assusta,
você é injusta mas não se importa.
Você me custa, me arrebenta,
me escangalha, você me entorta!
Você é uma sanguinária.
Você é uma tirana.
Você é insana, é fantasia.
Você me aprisiona e também liberta,
Você é sempre incerta,
porque tu és a poesia!!!
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
ZONA FRIA
Palavras espalhadas
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...
Históricas mancadas
gafes heróicas
heroísmo necessário
necessidades melancólicas
tristezas parabólicas
hipérboles sem glória...
Machadadas bucólicas
bocas esperançosas
esperanças preguiçosas
presença solicitada
pedidos intercalados
escadas espiraladas...
Espíritos termais
termos espirais
esperas intermináveis
terminais intermodais
incômodos carnavais
carne viva torrada...
Chuvas torrenciais
tempestades atemporais
tempo de furacões
ciclones e vendavais
vendo lindos panoramas
vidas paranormais...
Quietudes infinitas
atitudes amorais
amores singulares
de estranhos plurais
inacabáveis sonhos
sombras, enfim, imortais...
[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
CONVESCOTE
Fui fazer um piquenique,
toalha colorida, quintal.
Terra limpa, formiga,
guaraná, coisa e tal.
Salada, doce, bolinho,
sanduíche natural;
suco, groselha e fruta,
uns guardanapos de pano.
Umas folhas caídas de árvores
ou era salada sem sal!
Fui fazer um piquenique:
um pacote de jornal,
pouca formiga atrevida...
Bolo de chocolate,
hummmm! Nada mal!
Uns copinhos de plástico,
uma cestinha de vime;
uma coisinha de "fui-me",
o céu azul, muito sol.
Fui fazer um piquenique,
tudo em cima, normal.
Só faltou uma coisa:
quem fosse comigo, afinal...
[Adhemar - São Paulo, 12/02/2015]
toalha colorida, quintal.
Terra limpa, formiga,
guaraná, coisa e tal.
Salada, doce, bolinho,
sanduíche natural;
suco, groselha e fruta,
uns guardanapos de pano.
Umas folhas caídas de árvores
ou era salada sem sal!
Fui fazer um piquenique:
um pacote de jornal,
pouca formiga atrevida...
Bolo de chocolate,
hummmm! Nada mal!
Uns copinhos de plástico,
uma cestinha de vime;
uma coisinha de "fui-me",
o céu azul, muito sol.
Fui fazer um piquenique,
tudo em cima, normal.
Só faltou uma coisa:
quem fosse comigo, afinal...
[Adhemar - São Paulo, 12/02/2015]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
IMPÉRIO
O Rei supõe nossa renda.
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.
Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satisfação...
Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!
Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...
Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.
[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.
Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satisfação...
Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!
Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...
Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.
[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
"CONTRALUZ"
Furtivamente a sombra denuncia
a silhueta que na sombra se confunde.
Aflitivamente a silhueta desperta
junto com o medo que a sombra lhe infunde.
Infinitamente a sombra dá sinais
que a silhueta simplesmente desconhece.
A silhueta recortada altivamente
na própria sombra se esconde e desvanece.
Educadamente a sombra se despede
já que a luz invade a silhueta.
Silhueta e sombra misturadas na penumbra
e na imagem desenhada que se inventa.
E a sombra diz adeus,
e a silhueta desfalece e some;
a silhueta é apenas um desejo
enquanto a sombra é a própria fome...!
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2010]
a silhueta que na sombra se confunde.
Aflitivamente a silhueta desperta
junto com o medo que a sombra lhe infunde.
Infinitamente a sombra dá sinais
que a silhueta simplesmente desconhece.
A silhueta recortada altivamente
na própria sombra se esconde e desvanece.
Educadamente a sombra se despede
já que a luz invade a silhueta.
Silhueta e sombra misturadas na penumbra
e na imagem desenhada que se inventa.
E a sombra diz adeus,
e a silhueta desfalece e some;
a silhueta é apenas um desejo
enquanto a sombra é a própria fome...!
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2010]
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
EXCESSOS
Muita luz, muito calor,
sabor de pedra,
força de tapas,
profundezas, dor.
Do centro da garganta,
gritos de amor,
afogamento programado,
espontaneidade tanta.
Itens, cláusulas,
obrigações e avais.
Muitas voltas,
força de tapas,
profundezas mais.
Pensamentos, dor, ciência...
Dissabores pendurados nos varais;
nunca secam.
Resistência tanta
duvidando da própria santa existência...
[Adhemar - São Paulo, 09/08/2014]
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
PREPARAÇÃO
Jornada.
Um embornal,
uma folha de jornal.
Um barbante.
Uma moeda de um real.
Um botão.
Meio pedaço de pão.
Um prendedor de papel,
duas bolas de gude,
um gorro de Noel.
Para completar esse modesto cabedal:
meia carta rasgada,
de amor,
uma foto da amada
e um cartão de Natal.
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]
Um embornal,
uma folha de jornal.
Um barbante.
Uma moeda de um real.
Um botão.
Meio pedaço de pão.
Um prendedor de papel,
duas bolas de gude,
um gorro de Noel.
Para completar esse modesto cabedal:
meia carta rasgada,
de amor,
uma foto da amada
e um cartão de Natal.
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]
domingo, 7 de agosto de 2016
NOEMI
Então foi assim.
Convivência intensa nos últimos tempos, mais intensa nos últimos dias. Nossa última conversa sobre espiritismo, retorno, evolução. Sua última bronca, querendo descer da maca, deixando a gente de saia justa. Já sem palavras, seus gestos enérgicos para mudar de posição e recusar o oxigênio. Seu último sono prolongado, seu último suspiro sem um adeus formal.
O que havia para ser dito já o fôra antes. O que havia pra ser chorado, também... Embora tenha sobrado muito, ainda... A sua importância medida na presença dos familiares e amigos nessa hora neutra que é um velório. Um Pour Elise, uma Ave Maria e o súbito sumiço num imenso vazio.
A mãe, sogra e avó professora. Nossa eterna protetora. Meu Xamã.
E o inescapável mas sábio lugar comum, mãe é mãe.
P/ Noemí Braga de Souza - (*12/01/1945/+05/08/2016]
[Adhemar - São Paulo, 07/08/2016]
A mãe, sogra e avó professora. Nossa eterna protetora. Meu Xamã.
E o inescapável mas sábio lugar comum, mãe é mãe.
P/ Noemí Braga de Souza - (*12/01/1945/+05/08/2016]
[Adhemar - São Paulo, 07/08/2016]
domingo, 24 de julho de 2016
RAIOS
Nem parece que foi a mesma mão que fez. Um traço leve, outro calcado. Logo se vê a negligência de um, o outro é descuidado. É o que pode diferir de uma organização contra o desarrumado!!!
Palavras são palavras e mesmo assim não são! Talvez um filme mudo num sonho acordado. O cinema cheio, mãos dadas e abraços. A cerimônia acaba, o gato sobe o muro. A lua se enfastia, o céu está nublado.
A desilusão sobe num palco iluminado. Solto no ar vai um perfume... desanimado. Sobe o som da música; música colorida, advinda de um lápis apontado. Desce o sol, sai do tablado, dorme o dia no seu berço enluarado.
[Adhemar - São Paulo, 26/07/2011]
segunda-feira, 18 de julho de 2016
PASSAGENS
Atrás de uma linha difusa
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em pontas sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...
[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em pontas sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...
[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]
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