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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MANOBRA

Do tratamento ao doente
porta aberta e chão
fica livre
amarração...

Dos papéis bem organizados
escrita permanente
bem pensada
perfeitamente...

Do tudo claro iluminado
lâmpada conservada
apaga a luz
estagnada...

Do ovo quebrado a clara
na receita bem pequena
separa a casca
estratagema...


[Adhemar - São Paulo, 24/05/2014]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

FORMATURA ML

Eu queria marcar, de alguma forma, este momento.
O simbolismo do encerramento,
do encerramento de uma etapa.
O homenzinho crescido, adulto já,
completando a formação com a faculdade.
É verdade...

É verdade que a gente nunca ficará pronto.
A vida será sempre uma escola,
eterna e exigente.
Mas, se conseguirmos vivê-la intensamente,
poderemos enfrentá-la,
desfrutá-la,
aproveitá-la,
moral e profissionalmente.

Então, ficamos assim:
um grande abraço por enquanto,
continue de cabeça erguida
e vá em frente!

P/ Marco Luiz; definitivamente um jornalista...
[Adhemar - São Paulo, 15/02/2017]

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

PRIORIDADES

Por Yahisbel Valles

Apesar das generalizações, até que minha eu de 18 anos tinha uma certa razão... E podia ensinar minha eu de agora a ser menos ansiosa...

Prioridades. Quem nunca teve alguma na vida? Quando bebês, nosso único objetivo como seres humanos era ganhar leite. Crescemos um pouco, desenvolvemos o desejo por brinquedos. Aos 6 anos, qual criança não sonhou em ganhar uma bicicleta ou algum bichinho de estimação? Aos 12, não vemos a hora de crescer e pararem de nos tratar como crianças. Aos 14 vamos despertando interesse em namorar. No aniversário de 15 anos as meninas querem uma festa ou uma viagem. Chegamos aos 16 e ansiamos pela nossa liberdade, pela carteira de motorista e por um documento de identidade que mostre nossa suposta maioridade para podermos entrar em uma boa festa. Vem os 17 e os 18, as aprovações no vestibular são nosso maior desejo. E nosso maior medo também. Porém, a cada ano que se passava, as prioridades do anterior, já cumpridas ou não, pareciam não ter a mesma importância de antes. Ganhamos o brinquedo e depois nos enjoamos dele. Viramos adolescentes e o que queremos é o contrário: voltar a ser crianças. Conquistamos a liberdade sem saber direito o que fazer com ela. É que, no fim das contas, nem nós mesmos sabemos onde queremos chegar com tudo isso. Acreditamos que nossas realizações até o momento vêm seguindo o esperado, o planejado, o caminho certo. Que nossas prioridades são tudo nas nossas vidas. Que passar no vestibular é tudo. Que viajar é tudo. Que namorar é tudo. Que seguir a carreira que queremos é tudo. Que festejar é tudo. Não vemos que as prioridades são parte das nossas vidas, não nossas vidas em si. Que temos o resto dela. Um resto não menos nem mais importante: um resto que é o resto de nós também. Essencial para seguir adiante. Conciliar todos os pontos da vida é uma tarefa difícil, mas é o mais sadio a se fazer. Porque, se você se dedicar somente às linhas do desenho, a arte não estará concluída. Existe a pintura, o retoque, a sombra, a perspectiva. No momento, podemos ver, querer, fazer só a linha. Só que assim, depois, ela continuará sendo apenas uma linha. Vazia. Sem graça. Sem expressão. Sem movimento. Sem vida.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PIRÂMIDE

Sentimentos empilhados.
Poucas letras, pouco espaço;
muito pó sufocado.
Um Neruda sem capa,
um Pablo deslocado.

Sentimentos espalhados,
caídos do monte, derrubados.
Sob escombros, soterrados,
amores incertos, errados.

Sentimentos estragados,
fora da geladeira geral.
Uns no meio da rua;
outros no porão, no quintal.
Vestes da verdade nua
penduradas no varal.

Sentimentos leiloados.
O maior lance sustenta
uma luta muito lenta
por mais dor, mais moral.

Sentimentos num buraco,
pá de cal.


[Adhemar - São Paulo, 12/02/2015]


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

CARREGAMENTO

Na dúvida, me declaro culpado.
Quantas assumi, não eram minhas...
Disso também sou culpado;
essa mania...

O mocinho da fita, o herói das minorias,
me desmanchando de cansaço
mas feliz pelas alegorias.

O mocinho da fita, idiota e tapado,
sem perceber que apanha o tempo todo
e só no fim é consolado...
O bandido no bem bom, aproveitando;
e o mocinho? Sendo sovado!

Aí, bem no finzinho,
a reviravolta utópica:
o bam-bam-bam encarcerado,
o babaquinha aclamado.
Todo fodido, todo ensanguentado...
Mas, até que enfim,
ganha um beijo da mocinha 
e está tudo acabado...


[Adhemar - São Paulo, 02/01/2017]


Feliz 2017 a todos!

sábado, 10 de dezembro de 2016

XIS ELOS

Poderes.
Questões políticas.
Bases muito elevadas.
Plebe elitizada.

Intelectualidade.
Questões culturais.
Pensamentos baixos,
vanguardistas, atuais.

Dialética.
Contrastes factuais.
Intenções mais que ocultas
alargando o que é a ética.

Produção.
Questões comerciais.
Bases econômicas,
tabelas de preço astronômicas.

Exportação.
Pensamentos banais.
Bases externas determinadas
para nunca mais...


[Adhemar - Santo André, 29/04/2014]

domingo, 27 de novembro de 2016

CONSIGNAÇÃO

Quando você chega eu me levanto,
respeitosamente me curvo em reverência.
Muito admirado, por enquanto,
até que se consuma uma sequência.

És uma rainha no meu mundo
que a todo instante manifesta
sua graça oriunda do mais fundo
de seu âmago, sempre em festa.

És a minha amante predileta,
a mais bonita e mais constante,
quando estamos juntos me completa.

És meu ideal e fantasia,
és minha estrela mais brilhante,
sempre presente, tu és poesia!!!


P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PURIFICAÇÃO

Parei na praça a esperar.
Pra esperar a dor
e, por pirraça, espirrar.

É uma dor que não tem a menor graça,
uma desgraça a suspirar;
eu, que nem consigo respirar,
e a dor não passa.

Parei na praça, parei de andar.
Passo parado, esperando pra sentar.
A dor faz questão absoluta
de vir se apresentar.

Parei na praça, para ao jardim apreciar.
A preço módico,
que é o que eu alcanço pagar.
Então me canso,
a dor não deixa descansar.
Uma ameaça:
ela quer se eternizar.

Paro na praça, já não quero levantar.
O pranto passa, a dor não presta,
é uma tensão a dispersar.
Ouço canto, amigo pássaro,
que passa a assobiar.

Passam os bichos.
Passam os carros.
Passam as gentes.
Só esta dor, maldita e insistente,
é que não quer passar.


[Adhemar - São Paulo, 31/10/2016]

domingo, 13 de novembro de 2016

DEPOIMENTO

          Eu nasci pra ser um desses playboys; esnobe e altivo, embora magnânimo. Não era talhado para viver uma vida minimalista ou dedicada à outrem. Me acostumei a olhar o mundo de cima, não importando quão humana fosse a visão, a "paisagem". Humildade é um desses predicados que eu desprezava; simplicidade é um estilo que nunca me identificaria então.

          Me criei na crença de ser o centro do mundo; e que este era só uma espécie de quintal onde tudo que existe estaria lá para me servir. Minha onipotência exponencial era ditada por uma prepotência controlada e por uma arrogância estudada: a vida de todos seria melhor se fosse organizada por mim!

         Um belo dia, no entanto, tanta "grandeza" não serviu pra nada. Fui derrubado do pedestal, caí de cara. Um chão muito duro e muito sujo me recebeu. Aturdido com a ousadia dessa derrubada e intrigado com a "injustificada" queda, me perguntei por que ocorrera. A resposta já estava estampada desde muito antes de eu nascer: era simplesmente a condição de humano amor ao próximo e a Deus mais do que a mim mesmo. E nada de expiar as culpas na base da chicotada: mas despertar ante o sofrimento do mundo disfarçado atrás de tanta felicidade mascarada. Abrir as mãos e os braços, abraçar e socorrer os próximos, realizar mais para o mundo do que para mim mesmo. 

          Descobri que eu nasci para ser um obreiro das coisas de Deus, desprendido e ordeiro. Descobri que a recompensa está no sorriso do agradecido. Descobri que a matéria é meio, nunca um fim em si; e que a honra é realizar para os outros, não só pra mim.

          Eu nasci para ser um instrumento do Criador; altivo, sim, mas para ver melhor e mais longe a dor que posso mitigar com minha vida e meu amor.


[Adhemar - Santo André, 11/10/2016]

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ZOMBARIA

Quanto branco diante, 
do qual um tanto comandante...?
À marcha incitem do adiante,
a mancha de um tanto,
muito sangue...

A energia da sanha distante,
que gasta tanto diamante...
Quantos dias inebriantes,
perfumes derramados tanto,
desperdiçados...

A fúria dos elementos antes,
numa força extrema tanta,
problema...

O céu vermelho clamante
e tão tempestuoso, tanto,
ciclone...

Quantos ondes, portanto,
estamos estacionando?
Quanto?

Quantos tantos?


[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]