Tenho muito que fazer.
Quando me lembro, não
tenho condição. Quando tenho tempo, não me lembro. Se tenho
tempo e me lembro, aparece algo mais urgente...
Esse muito que fazer...
Tarefas, obrigações,
caprichos. Esquecimentos, programações extemporâneas, lembranças tardias.
Um acúmulo estranho de compromissos e tarefas mal distribuídos numa agenda
cheia de rabiscos. Meus "compromiscos", como costumo dizer.
Tenho muito que fazer.
E sempre arranjo outra
coisa. A idade serve de escudo para certas intransigências. Já fui mais gentil
e solícito outrora, agora não mais; senão, seria um tanto muito maior este
tanto por fazer.
Tenho muito que fazer.
Fiz uma lista. No auge das
urgências iminentes de parte deste muito o que fazer, dou uma parada para
conferi-la.
Tenho muito que fazer.
Sempre mais e mais,
confundindo sonhos com obrigações, cansaço aleatório e lazer.
Tenho muito que fazer.
Depois eu vejo exatamente o
quê.
[Adhemar - São Paulo, 04/10/2016]
