Antenas diabólicas
passado capta
captando passa
diante dos olhos
Histórias hiperbólicas
passarelas gastas
passos da história
Janelas simbólicas
emboladas paisagens
capturadas no diafragma
suspiro das viagens...
Paradas parabólicas
a moral se acha
escrachada, imoral...
Pesquisas robóticas
rouba-se ideias claras
iluminadas e raras
diante dos olhos...
... Nas calçadas melancólicas...
[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
SUCEDÂNEO
Vento brando
espalhando palavras
refrescando
Sol amigo
trigo dourando
pão garantido
Céu azulando
emoldurando tudo
desmaiando
A noite vem
A noite deita
Anoitecendo...
[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]
terça-feira, 1 de agosto de 2017
QUERIDOS
Tudo o que eu não sei me pesa,
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.
Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.
Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.
Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...
Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...
Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...
[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.
Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.
Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.
Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...
Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...
Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...
[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]
sexta-feira, 14 de julho de 2017
CANCELAMENTO
Suspenda os planos que não fizemos pra depois.
Suspenda a fuga que nós nunca planejamos.
Cancele as passagens que ainda não compramos.
Desfaça as malas que a fazer nem começamos.
Pare tudo o que nunca combinamos.
Esqueça as palavras que nós não escrevemos
e nem sequer pronunciamos...
Esqueça essa velha paixão inesperada
que juntos despertamos... só em mim...
Deixe pra lá o que eu não disse nem diria.
Deixe pra lá o que eu não fiz e nem faria.
Eu digo que entre nós está tudo acabado,
o que deveras jamais houvera começado...
[Adhemar - São Paulo, 06/03/2017]
Suspenda a fuga que nós nunca planejamos.
Cancele as passagens que ainda não compramos.
Desfaça as malas que a fazer nem começamos.
Pare tudo o que nunca combinamos.
Esqueça as palavras que nós não escrevemos
e nem sequer pronunciamos...
Esqueça essa velha paixão inesperada
que juntos despertamos... só em mim...
Deixe pra lá o que eu não disse nem diria.
Deixe pra lá o que eu não fiz e nem faria.
Eu digo que entre nós está tudo acabado,
o que deveras jamais houvera começado...
[Adhemar - São Paulo, 06/03/2017]
quarta-feira, 12 de julho de 2017
SONETO 43 (*)
[Fonte: Wikipédia]
(*) Ver o primeiro comentário
terça-feira, 11 de julho de 2017
AMA-ME POR AMOR DO AMOR SOMENTE
SONETO XIV
"Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, o modo de falar
honesto e brando. Amo-a porque se sente
minh’alma em comunhão constantemente
com a sua”. Por que pode mudar
isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
de tuas mãos enxuga, pois se em mim
secar, por teu conforto, esta vontade
de chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
me hás de querer por toda a eternidade."
- Elizabeth Barrett Browning -
(Tradução: Manuel Bandeira)
[Extraído do blog "MEU CADERNO DE POESIAS"]
http://blogdasilnunes.blogspot.com.br/
- Ver original em inglês no primeiro comentário (Fonte: "poesia.net 119").
- Ver original em inglês no primeiro comentário (Fonte: "poesia.net 119").
sexta-feira, 30 de junho de 2017
DEPOSIÇÃO
Um pequeno espaço,
um cilindro fino
onde cabe tinta que se derrame
numa folha minúscula
Uma programação descuidada
um desabafo apertado
uma conversa fiada,
rumo perdido no mapa errado
Prosa misturada com verso,
página saltada
A mão pesada, cilindro leve
tinta impressionada
Um teste, uma prova, um indício
que não é cinza de cigarro,
nem pegada:
só um longo caminho lá pro infinito,
numa solitária estrada.
[Adhemar - São Paulo, 08/05/2017]
sexta-feira, 23 de junho de 2017
CANHENHO
Tenho muito que fazer.
Quando me lembro, não
tenho condição. Quando tenho tempo, não me lembro. Se tenho
tempo e me lembro, aparece algo mais urgente...
Esse muito que fazer...
Tarefas, obrigações,
caprichos. Esquecimentos, programações extemporâneas, lembranças tardias.
Um acúmulo estranho de compromissos e tarefas mal distribuídos numa agenda
cheia de rabiscos. Meus "compromiscos", como costumo dizer.
Tenho muito que fazer.
E sempre arranjo outra
coisa. A idade serve de escudo para certas intransigências. Já fui mais gentil
e solícito outrora, agora não mais; senão, seria um tanto muito maior este
tanto por fazer.
Tenho muito que fazer.
Fiz uma lista. No auge das
urgências iminentes de parte deste muito o que fazer, dou uma parada para
conferi-la.
Tenho muito que fazer.
Sempre mais e mais,
confundindo sonhos com obrigações, cansaço aleatório e lazer.
Tenho muito que fazer.
Depois eu vejo exatamente o
quê.
[Adhemar - São Paulo, 04/10/2016]
quinta-feira, 22 de junho de 2017
DESINTEGRAÇÃO
Depois de se perder, fragmentar
Não se achar
Desiludir da unidade esquecida
substituída
Remendos impossíveis
Transformar em outra coisa;
ainda que indesejada
sucumbir...
Morrer dentro de si mesmo,
insepulto
Engolir o insulto
Procurar-se nos resíduos
sem saber mais o que são
(ou o que foram)
Contemplar dilacerado as cinzas
os coringas
Braços abertos, mangas expostas,
respostas
A transparência invadindo
o que éramos sumindo
Ainda vivos
sem voz audível
Dados como mortos
num enterro impossível.
[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]
Não se achar
Desiludir da unidade esquecida
substituída
Remendos impossíveis
Transformar em outra coisa;
ainda que indesejada
sucumbir...
Morrer dentro de si mesmo,
insepulto
Engolir o insulto
Procurar-se nos resíduos
sem saber mais o que são
(ou o que foram)
Contemplar dilacerado as cinzas
os coringas
Braços abertos, mangas expostas,
respostas
A transparência invadindo
o que éramos sumindo
Ainda vivos
sem voz audível
Dados como mortos
num enterro impossível.
[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]
quarta-feira, 31 de maio de 2017
FUNÇÕES
Azul em verde vermelho
acontecendo
Abraço pedaço d'espelho
apelando
Quente noite tarde
acinzentando
Sentimento par-ou-ímpar
se perdendo
acontecendo
Abraço pedaço d'espelho
apelando
Quente noite tarde
acinzentando
Sentimento par-ou-ímpar
se perdendo
Verde em brancas pretas
vai jogando
Cavalos reis rainhas
aborrecendo
Oceano largo mar
anoitecendo
Lúcido cristal vidro
se quebrando
Velas estufadas acesas
balançando
Chamas fogo vivo
ardendo
Ouro mirra incenso
rescendendo
Tarde noite quente
transformando
Acessos em portas portões
batendo
Passeios alamedas caminhos
caminhando
Plantas arbustos flores
se despetalando
Água chuva orvalho neve
derretendo
Palavras rimas versos
se escrevendo
Perversos maus controversos
se desesperando
Otimismo força audácia
vão ressuscitando
Esperança paz amor
estão nascendo...
[Adhemar - São Paulo, 31/05/2014]
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